quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Olhos nos olhos




Olhos nos olhos, encanto escondido por entre correrias que se exigem.
Vou ao teu encontro por vezes, vezes sem conta.
Lancei-te um aceno logo que te vi, ainda sentido pelo que me esperou, vindo de bem longe para abraçar olhos desavindos.
Por centímetros nos cruzamos. Por metros nos ignoramos.
Por horas nos estafamos, deixando o olhar falar e sorrir, quando nos estacamos.
Pela noite, já o cansaço toma conta do olhar desgarrado. Retiro-me consolado pelo que vi e pelo que senti, sem antes pela última vez, cruzar mais uma vez e agora longos segundos, o nosso olhar ainda virgem de agitações.
Somos crianças de coro, numa vivência já adulta. Sentimos emoções pensando já perdidas, mas que retornam pelos olhares que do nosso corpo fervilham.
Os olhos falam o que nos vai no pensamento vivendo o momento que cada um lamenta.
Os olhos atrevem-se a retaliar por vezes sentimentos. Que de tão audazes e eloquentes. Assustam, logo que a realidade nos abane o nosso presente.
Os olhos comprometem-nos, num olhar que por ocasiões nos pode ser fatal.
Mas o risco que corremos, supera longamente a distância do arrependimento.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Triste Sina




Vejo-me rodeado de caprichos, insinuações e puras virgens imaculadas.
Santas dos pés à cabeça, como telhados de vidro rachados.
Puras no que fizeram e de lençóis brancos, pelo sono solitário e bordado com as mãos dos anjos.
A culpa é sempre do mesmo, quando fica entrincheirado meses a fio, no alpendre farpado pelas mãos dos desgraçados.
A culpa morre solteira, com as visões interesseiras, do culpado ser sempre o elo mais fraco.
Triste sina, para quem se esconde por trás dos filhos, quando deles se esqueceu, por diversas ocasiões, onde deu azo às suas vinganças tresloucadas.
Triste sina, para quem se entregou como uma lamparina para esfregar o desejo e alcançar o Aladino.
Triste sina, para quem vive a apregoar humilhações e gozações. Dentro dos caminhos que se cruzam com conhecidas e esquecem-se que pelo mesmo, passou o agora desconhecido.
Há vida maldita que deste a este mundo crianças já, com idade para ter juízo.
E eu é que sou o culpado de tudo!!!!
Que venha o Natal, para amolecer os corações e perdoar os gritos das ofendidas. Que se escondem no calor dos carinhos dos homens que lhes dão guarida.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Tarda Natal




Em cada canto existe uma árvore de Natal.
Árvores sarapintadas de cores garridas, sejam de pinheiro manso da mata onde em crianças surripiávamos o pinheiro mais vistoso.
Ou de plástico, vindo de terras longínquas. Onde com toda a certeza, ninguém ouviu falar no nascimento do menino.
 Tudo isto, para chamar a atenção dos consumidores atarefados com as prendas usuais nesta quadra.
Prendas para todos os gostos e para todas as carteiras. Levando algumas a chorarem depois o ano inteiro.
Em cada esquina sobressai um pisca-pisca.
Faiscantes e fascinantes. Convidam a olhar para as entradas das lojas e para as decorações das vivendas.
Oferecem um colorido garrido e fazem atrair as atenções sobressaindo os mais espampanantes que iluminam os locais em atenções gerais.
Ambiente favorável para que em cada rosto sobeje a alegria. E ofereça motivos para o povo andar mais alegre e renove as felicitações a cada encontro de conhecidos.
Tarda Natal!
Faz com que o tempo pare. E parando, a alegria e a fraternidade alongam-se no imaginário de cada um e assim o povo se alegra longos dias!
Tarda Natal!
Para que o Natal seja todos os dias e sentir se todos nós, fazíamos o que em meia dúzia de dias que antecedem o Natal, nos cansamos de apregoar e majestosamente elevar.
Um excelente Natal para todos.
 Pensando nele todos os dias, como o fazia em pequenino!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Quatro Anos




Há quatro anos sentia a ansiedade enorme em regressar e viver o Natal junto com os meus queridos, depois de forçosamente “fugir” para tão longe que me estava a despedaçar o espírito.
Já levava três meses longe de casa. Eu, que nunca me tinha ausentado do lar, vivendo rodeado da família como uma mãe galinha.
Por vezes me isolava do mundo só para enriquecer os abraços familiares, porque tinha o que me fazia feliz e buscava constantemente o conforto para quem partilhava o meu ninho.
Há quatro anos ainda labutava por terras cobertas de neve e tão duras que endureciam o meu corpo como um cadáver já frio.
E os dias não passavam para regressar e viver o Natal junto do seio familiar.
Hoje o Facebook recorda-me esse dia e “obriga-me” a recordar um martírio vivido num isolamento nocturno, onde deixava brotar umas lágrimas que amoleciam as faces ainda virgens da dureza da vida.
Hoje sinto as mesmas sensações!
Mas já em casa, para absorver diferentes emoções.
Hoje o Natal deixou de ter os sorrisos antigos. Deixou de se revestir de laços coloridos para identificar os petizes.
 Mas continua rodeado de magia!




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Resta




Existem noites mergulhadas na nostalgia.
Noites infinitas!
 Envoltas em curvas constantes numa cama solitária. Tão larga, que pela manhã acordo do avesso, com o corpo massacrado e estafando o juízo!
Noites sem vontade de abraçar a saudade.
Uma saudade indigente, esgotada.
Envolta em soluções e represálias despropositadas.
Sem capacidade para patentear o óbvio. Bem perto das suas janelas que se deviam abrir para o largo jardim. Onde esvoaçam as ultimas folhas que durante dias, aguentaram o vento duro do Outono, perto do fim.
Resta a calçada solitária, já com os altos conhecidos para não magoar os dedos ainda doridos pela batalha diária, nas frágeis amparas esbulhadas. Como campânula para fechar os olhos à vulgaridade!
Resta o sol bonito, que aquece o asfalto conhecido de longos anos percorridos, com pensamentos esmorecidos. Mas com desejos esclarecidos.
Resta a luz nocturna. Que decora a cidade numa beleza tradicional que encanta quem cá permanece e quem numa fuga conhece.
Resta o espírito natalício. Farto de desejos ancestrais que deixam as pessoas solidarias, enquanto as melodias natalícias ecoam nos corações infinitos.
Resta o pôr-do-sol num fim de tarde. Que me guiou até casa em quilómetros sem fim, para chegar até mim, porque só encontrei as raízes, em que há longos anos nasci!