quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Dá-me um Beijo





O ano estava a terminar. Poucos dias faltavam, para que o novo chegasse no meio de rolhas soltas e desejos pedidos.
Tinha-te conhecido depois de percorrido meia centena de quilómetros e não tardou, que o teu encanto de menina crescida, me levasse a ser ousado e te pedisse para me beijares.
Dá-me um beijo, pedi!
Ficaste surpreendida e sem palavras para me responder. E senti a tua respiração mais raçuda.
Fizeste de conta que não ouviste e continuaste com os teus delírios de uma vida um pouco madrasta.
Voltei a pedir-te: Dá-me um beijo!
-“Olha que dou, não me custa nada”! Respondeu, de uma assentada.
E juntou os seus lábios aos meus, num espaço repleto, na sua maioria jovens. Onde os nossos largos copos de Gin Tónico, famoso da casa. Aumentaram o beijo da esperança. Tornando os nossos lábios carnudos e desejosos.
Já não a ouvia!
Estava de cabeça pousada no sofá verde da sala e, tu sentada olhando-me de cima para baixo. O que me encantava de verdade.
Sentia os teus lábios bem perto enquanto falavas. Por isso desejava-os espalmados nos meus.
Dá-me um beijo pedi eu!
E ela deu um, dois e mais porque não lhe larguei o pescoço.
Primeiro inocentes, envergonhados, rápidos.
Depois fortes, profundos e alongados.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Os animais e os Estrangeiros





Estavam menos dois graus, mas a caminhada habitual, já faz parte do ritual.
Metade já percorrida pela enorme avenida, ainda com restos de garrafas vazias, de uma noite igual a muitas outras, de Sábado para Domingo.
Transpus a ponte para encurtar caminho e alcancei o passeio bem encostado ao
gradeamento, ombreando com o rio, que tranquilamente corria para o seu destino.
Patos nadando é tão natural, que nem se esquivam com a presença de qualquer humano e logo desconhecido.
Mas presenciar este casal (nem sei de que animais se tratam), é que é divino!
Descobri-os ainda longe e quieto como uma múmia, desliguei os fones e preparei o telemóvel, para ver se conseguia registar este momento.
Passo a passo sem deixar o mínimo ruído, aproximei-me o mais perto possível e, para minha surpresa, continuaram a pavonear-se na relva a dois metros do rio.
Tranquilamente alcançaram a margem. Primeiro um, e depois o outro por entre as pedras, desapareceram serenamente.
Só tive pena de não ter uma máquina para os captar mais pertinho e conseguir este momento bem nítido.
Por fim, já no retorno para casa, encontrei o que não esperava. E  alegremente, terminei o meu Domingo.
É reconfortante encontrar colegas que já pensava não os ver mais e mesmo sendo estrangeiros. Encontram-se a garimpar o mantimento, no país que lhes oferecem, melhores condições e longo tempo de sustento.  

Sete anos Passaram




Passaram sete anos de uma semana inesquecível.
Pelas pistas francesas e espanholas, esquiei pela primeira vez e senti a adrenalina descendo as pequenas encostas.
Que grupo fantástico e esquiar era a alegria diária, almofadados em fatos coloridos e aconchegados. Autênticos amortecedores nas leves quedas prováveis.
A imensidão dos cumes ao longe carregados de neve, levavam-me ao sonho de os descer velozmente. Autêntico olímpico dos jogos de Inverno, balançando o corpo como uma pena, fugindo aos obstáculos criados pela Natureza.
Na foto, a recepção oferecida logo à nossa chegada.
Mal eu sabia que umas horas mais tarde a Natureza oferecia toda a sua beleza. Para, pela primeira vez pisar o seu dorso.
Nuns esquis que me elevavam bem acima, do que os meus olhos estavam habituados.
Hoje a neve bate-me á porta!
Para a pisar de botas tipo tropa. Num confronto diário para a desbravar rumo ao que a vida me sujeita.
 Mas tal como à anos, senti-la, dá-me um gozo bravo.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Tempo



Ofereci tudo o que tinha, numa vida a pensar sempre nos outros e agora sinto-me nostálgico.
Sinto-me apático com um peso ao pescoço.
Sinto-me revoltado com o passar do tempo, sem tempo para recuperar o tempo perdido.
Um tempo idiota, sem tempo para saborear as reduzidas vitórias.
Em pouco tempo conquistei alguma parte do tempo sumido. Mas rodeei-me de pessoas imperceptíveis. Quando antes pensava conhecê-las como as palmas das mãos.
Pessoas que as envolvi de carinho transbordante de ternura pura e transparente. Mas faziam questão de viverem num mundo de angústia.
Como podem pessoas resgatar fantasmas que povoam as suas mentes, para as afastar da alegria em viver!
A minha diversão, nada tem a ver com o comum dos mortais.
Não bebo para esquecer. Não fumo para me alegrar.
Não fodo, para me valorizar.
Não arredo pé do quentinho para mordiscar um focinho.
Doravante, preciso de te conhecer bem no fundo do teu ser, para me ofereceres um pouco, do muito, que já ofereci!
Serás tu mulher com ganas em vencer, que penses como eu.
Porque pensar como eu é pensar em viver!


domingo, 15 de janeiro de 2017

Amar é Sentir.....





Oh, como gostaria de almoçar contigo!
Sentir o teu olhar e saborear o teu sorriso.
Ainda a transbordar da frescura da manhã, depois de uma noite recheada de sonhos para conquistar.
Junto à lareira, num restaurante erigido em pedra secular. Mesclado de histórias e encontros que terminaram em glória.
 Num sossego deslumbrante, onde o toque das nossas mãos entoa como um prazer consentido, de uma paixão sem arreios.
Estendida pelo espaço sem fim. Porque Amar é sentir a paixão raiar no meu corpo, a cada gesto meu a cada suspiro teu.
Afinal, eu penso o que quem deseja andar comigo, pensa!