quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sem carinho, mas com Companhia




Trabalhei 13 horas, a fazer a minha obrigação e a ajudar os outros!
Ainda, por cima, a nós ninguém nos ajuda e claro. Somos escravos de quem amolece o corpo na rotina de um país, que vive dos emigrantes sedentos dos euros, para amortizar as dificuldades da família bem longe.
Estou no meu quarto a tentar que alguém me ofereça um carinho e, nisto?
Uma enorme aranha invade o meu aposento aproveitando a porta aberta, para deixar sair o fumo dos cigarros que são quase comidos.
O meu colega, rude de uma vida duríssima desde criança, apresta-se a matar este bichinho negro mas belíssimo.
De chinelo no ar, já vai a meio caminho de colar a aranha à parede.
Mas num grito, paro os seus intentos e, consigo que ele, meio envergonhado a encaminhe de volta à varanda, de onde apareceu sabe Deus como!
Vivo no meio da montanha e da árdua tarefa do dia-a-dia, a corresponder ao que me é exigido.
E quem me faz companhia é uma aranha negra, a trepar as paredes, talvez esperando que a luz se apague. E dois negros humanos, se deitem para umas horas depois. Se voltem a levantar, ainda a remela dos olhos não deixam que eles se abrem para: sei lá mais quantas horas, voltar a desejar uma cama maravilhosamente macia.

sábado, 6 de maio de 2017

A Beleza de uma Sereia





Descrever a tua beleza, é tão simples. Que se torna maravilhoso, a cada passo, um momento de intensa alegria!
O rosto por si só, é de uma beleza deslumbrante.
O teu olhar denota uma ligeira nostalgia, que nenhum anjo descobria a sua origem.
Os lábios perfeitos, suavemente abertos no meio. Lançam um beijo, só Deus sabe, a quem de direito. E todos adorariam beija-los, como o último desejo!
Existirá mãos suaves e puramente macias, para acariciar o teu pescoço, onde só dedos de predestinados, sentiriam o palpitar da sensualidade?
 E eu vejo! A almofada de um ombro, aconchegando o teu rosto. Num conforto paradisíaco.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Primeiro de Maio




Primeiro de Maio, dia que me diz muito!
Era ainda miúdo, quando descobri o caminho da empresa que durante longos anos, deu guarida ao meu crescimento profissional.
Neste dia nunca trabalhei!
 Respeitei-o religiosamente, como o meu dia. O dia que representava o sacrifício de colegas meus, que há muitos anos, deram a vida para que hoje conseguisse usufruir de condições, para num dia conseguir partilhar a vida profissional, com a da família entretanto abraçada.
Por isso fui comemorar!
Dei largas a alegria e descarreguei a adrenalina no sopé da pista e por entre musicas já tão batidas e decoradas. Lembrei-me que mesmo longe, este dia é a certeza de sermos dignos.
Dia do trabalhador!
 Primeiro na pátria. Longos anos numa rotina executada quase de olhos fechados.
Agora longe, comemorar é sinal de estarmos vivos e sentir forças para continuar por mais alguns anos.
Viva o Primeiro de Maio!

domingo, 30 de abril de 2017

Da porta Envidraçada




Da porta envidraçada da minha cozinha, vejo a montanha coberta pelo sol e as árvores irradiando a sua cor. Numa linha serpenteada, até que a estrada deixe de a namorar, pela última curava, perdendo-a de vista.
As do sopé, verdes da cor da relva que se estende até ao início da estrada. Onde se concentra os poucos vizinhos com as máquinas agrícolas estacionadas e as vacarias até de noite iluminadas. Mais parecendo discotecas coloridas, para que o gado se alimente de noite e de dia. Crescendo num fechar de olhos e não tarda prontos. Para serem carne para os canhões, do nosso estômago.
Uns vinte metros mais acima, o verde fica desmaiado, sofrendo do clima agreste, onde a neve e o vento iniciam, a sua brusca rebeldia.
Outros bons metros mais acima, num acicate acentuado. Já não existe verde, nem vestígios dele.
As poucas árvores que lutam contra a dureza da Natureza são acastanhadas. Perdendo grande parte da beleza das suas manas, que vivem a roçar as suas raízes, mais abaixo.
Ainda mais acima, onde só é possível olhar de cabeça bem erguida. É só rocha embutida!
Longe a longe, observa-se umas árvores tenazmente fazendo pela vida, num cenário rochoso e tenebroso. Nem verdes, nem castanhas. Escuras como o carvão, dado que durante grande parte do ano, são cobertas pela neve e a humidade constante.
No cimo, onde nenhum ser humano ousa pousar os pés para virarem heróis por momentos. Só se vislumbra os picos aguçados da montanha, autênticos projéteis virados para o céu.
E por breves instantes, imagino-me a escalar esta majestosa montanha, pelos minúsculos caminhos, que o degelo ao longo de milhares de anos abriu em direção à base onde milhares de pessoas assomem a imprescindível rotina diária.

sábado, 29 de abril de 2017

Abraços





Nada resta, a não ser a consolação dos momentos vividos!
Foram imensos, em horas intensas, como se o mundo terminasse a qualquer instante.
Duraram tempo infinito!
Originou quezílias por vezes ingratas, em diálogos duros e convicções drásticas.
De um lado, a convicção do engano, como se o engano fosse, a cura para refazer a vida, ao pé da necessidade em esquecer o infortúnio.
 O engano foi amiúde acusado, como bandeira hasteada, para fazer querer já fora das quatro paredes, o sacana em que ele se tornara!
Até no último dia, em que o sacana partia, de malas carregadas de nostalgia. Apareceu à porta de casa, de choro estampado e rosto maquilhado.
Correndo para o canto lírico e vivendo uma vez mais, a paixão já entupida e o corpo já partilhado.
Ele, tudo sentia!
Ele percebia a crueldade da vingança. Mas queria uma vez, partilhar a réstia da esperança.
Já não havia esperança! Nem Deus, para salvar a exposta vingança!
O tempo passou. Os meses voaram e o amor que tanto tempo se arredou, de dois seres loucos por se pendurarem nos corpos, sempre expostos para se saciarem. Partiram para outros abraços.
De um lado, abraços do tempo de escola onde se apregoa aos quatro ventos um amor, só agora entendido e já expandido.
Do outro, enleios enferrujados com uma amargura evidente, de muito tempo de sofrimento. Sendo esse factor, a fuga para não mais viver o mesmo sentimento.
Sobra a luta constante, de dois seres que têm bem presente, os momentos que fizerem deles unha e carne pelo tempo.
E hoje lutam cada um, pelo saboroso presente!