sábado, 11 de fevereiro de 2017

Voltou a Neve




Voltou a neve, com a esperança de a guardar no bornal levando-a para um regresso inesperado.
A rua cobriu-se de branco e os telhados enfeitaram-se como a desejarem, a permanência da brancura que absolve o que se passa por baixo dessas coberturas.
Caminhei para as compras de fim-de-semana com todo o cuidado para não quebrar o esqueleto resguardado pelo casacão de Trás dos Montes, que é a cobiça dos alemães divertidos.
Já me dão mil euros pelo capote. E só o vendo, logo que deixe esta vida de imigrante entrincheirado numa cidade a arrotar bafo de polacos, turcos, italianos, russos e os sem-abrigo.
Nas compras levaram-me pela certa!
Comprei seiscentas gramas de frango (GMO FREIRE HAEHNCHE), indicando dois euros e noventa e nove. Com trinta por cento de desconto, visto a data terminar amanhã. E em vez de me retirarem o desconto, somaram-no e mais grave, até lhe aumentaram o preço. Com um total de cinco euros e cinquenta.
Reclamei na meia dúzia de palavras em alemão que aprendi enquanto lidava com colegas pintados com as nódoas da arte. Mas nada adiantou!
 A chefe da caixa gorda como um bidão, mandou-me passear e ir aturar outra. Mesmo com o talão na mão e tendo-lhe tirado da mão a calculadora que justificava o erro bem evidente. Ela desancava-me abrindo os braços que se me agarrassem. Abafava-me!
Mais logo, quando chegar o tradutor Ribatejano que me guia nestas andanças por terra da tia Merkel, vamos lá e bato o pé à minha indignação.
Não é nada, mas o que me retiveram dá para uma garrafa de Martini e misturando com cerveja, dá para uma noite de folia.
Como não posso mexer no frango para poder reclamar e gozar com a gorda. Vou almoçar umas costeletas já temperadas, num arroz com netos que por aqui custam os olhos da cara e saborear uma pinga espanhola. Para festejar o regresso à terra prometida.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

É enorme como a Maioridade



Hoje o meu pequenote faz anos!
De o ver como o mais novito, hoje já completa dezoito anitos.
Como cresceu!
Como arrebitou as orelhas e se fez um rapagão, enquanto o diabo esfregava um olho.
É um puto modelo!
Não bebe, não fuma.
Faz a cama a custo e entra sempre no quadro de excelência. Mesmo sendo um sufoco, chegar a horas à primeira aula.
Tem tanto de altura como de sabedoria e mesmo tendo o tique de endireitar a marrafinha e roer as unhas. Oferece constantemente aos pais, mãos cheias de alegria.
Já namora como gente crescida. E não se cansa de percorrer quilómetros pata estar com a sua joaninha.
Já carimbou a papelada da carta de condução e não tarda nada, fazer do carro um avião.
Pratica desporto e fortalece os músculos no ginásio perto de casa. Para que a preguiça não o amortalhe, aos jogos de almofada.
Parabéns Duarte!
Mesmo tendo que te dar um salto, porque já me vences em altura. Agarro-te num enorme abraço que bem mereces e vai lá gozar o teu grande dia!



domingo, 5 de fevereiro de 2017

Hoje não Saio





Hoje não saio. Hoje fico em casa!
Hoje amoleço o corpo nas entranhas de quatro paredes, para franquear as incertezas.
Hoje por hoje, resguardo-me de emoções, depois de uma tarde a confessar desejos.
Eu confesso o que me vai na alma, à pessoa que me indica o seu caminho.
Eu sou um coração aberto para quem me abre o seu destino.
Mesmo longe, encontro-me bem perto de alguém, que me ensina o vocabulário do objectivo.
São dias consecutivos a ter a presença de uma luz cintilante que me enche de esperança.
Um rosto que já conheço, num fim de ano marcado pelo engano.
Uma voz metalizada na escrita diária. Que me leva para a cama, a contar os dias que faltam para estar bem junto dela.
É gostoso acordar com o entoar ainda tão vivo de convites audazes, depois de adormecer com o corpo a saltitar de arrepios.
E os dias correm como o derreter da neve, depois de a temperatura subir em flecha aquecendo o corpo e os desejos.
Cinco semanas já se foram depois de deixar o lugar onde pernoitei as minhas saudades, por vezes despercebidas.
Faltam uma mão cheia, para renovar o caudal das saudades e acredito, vou viver de novo a alegria de receber o que me é devido.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Foi-se o Temporal





Foi-se o temporal, veio a bonança. E em duas caminhadas recuperei a esperança!
O mundo abana como varas verdes, com a chegada de líderes supremos na capacidade de envergonhar os mais crentes.
Não confiamos neles!
E a esperança reside em alguém que os sustenha, nos atentados ao optimismo que ainda reside nos nossos domínios.
A força que possuímos é tão farta que move montanhas, erguendo o muro do bloqueio para afastar esses energúmenos das perigosas lideranças.
Uma mão estendida oferecida, recebe outra receptiva!
E num abrir e fechar de olhos conseguimos criar um cordão que abafa as medidas tenebrosas que nos estão a impor pelo poder, que infelizmente lhes foram confiados.
Conseguimos correr de cena, esses homens. Que mesmo dentro dos seus gabinetes, vão sentir a inércia de tentarem insurgir-se contra a vontade de todos nós sermos felizes, lado a lado.
Para eles o ser humano nada vale. Não deixa de ser um número que em muitos casos é pura e simplesmente riscado da vida que tanto lutou, para que fosse a melhor possível.
Se Deus é o único que tem o poder de decidir o futuro do universo?
Então que estenda a mão e bane para sempre, a maldade que reina no rosto dos que se designam senhores do mundo!

domingo, 29 de janeiro de 2017

A força que Carrego




Enlaço a minha força nos meus braços, multiplicando-os.
Só assim faço frente à enorme corrente, que me estilhaça!
É necessário enlaçar a minha crença, para suportar a incredulidade de alguém que se desfaz em exageros exacerbados, para manifestar a estupidez de me tentar alcançar, no limite do mais fervi exagero.
Já não basta a dureza de uma vida, longe de quem me deseja. Martelando os dias, para os enterrar no calendário que não se despeja.
E surge-me de premeio a dor de quem partiu, ainda com tanto tempo para sorrir.
Então, caminho sem cessar o destino. Sabendo de antemão, as paragens que ele mesmo, me anuncia.
Paro só na segunda, que me abre a porta branca que se mistura com os restos da neve que teimosamente não derrete.
Lá dentro encontro a bagunça da mudança. De quem quer virar a página, a um destino cruel, que amordaça.
Parto repentinamente para me juntar ao presente e deixar para trás imagens que não abonam, com a certeza na minha vitória.
É a força que carrego, enlaçada no meu cérebro!