domingo, 5 de março de 2017

Vou e já Volto





Agasalho a revolta de querer ser feliz, enquanto não volto.
Pelo meio, a chuva refresca um pouco as minhas emoções e envolvo-me no silêncio da humidade, que chega ao coração.
Já partilhei o dilúvio da entrega sem escapes.
Já senti a traição, como forma de vingança anunciada.
Já mandei para as urtigas, inimigos de canos cerrados.
E por aqui estou a sorrir para os idosos. Que tentam dar conselhos, como se a sua já longa vida amordaçada, fosse sinal de Deus sempre louvado.
No fim da tarde vou galgar a estrada.
Não usarei a velocidade como escapatória.
Vou ao encontro de quem foge, agarrando-a pelas golas. Gritando-lhe que podemos chegar à glória.

sábado, 4 de março de 2017

Assim Seja




Que queres que faça?
Quando podemos estar juntos, não conseguimos. E quando posso estar contigo, andas na tua vida.
Portanto não é frustração! É nada poder fazer para te rever.
Mil vezes repeti isto nas horas intermináveis, que enfrento desde a alvorada.
Percorro os cantos conhecidos, para te encontrar antes que me fujas.
Escondo-me nos recantos floridos para que tu chegues e te surpreenda de seguida. Mas quase sempre te perco, porque me canso da tua fuga.
Tu escondes o que eu adivinho e o tempo vai passando e perdemos momentos divinos.
Outras mostram o que eu nem imagino.
 Por entre as amarras entranhadas com o sebo recente das suas paixões. Agarrando-se miraculosamente, para não se espalmarem no abismo das líricas emoções.
Sejamos felizes mesmo tentando desgastar os locais já loucamente percorridos.
Por que loucos já estamos, com as derrocadas infelizes que esta vida nos proporciona.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

No silêncio da Noite





A noite era um mar de estrelas depois de um banquete de bebidas e desafios.
As horas avançavam e o prazer da companhia, aumentava com o sem número de estrelas, que surgiam a cada olhar ao céu, que nos benzia.
A longa estrada não impedia a vontade de terminar com horas de caricias e confissões que ficam nas entrelinhas.
Calaram-se os gritos dos animais das redondezas e saboreou-se o silêncio do planalto da intensa beleza.
Um beijo por uma estrela!
Dizias tu, para ficarmos colados até o dia nascer na esplanada da beleza da natureza.
Recolhemo-nos no negro da noite, para evitar as sentinelas nocturnas, como beatas coladas ao vidro, das janelas vizinhas.
Não te via, mas sentia-te!
Não te ouvia, mas balouçavas-me!
Por fim, ainda mais o silêncio tomava conta de tudo e por momentos senti. O desalento a invadir-me e apregoei aos deuses, uma vontade suprema de parar o tempo para te ter longo tempo.
Voltei com a estrada deserta e com as lanternas que rodeiam a longa estrada de regresso, a amparar o meu intenso desejo daqui para a frente, de te levar, para onde o destino me reserva.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A realidade no Suicídio




Quem viu o jogo, de uma forma a desejar que uma equipa portuguesa obtivesse o melhor resultado possível, para discutir a passagem. Cedo verificou, que a protecção gozada pelo Porto no nosso burgo, era o suicídio nesta alta-roda do futebol europeu!
Nem o Soares conseguiu arrancar umas faltas e com isso ganhar vantagem em resultados, que a grande maioria infelizmente tem  presenciado.
Nem as violentíssimas entradas deixaram de ser ignoradas e com enorme prejuízo para as ambições portistas.
 E logo num jogo em que a Juventus só esperava levar um resultado que lhe desse a magra vantagem de em casa resolver a eliminatória.
 Só existe um culpado!
 A assombrosa petulância do quero, posso e mando.
 Onde não se pode transmitir nestes jogos, carregados de olhos europeus, que não permitem a arrogância da ganância!
Valha-nos as simpáticas declarações dos italianos a alertar de que no futebol nada é impossível e com isso, acautelando-se para a já impossível (pensamos nós, todos os portugueses), passagem aos quartos da liga milionária.
Foi pena!
Mesmo para quem não simpatize muito com o Porto. Já que o jogo poderia ser o arranque do Porto, surgir em força nesta liga, que valha a verdade. Se destina a dois ou três clubes, vencer.
Vamos esperar para ver se existem milagres para idolatrar.
E a enorme crença para ultrapassar uns alemães perigosíssimos, que nos ofereceram uma sorte que o Porto, cedo, deixou de também poder ser bafejado.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Será que os jovens de hoje desafiam o seu próprio Destino




Ainda mal me recompunha para pisar o chão que tantos anos percorri, nesta cidade decorada com enormes galos ex-libris do nosso fascínio. E depois da primeira noite agarrado aos lençóis da infância que me restituíram um pouco do sono perdido nos dias que antecederam a partida. Dou de olhos com um miúdo a insistir em passar o separador que resguarda acidentes rumo à via rápida.
Equilibrava-se como uma pena. Mas, poucos metros percorria.
E lá saltava para o passeio deixando os automobilistas estupefactos com a loucura do jovem.
Pensava estar no país onde trabalho, recheado de loucos de todos os tamanhos.
Mas era na minha cidade que um jovem, tentava percorrer uns cinquenta metros equilibrado numa grade de pouco mais que dez centímetros, tendo uns vinte metros mais abaixo a via rápida, que se tombasse ficava esborrachado.
E o puto insistia!
Conseguia quatro ou cinco metros, mas saltava para a berma da estrada quase se amparando aos veículos que vagarosamente circulavam, com os automobilistas a assistir incrédulos à loucura do miúdo.
Parei por minutos incrédulo!
Ele reparou em mim que de telemóvel na mão, tentava registar esta loucura perigosa.
E depois de mais uma tentativa em vão, saltou de novo para a berma e levantou-me o dedo, mandando-me para os lados que todos conhecemos.
Continuei o meu caminho atento ao miúdo que não se cansava de tentar atravessar e já tinha conseguido metade do gradeamento.
Será que os jovens de hoje desafiam o seu próprio destino?
Ou nós já crescidinhos, estamos conscientes que já vimos tudo neste nosso caminho!