terça-feira, 14 de março de 2017

A esplanada do Descanso





Levanto-me cedo, para tentar uma vaga na médica de família, que já nem se deve lembrar que eu existo.
Necessito de fazer exames a este corpo, onde o sinto já, a saturar de vícios prejudiciais à saúde.
Não consegui!
Mas daqui a dois dias, terá que me aturar porque, consegui uma consulta caída do céu.
Aproveito e entro no banco com cara de poucos amigos, o que surpreende o gerente já habituado às coscuvilhices que lhe confesso, quando por longe permaneço.
Ando farto de ser contemplado com comissões disto e daquilo. E já vou de trombas para lhes desancar em cima.
Depois deste frenesim que me tirou do marasmo dos últimos dias. Estendo-me ao comprido na esplanada da Benvinda.
Os óculos protejam-me do sol e resguardam qualquer olhar, de alguém que passe, me oscile da já saturada preguiça.
Conto as varandas dos prédios circundantes.
Descubro as matrículas ainda ao longe, para tentar conhecer quem ao volante conduz, valente máquina.
Ao meu lado, outra mesa se enche de amigos.
Já com semblante cansado de anos a labutar nas fábricas, que enchiam a cidade de correrias desenfreadas, para que os enormes portões, não se fechassem à hora do berro corneteiro. E lá se iam os miseres tostões, de ordenados de miséria.
E o tempo passa, com o vai e vem das velhotas reformadas a ir comprar o pão para que os filhos e netos encham a barriga diariamente.
 Descendentes que nem se lembram que, as reformas dos velhos, nem chegam para nas farmácias aliviar o sofrimento.
É delicioso saborear este sol que anuncia para breve a entrada da primavera.
Mais ainda, quando se descansa. Apesar do descanso, já se fazer sentir saturante. Depois de longos dias a repetir que ele chegasse e levasse o frio que estalava até os pensamentos.
Aproxima-se a hora do almoço com a velha, a esbarrar constantemente nos encostos da mesa, já que tem um rabo volumoso. Para que a refeição saia ao seu gosto e encha a barriga deste preguiçoso.
E lá vou para pôr a mesa e depois arrumar a cozinha, para fazer valer a guarida oferecida.

sábado, 11 de março de 2017

Não sei se parti ou se Voltei





Não sei se parti. Porque ainda aqui estou!
Longos dias repetindo os passos, que já martirizam as calçadas.
Um pouco farto de não fazer nada e sonhando com momentos bem distantes.
Salvam-se as amizades conquistadas e os desejos concretizados.
Não sei se voltei. Porque ainda lá estou!
Apesar de por dias me encontrar tão longe que, sozinho, num quarto virado para o que ainda resta da neve, teimando em não deixar os cumes que abraçam o céu. Adormecia no paraíso.  
Revi mais uma vez o pôr-do-sol belíssimo, que me saudava à chegada.
Seria o de cá, sempre a levar a ansiedade de esperar melhores dias.
Ou o de lá, que me conduz a noites tranquilas.
Foram poucos dias para arrumar as trouxas, já com teias de aranha que pelas noites infinitas, faziam de anjo da guarda.
Fim de um ciclo num país.
Outro se seguirá, já com as malas a abarrotar de agasalhos e de sonhos que desde garoto me acompanham.
Só sei que senti por dias, a adrenalina do vai e vem, sempre com aquele friozinho que arrepia.

domingo, 5 de março de 2017

Vou e já Volto





Agasalho a revolta de querer ser feliz, enquanto não volto.
Pelo meio, a chuva refresca um pouco as minhas emoções e envolvo-me no silêncio da humidade, que chega ao coração.
Já partilhei o dilúvio da entrega sem escapes.
Já senti a traição, como forma de vingança anunciada.
Já mandei para as urtigas, inimigos de canos cerrados.
E por aqui estou a sorrir para os idosos. Que tentam dar conselhos, como se a sua já longa vida amordaçada, fosse sinal de Deus sempre louvado.
No fim da tarde vou galgar a estrada.
Não usarei a velocidade como escapatória.
Vou ao encontro de quem foge, agarrando-a pelas golas. Gritando-lhe que podemos chegar à glória.

sábado, 4 de março de 2017

Assim Seja




Que queres que faça?
Quando podemos estar juntos, não conseguimos. E quando posso estar contigo, andas na tua vida.
Portanto não é frustração! É nada poder fazer para te rever.
Mil vezes repeti isto nas horas intermináveis, que enfrento desde a alvorada.
Percorro os cantos conhecidos, para te encontrar antes que me fujas.
Escondo-me nos recantos floridos para que tu chegues e te surpreenda de seguida. Mas quase sempre te perco, porque me canso da tua fuga.
Tu escondes o que eu adivinho e o tempo vai passando e perdemos momentos divinos.
Outras mostram o que eu nem imagino.
 Por entre as amarras entranhadas com o sebo recente das suas paixões. Agarrando-se miraculosamente, para não se espalmarem no abismo das líricas emoções.
Sejamos felizes mesmo tentando desgastar os locais já loucamente percorridos.
Por que loucos já estamos, com as derrocadas infelizes que esta vida nos proporciona.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

No silêncio da Noite





A noite era um mar de estrelas depois de um banquete de bebidas e desafios.
As horas avançavam e o prazer da companhia, aumentava com o sem número de estrelas, que surgiam a cada olhar ao céu, que nos benzia.
A longa estrada não impedia a vontade de terminar com horas de caricias e confissões que ficam nas entrelinhas.
Calaram-se os gritos dos animais das redondezas e saboreou-se o silêncio do planalto da intensa beleza.
Um beijo por uma estrela!
Dizias tu, para ficarmos colados até o dia nascer na esplanada da beleza da natureza.
Recolhemo-nos no negro da noite, para evitar as sentinelas nocturnas, como beatas coladas ao vidro, das janelas vizinhas.
Não te via, mas sentia-te!
Não te ouvia, mas balouçavas-me!
Por fim, ainda mais o silêncio tomava conta de tudo e por momentos senti. O desalento a invadir-me e apregoei aos deuses, uma vontade suprema de parar o tempo para te ter longo tempo.
Voltei com a estrada deserta e com as lanternas que rodeiam a longa estrada de regresso, a amparar o meu intenso desejo daqui para a frente, de te levar, para onde o destino me reserva.