domingo, 22 de janeiro de 2017

Os animais e os Estrangeiros





Estavam menos dois graus, mas a caminhada habitual, já faz parte do ritual.
Metade já percorrida pela enorme avenida, ainda com restos de garrafas vazias, de uma noite igual a muitas outras, de Sábado para Domingo.
Transpus a ponte para encurtar caminho e alcancei o passeio bem encostado ao
gradeamento, ombreando com o rio, que tranquilamente corria para o seu destino.
Patos nadando é tão natural, que nem se esquivam com a presença de qualquer humano e logo desconhecido.
Mas presenciar este casal (nem sei de que animais se tratam), é que é divino!
Descobri-os ainda longe e quieto como uma múmia, desliguei os fones e preparei o telemóvel, para ver se conseguia registar este momento.
Passo a passo sem deixar o mínimo ruído, aproximei-me o mais perto possível e, para minha surpresa, continuaram a pavonear-se na relva a dois metros do rio.
Tranquilamente alcançaram a margem. Primeiro um, e depois o outro por entre as pedras, desapareceram serenamente.
Só tive pena de não ter uma máquina para os captar mais pertinho e conseguir este momento bem nítido.
Por fim, já no retorno para casa, encontrei o que não esperava. E  alegremente, terminei o meu Domingo.
É reconfortante encontrar colegas que já pensava não os ver mais e mesmo sendo estrangeiros. Encontram-se a garimpar o mantimento, no país que lhes oferecem, melhores condições e longo tempo de sustento.  

Sete anos Passaram




Passaram sete anos de uma semana inesquecível.
Pelas pistas francesas e espanholas, esquiei pela primeira vez e senti a adrenalina descendo as pequenas encostas.
Que grupo fantástico e esquiar era a alegria diária, almofadados em fatos coloridos e aconchegados. Autênticos amortecedores nas leves quedas prováveis.
A imensidão dos cumes ao longe carregados de neve, levavam-me ao sonho de os descer velozmente. Autêntico olímpico dos jogos de Inverno, balançando o corpo como uma pena, fugindo aos obstáculos criados pela Natureza.
Na foto, a recepção oferecida logo à nossa chegada.
Mal eu sabia que umas horas mais tarde a Natureza oferecia toda a sua beleza. Para, pela primeira vez pisar o seu dorso.
Nuns esquis que me elevavam bem acima, do que os meus olhos estavam habituados.
Hoje a neve bate-me á porta!
Para a pisar de botas tipo tropa. Num confronto diário para a desbravar rumo ao que a vida me sujeita.
 Mas tal como à anos, senti-la, dá-me um gozo bravo.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Tempo



Ofereci tudo o que tinha, numa vida a pensar sempre nos outros e agora sinto-me nostálgico.
Sinto-me apático com um peso ao pescoço.
Sinto-me revoltado com o passar do tempo, sem tempo para recuperar o tempo perdido.
Um tempo idiota, sem tempo para saborear as reduzidas vitórias.
Em pouco tempo conquistei alguma parte do tempo sumido. Mas rodeei-me de pessoas imperceptíveis. Quando antes pensava conhecê-las como as palmas das mãos.
Pessoas que as envolvi de carinho transbordante de ternura pura e transparente. Mas faziam questão de viverem num mundo de angústia.
Como podem pessoas resgatar fantasmas que povoam as suas mentes, para as afastar da alegria em viver!
A minha diversão, nada tem a ver com o comum dos mortais.
Não bebo para esquecer. Não fumo para me alegrar.
Não fodo, para me valorizar.
Não arredo pé do quentinho para mordiscar um focinho.
Doravante, preciso de te conhecer bem no fundo do teu ser, para me ofereceres um pouco, do muito, que já ofereci!
Serás tu mulher com ganas em vencer, que penses como eu.
Porque pensar como eu é pensar em viver!


domingo, 15 de janeiro de 2017

Amar é Sentir.....





Oh, como gostaria de almoçar contigo!
Sentir o teu olhar e saborear o teu sorriso.
Ainda a transbordar da frescura da manhã, depois de uma noite recheada de sonhos para conquistar.
Junto à lareira, num restaurante erigido em pedra secular. Mesclado de histórias e encontros que terminaram em glória.
 Num sossego deslumbrante, onde o toque das nossas mãos entoa como um prazer consentido, de uma paixão sem arreios.
Estendida pelo espaço sem fim. Porque Amar é sentir a paixão raiar no meu corpo, a cada gesto meu a cada suspiro teu.
Afinal, eu penso o que quem deseja andar comigo, pensa!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Sexta feira Treze





Foi no dia treze e logo numa sexta-feira. Que descobri que alguém reencontrou a felicidade!
Esse, alguém, que bem conheço. Que tanto lutou para não ser feliz (penso ser essa a sua maior lacuna), mesmo sabendo que era a companhia mais bela que o acompanhava. Voltou de novo a ser feliz. Junto de uma pessoa, agora reencontrada.
Recordo os últimos momentos que a vi!
Já denotava alterações físicas e emocionais próprias de uma mudança anunciada, que me espantaram sem conseguir esconder a estranheza.
Gestos indiferentes. Atitudes frias e irreverentes. Respostas ausentes. Lágrimas soltas num pequeno instante.
Por isso me regozijo com a felicidade dela agora reencontrada e confessou-me de uma assentada.
Falávamos imensas vezes do mesmo até à exaustão!
 E demasiadas vezes senti, que ela necessitava urgentemente de encontrar alguém que a fizesse feliz!
Lhe oferecessem uma felicidade de encontro ao que desejava e agora que mo confessou, sinto alegria por ela, dado que foram dias imensos a praguejar para o boneco.
Mesmo longe, sinto o seu contentamento. Sinto de novo o seu sorriso maravilhoso e o olhar belo, que me fizeram lutar pela sua amizade.
Espero quando voltar. A encontrar!
 E sentir de volta aos seus olhos toda a alegria como a quando conheci.

Toda a noite Nevou





Levanto-me ainda meio ensonado.
Com as queixas do costume: estava muito bem na camita, logo agora que estava a dormir como um catraio e vem este despertador a cortar-me os sonhos puros e a mandar-me para o intenso frio lá fora, antes que chegue a hora, de entrar para a obra.
Com um olho aberto e o outro ainda fechado.
Ainda com ressaca remelada, apesar da água fria, que lanço para as fuças.
Tomo só um café para despertar o destino, porque apetite é fastio.
E deparo com este cenário?
Fico logo, de olhos esbugalhados e arrepiado!
Toda a noite nevou!
Toda a noite o vento assobiou pela janela do quarto. Silvando a maldade de um inverno maldito.
Toda a noite fustigou as brechas do edifício. Mas eu queria estar mais tempo na camita, sonhando com os meus meninos.
Toda a noite foi imensamente curta para esquecer a tortura, de tempos recentes onde impera a diabrura.
Agora é tempo de descanso. Posso dormir uma eternidade e passear pela calçada, mesmo que a neve me obrigue a caminhar com dificuldade.