sábado, 20 de maio de 2017

A Praia




O final do dia levou-nos à frescura do mar e, ao jantar bem perto das ondas que se faziam ouvir bem perto do restaurante. Paredes meias, com as barracas carcomidas pelo tempo, dos pescadores que ainda fazem do mar, o seu ganha-pão.
Duas horas, conversamos!
De sorrisos rasgados e olhares brilhantes. Saboreando um jantar, que nos iria tornar eternos.
Duas horas, estendemos os nossos desejos pela mesa farta e mostramos sem pejo, a nossa alegria em estar juntos.
A praia acolheu-nos já trocando beijos com sabor ao marisco e unimo-nos num abraço profundo, que fez inveja ao mar enrolando na areia.
A praia, foi o nosso estonteante momento.
A praia foi a oferenda das nossas brilhantes emoções.
A praia foi a testemunha da nossa estonteante paixão.
Por momentos, o silêncio imperou e o mar silenciou a sua batida na areia. Para não perturbar a pureza de uma entrega há tanto tempo adormecida.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A beleza do meu Fim de Semana






Perguntei ao meu filho ainda a viver os dezoito anos de mansinho.
- Então Duarte, que achaste de um fim-de-semana, que te vai fazer lembrar ao longo dos anos: Papa, tetra e Salvador?
Uma pausa longa e lá saiu a resposta.
- Pai a beleza do meu fim-de-semana, foi namorar, estou apaixonado!


domingo, 14 de maio de 2017

Fé Futebol e Eurofestival






Um país tão pequenino, do tamanho de um Berlim. Que fica mesmo no fim da terra, com o mar a fustigar-lhe e a devorar-lhe o que tanto custou conquistar. Num só dia, consegue abraçar três eventos de lourear!
Sua Santidade, beijou o solo de Camões. Numa apoteose que deixou os Portugueses agarrados à Fé, como se fosse a boia de salvação para todos os males.
 Beatificando os pobres pastorinhos. Em milagres que acreditemos divinos, deixando o nosso país, com a alegria de um povo acolhedor e hospitaleiro, como se um simples turista se tratasse. Deixando a mensagem de nos levar, no coração e nas orações domingueiras.
Mas o dia 13 de maio de 2017, que ficará na história do nosso país. Não se deixaria ficar por aqui!
Ainda o Santo Padre viajava pelos céus da Europa. Já meio país, elevava os braços na consagração da conquista do tetra benfiquista.
O futebol continuava encarnado e os miúdos já enganam os pais, na troca dos dorsais, pelo contagioso do vermelho que invadia o país.
E a enorme vitória no Eurofestival, de um barbudito que vive o que canta. Com uma paixão marcante. Vivendo cada letra como cada batida do seu coração. E estava-se marimbando para os votos que podia angariar. Juntou aos festejos Benfiquistas, os restantes Magriços, que ainda carpiam a raiva pelo ardor benfiquista.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sem carinho, mas com Companhia




Trabalhei 13 horas, a fazer a minha obrigação e a ajudar os outros!
Ainda, por cima, a nós ninguém nos ajuda e claro. Somos escravos de quem amolece o corpo na rotina de um país, que vive dos emigrantes sedentos dos euros, para amortizar as dificuldades da família bem longe.
Estou no meu quarto a tentar que alguém me ofereça um carinho e, nisto?
Uma enorme aranha invade o meu aposento aproveitando a porta aberta, para deixar sair o fumo dos cigarros que são quase comidos.
O meu colega, rude de uma vida duríssima desde criança, apresta-se a matar este bichinho negro mas belíssimo.
De chinelo no ar, já vai a meio caminho de colar a aranha à parede.
Mas num grito, paro os seus intentos e, consigo que ele, meio envergonhado a encaminhe de volta à varanda, de onde apareceu sabe Deus como!
Vivo no meio da montanha e da árdua tarefa do dia-a-dia, a corresponder ao que me é exigido.
E quem me faz companhia é uma aranha negra, a trepar as paredes, talvez esperando que a luz se apague. E dois negros humanos, se deitem para umas horas depois. Se voltem a levantar, ainda a remela dos olhos não deixam que eles se abrem para: sei lá mais quantas horas, voltar a desejar uma cama maravilhosamente macia.