segunda-feira, 5 de junho de 2017

Os caracois emergem às Centenas





Caminhava de regresso a casa, já a tarde avançava e a chuva ameaçava. Depois de uma tarde a desgastar a noite longa e viciante, para mais uma semana dura, mas com uma entrega apetecida.
Percorria os caminhos da ciclovia, bem junto à linha férrea para mais rápido chegar, antes que a chuva me apanhasse.
Levantou-se um vento fresco que aliado à temperatura amena, oferecia um final de dia agradável.
Já ninguém caminhava pelo caminho estreito e só nós dois, em passo apressado, diminuíamos a distância que nos separava de casa.
Nisto, reparo em um. Não dois…..Hui, pá! São dezenas de caracóis enormes, que emergem pela erva acabada de aparar nos canteiros da ribeira.
Em quinhentos metros, centenas de caracóis, vão sugar os caules das plantas ainda tão frescas, de serem aparadas pela mão do homem.
Eles acasalam, eles atropelam-se, eles multiplicam-se!
Que beleza, este enorme amontoado de caracóis enormes, pintando o verde da Natureza, como as estrelas salpicam o céu.
Por aqui a Natureza renova-se, na multiplicação das espécies.
É tudo farto.
É tudo em abundância.
É tudo protegido pela consciência humana!

domingo, 4 de junho de 2017

E ainda dizem que o maluco sou Eu




Existem momentos que não se apagam!
Apagam-se as relações, desaparece o dia-a-dia a viver uma pessoa. Mas os momentos?
Esses ficam guardados na eternidade da minha vida.
As pessoas vão!
 Outras surgem!
 E a adrenalina mantêm-se, para ajudar ao frenesim laboral.
Entretanto os dias passam. E o trabalho é de Segunda a Sábado.
Só me resta a noite de Sábado para Domingo, para desanuviar o corrupio diário e por vezes encontro cada maluca.
A noite é propícia à maluquice e beber é o desaguar das amarguras da vida e emborcar uns shots e umas vodkas. É como o diabo esfregar um olho.
Mulheres bebem como os animais e depois ninguém as atura!
Aparecem naquelas vestimentas tradicionais. Com decotes de arreguilar os olhos e passadas umas horas, trocam-me os olhos e é uma correria para o bar.
Entre duas danças de envolver os braços pela cabeça e acabar encostados um ao outro. A sede aperta, para afugentar o desejo e toca a emborcar o relaxamento.
No findar da noite fico à espera do nada!
Gritam desalmadas se lhes tento tocar, mesmo para as amparar num cambalear pelo asfalto. Já com o dia a iluminar os socalcos para não a deixar esborrachar-se num pranto.
Eu regresso a casa deixando um pastel amortalhado, onde a nata cedo se extinguiu, numa noite que só convidou ao afugentar, de dias seguidos desgastantes. E pelo caminho só encontro o gado a pastar.
E ainda dizem que o maluco sou eu!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Eu só procuro Recordar





Caminho com o meu pensamento colado ao peito.
Relembrando a felicidade que me proporcionou ainda tão frescos, sublimes momentos.
O caminho estende-se por longos minutos e, o meu pensamento recua longos dias.
Recordo enquanto o verde se expande pelo carreiro de terra batida, que leva ao balburdio da cidade. Uma união a roçar a loucura, que me ajudou a suportar dias ingratos, com pessoas a gritar ao desbarato.
Converso temas banais para acompanhar a caminhada no duo ocasional, mas pouco dou importância. O meu pensamento está na esperança, de que chegue a hora, de abraçar a confiança.
A noite aproxima-se como a guardiã de sonhos já abraçados, mas que deixam a saudade de estarem bem longe destes braços tatuados. Com as veias salientes de esforços bem presentes.
Janto um Kebab almofadado com maionese.
 E bebo uma cerveja bem fresquinha, para apagar a sede da poeira dos momentos lembrados.
Por fim acolho a noite na balburdia de uma cidade a abarrotar de gente ávida por um momento, quando eu só procuro recordar, os meus momentos!

domingo, 21 de maio de 2017

O Progresso e a Natureza pura









A manhã está fresca e na habitual caminhada, num raio de mil metros. Tenho um mundo de progresso para nos deslocarmos. E a Natureza no seu estado puro e belo.
Enquanto caminho, passo por cima da autoestrada, que me leva e me devolve a casa.
Uns metros mais adiante, o comboio rápido surge num som ensurdecedor para uns quilómetros mais à frente, deixar toda a gente na estação da cidade.
Mais uns metros, e encontro o helicóptero de emergência, sempre pronto para num ápice, acudir aos acidentes graves.
Mais ao lado existe um aeródromo, onde um pequeno avião transporta os ultra-leves por um cabo de aço até eles tomarem altura para os largar. E durante uns minutos, sobrevoarem o vale que as gigantes montanhas são rainhas e senhoras. Aterrando na pista relvada, como se de enormes pássaros se tratassem.
Isto rodeado de campos onde as sementes já fazem brotar o alimento para bovinos, caprinos e galináceos. Não esquecendo nós os humanos, saciarem a fome, todo o ano.
Mais uns metros e vislumbro a barragem que abastece a cidade e criou um enorme e belíssimo lago.
Por fim a extraordinária beleza da Natureza!
O rio recebe os afluentes apinhados de peixes que saltam à vista.
Já estudamos todas as maneiras de os apanhar, mas a pesca é proibida. Como toda a caça e qualquer alteração do meio ambiente.
Rodeados de árvores protegidas por todos, já que a todos pertence. Muitas delas pela primeira vez que admiro.
 Os lagos abrigam toda a espécie de aves que encantam quem por cá passa.
Muitas delas, só as via, pela televisão.
E a ciclovia que se estende por oitenta e cinco quilómetros. Oferece o jogging para todas as idades e, é ver as bicicletas a circular por quilómetros sem fim.
Tudo isto com a floresta e a frescura do rio a acompanhar, quem usufrui deste paraíso.
Por último, temos a escarpa ingreme com o belíssimo castelo, ex-libris da cidade e, o expoente máximo dum local que ficará na minha memória.

sábado, 20 de maio de 2017

A Praia




O final do dia levou-nos à frescura do mar e, ao jantar bem perto das ondas que se faziam ouvir bem perto do restaurante. Paredes meias, com as barracas carcomidas pelo tempo, dos pescadores que ainda fazem do mar, o seu ganha-pão.
Duas horas, conversamos!
De sorrisos rasgados e olhares brilhantes. Saboreando um jantar, que nos iria tornar eternos.
Duas horas, estendemos os nossos desejos pela mesa farta e mostramos sem pejo, a nossa alegria em estar juntos.
A praia acolheu-nos já trocando beijos com sabor ao marisco e unimo-nos num abraço profundo, que fez inveja ao mar enrolando na areia.
A praia, foi o nosso estonteante momento.
A praia foi a oferenda das nossas brilhantes emoções.
A praia foi a testemunha da nossa estonteante paixão.
Por momentos, o silêncio imperou e o mar silenciou a sua batida na areia. Para não perturbar a pureza de uma entrega há tanto tempo adormecida.