domingo, 14 de maio de 2017

Fé Futebol e Eurofestival






Um país tão pequenino, do tamanho de um Berlim. Que fica mesmo no fim da terra, com o mar a fustigar-lhe e a devorar-lhe o que tanto custou conquistar. Num só dia, consegue abraçar três eventos de lourear!
Sua Santidade, beijou o solo de Camões. Numa apoteose que deixou os Portugueses agarrados à Fé, como se fosse a boia de salvação para todos os males.
 Beatificando os pobres pastorinhos. Em milagres que acreditemos divinos, deixando o nosso país, com a alegria de um povo acolhedor e hospitaleiro, como se um simples turista se tratasse. Deixando a mensagem de nos levar, no coração e nas orações domingueiras.
Mas o dia 13 de maio de 2017, que ficará na história do nosso país. Não se deixaria ficar por aqui!
Ainda o Santo Padre viajava pelos céus da Europa. Já meio país, elevava os braços na consagração da conquista do tetra benfiquista.
O futebol continuava encarnado e os miúdos já enganam os pais, na troca dos dorsais, pelo contagioso do vermelho que invadia o país.
E a enorme vitória no Eurofestival, de um barbudito que vive o que canta. Com uma paixão marcante. Vivendo cada letra como cada batida do seu coração. E estava-se marimbando para os votos que podia angariar. Juntou aos festejos Benfiquistas, os restantes Magriços, que ainda carpiam a raiva pelo ardor benfiquista.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sem carinho, mas com Companhia




Trabalhei 13 horas, a fazer a minha obrigação e a ajudar os outros!
Ainda, por cima, a nós ninguém nos ajuda e claro. Somos escravos de quem amolece o corpo na rotina de um país, que vive dos emigrantes sedentos dos euros, para amortizar as dificuldades da família bem longe.
Estou no meu quarto a tentar que alguém me ofereça um carinho e, nisto?
Uma enorme aranha invade o meu aposento aproveitando a porta aberta, para deixar sair o fumo dos cigarros que são quase comidos.
O meu colega, rude de uma vida duríssima desde criança, apresta-se a matar este bichinho negro mas belíssimo.
De chinelo no ar, já vai a meio caminho de colar a aranha à parede.
Mas num grito, paro os seus intentos e, consigo que ele, meio envergonhado a encaminhe de volta à varanda, de onde apareceu sabe Deus como!
Vivo no meio da montanha e da árdua tarefa do dia-a-dia, a corresponder ao que me é exigido.
E quem me faz companhia é uma aranha negra, a trepar as paredes, talvez esperando que a luz se apague. E dois negros humanos, se deitem para umas horas depois. Se voltem a levantar, ainda a remela dos olhos não deixam que eles se abrem para: sei lá mais quantas horas, voltar a desejar uma cama maravilhosamente macia.

sábado, 6 de maio de 2017

A Beleza de uma Sereia





Descrever a tua beleza, é tão simples. Que se torna maravilhoso, a cada passo, um momento de intensa alegria!
O rosto por si só, é de uma beleza deslumbrante.
O teu olhar denota uma ligeira nostalgia, que nenhum anjo descobria a sua origem.
Os lábios perfeitos, suavemente abertos no meio. Lançam um beijo, só Deus sabe, a quem de direito. E todos adorariam beija-los, como o último desejo!
Existirá mãos suaves e puramente macias, para acariciar o teu pescoço, onde só dedos de predestinados, sentiriam o palpitar da sensualidade?
 E eu vejo! A almofada de um ombro, aconchegando o teu rosto. Num conforto paradisíaco.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Primeiro de Maio




Primeiro de Maio, dia que me diz muito!
Era ainda miúdo, quando descobri o caminho da empresa que durante longos anos, deu guarida ao meu crescimento profissional.
Neste dia nunca trabalhei!
 Respeitei-o religiosamente, como o meu dia. O dia que representava o sacrifício de colegas meus, que há muitos anos, deram a vida para que hoje conseguisse usufruir de condições, para num dia conseguir partilhar a vida profissional, com a da família entretanto abraçada.
Por isso fui comemorar!
Dei largas a alegria e descarreguei a adrenalina no sopé da pista e por entre musicas já tão batidas e decoradas. Lembrei-me que mesmo longe, este dia é a certeza de sermos dignos.
Dia do trabalhador!
 Primeiro na pátria. Longos anos numa rotina executada quase de olhos fechados.
Agora longe, comemorar é sinal de estarmos vivos e sentir forças para continuar por mais alguns anos.
Viva o Primeiro de Maio!

domingo, 30 de abril de 2017

Da porta Envidraçada




Da porta envidraçada da minha cozinha, vejo a montanha coberta pelo sol e as árvores irradiando a sua cor. Numa linha serpenteada, até que a estrada deixe de a namorar, pela última curava, perdendo-a de vista.
As do sopé, verdes da cor da relva que se estende até ao início da estrada. Onde se concentra os poucos vizinhos com as máquinas agrícolas estacionadas e as vacarias até de noite iluminadas. Mais parecendo discotecas coloridas, para que o gado se alimente de noite e de dia. Crescendo num fechar de olhos e não tarda prontos. Para serem carne para os canhões, do nosso estômago.
Uns vinte metros mais acima, o verde fica desmaiado, sofrendo do clima agreste, onde a neve e o vento iniciam, a sua brusca rebeldia.
Outros bons metros mais acima, num acicate acentuado. Já não existe verde, nem vestígios dele.
As poucas árvores que lutam contra a dureza da Natureza são acastanhadas. Perdendo grande parte da beleza das suas manas, que vivem a roçar as suas raízes, mais abaixo.
Ainda mais acima, onde só é possível olhar de cabeça bem erguida. É só rocha embutida!
Longe a longe, observa-se umas árvores tenazmente fazendo pela vida, num cenário rochoso e tenebroso. Nem verdes, nem castanhas. Escuras como o carvão, dado que durante grande parte do ano, são cobertas pela neve e a humidade constante.
No cimo, onde nenhum ser humano ousa pousar os pés para virarem heróis por momentos. Só se vislumbra os picos aguçados da montanha, autênticos projéteis virados para o céu.
E por breves instantes, imagino-me a escalar esta majestosa montanha, pelos minúsculos caminhos, que o degelo ao longo de milhares de anos abriu em direção à base onde milhares de pessoas assomem a imprescindível rotina diária.