domingo, 18 de junho de 2017

No silêncio da Noite




No silêncio da noite, encontro o lugar dos meus momentos!
O zumbir dos insectos, abstrai-me por segundos e alguns deles ferem-me o corpo, mas não me afastam dos meus momentos.
No silêncio da noite, encontro o meu espaço. Ainda aturdido pela semana que me devassa o corpo, mas que me oferece o tão merecido repouso.
No silêncio da noite, ofereço à noite, um sorriso maroto que se esboça depois de avivar a mente, com os meus momentos.
No silêncio da noite, onde alguns fugiram para a noite. Outros adormeceram, agasalhados pelas conversas intimas, surgidas de longe, consolando-os por momentos.
No silêncio da noite, ainda espero que a noite, não se extinga no colorido do dia, sem antes me presentear com o momento mais querido.
No silêncio da noite, agora que ela se torna ainda mais densa e maravilhosamente silenciosa. As horas carregam-me já de cansaço e o meu leito ainda desfeito pelo repentino saltar tardio para o meu dia, aproxima-se para o meu retiro.
No silêncio da noite, tudo se torna densamente escuro.
Cerro os olhos como um menino e adormeço embalado pelo meu destino!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cresci de Batina



Descobri uma idiota que fugia de ser feliz!
Mesmo por momentos, fazia, fica pé. De se refugiar no seu mundo, para se resguardar da felicidade, que lhe era oferecida pela água benta, de um homem agarrado à fé da Eucaristia.
De segunda a quinta, fazia jus ao seu atrevimento de bambu farto de frinchas para dar alvor ao seu requinte.
De sexta a Domingo, refugiava-se nas festas rotineiras. Onde no meio de conversas a deixar sorrisos acostumados, pelas frases traquinas dos amigos babados pelo feminismo entravado. Lembrava-se dos tempos idos, onde era rainha e senhora, dum fidalgo agarrado às rédeas dos progenitores.
Hoje nem sabe o que deseja, numa altura que os dias se aproximam!
Uma dúzia de dias que podem valer uma vida de momentos, de sonhos e de maravilhosa adrenalina!
Depois, só Deus saberia se amaria o homem, que cresceu de batina a ler a primeira leitura, enquanto era escuteiro, fundado pelo pai e tio. Ou se o vento levaria a ocasião, para os momentos, que ficarão gravados na memória.







domingo, 11 de junho de 2017

Tem um sorriso do tamanho do meu Desejo




Bebo um maduro do Douro, da Azinhaga do Ouro, neste fim de tarde quente e abafado.
Agora a frescura regressa e as montanhas oferecem-me, um ventinho delicioso, que refresca o meu corpo e faz-me sorrir de novo.
Recuperei de uma noite bem longa, que me fez voltar já o dia se abria, para o calor que não tardava.
Bares repletos de alegria, música e, alguns exageros. Em gente que quer conseguir tudo em meia dúzia de horas, talvez para esquecer os dias que os obrigam, á maldita rotina.
O Verão é fértil em festas e romarias e por cá é um misto de algaraviada em todas as línguas.
É um folguedo louco!
Esbarrei-me com um grupo de Espanhóis, com uma jovem belíssima, que era o centro das atenções dos colegas já bem bebidos.
Encostei-me a uma mesa num bar a abarrotar de gente louca. Onde uma Italiana, falava pelos cotovelos e deixava-se convencer por um homem babado e acabaram por sair lado a lado.
Não parei de tirar os olhos de uma Austríaca, tão branca como a neve. Que ainda cobre os montes que tocam o céu e por aí fiquei, até que o bar encerrou.
Tem um sorriso do tamanho do meu desejo, mas só ficamos por pousar o olhar por momentos, que se multiplicaram pelas horas que lá passei.
Ainda presenciei uma senhora, com idade para ter mais juízo, ser levada em ombros, arrumando a multidão que não deixava um lugar vago. Num coma alcoólico, que só a pronta intervenção da Emergência, a fez voltar a sentir que nem sabia como ali tinha chegado.
Mas como a noite ainda era uma criança, dei uma saltada a outra banda.
Aí a juventude é rei e senhora!
Encostam-se, dançam e deixam-se abraçar sem dar esperanças.
É uma trabalheira para os seguranças, em por fora aqueles que já nem se seguram de pé. E sem causar grandes alaridos, a noite passa com a música da moda a ser repetida e a deixar a garotada, a desejar ter a sua noite para recordar.
Regressei com aquele sorriso num rosto branco, que me acompanhou pelo resto da noite.
Ainda o juntei a um outro. De uma jovem que se acomoda a um canto, para que o meu a encontre e a leve a vir ao meu encontro, de uma forma que desvie a última barreira.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Os caracois emergem às Centenas





Caminhava de regresso a casa, já a tarde avançava e a chuva ameaçava. Depois de uma tarde a desgastar a noite longa e viciante, para mais uma semana dura, mas com uma entrega apetecida.
Percorria os caminhos da ciclovia, bem junto à linha férrea para mais rápido chegar, antes que a chuva me apanhasse.
Levantou-se um vento fresco que aliado à temperatura amena, oferecia um final de dia agradável.
Já ninguém caminhava pelo caminho estreito e só nós dois, em passo apressado, diminuíamos a distância que nos separava de casa.
Nisto, reparo em um. Não dois…..Hui, pá! São dezenas de caracóis enormes, que emergem pela erva acabada de aparar nos canteiros da ribeira.
Em quinhentos metros, centenas de caracóis, vão sugar os caules das plantas ainda tão frescas, de serem aparadas pela mão do homem.
Eles acasalam, eles atropelam-se, eles multiplicam-se!
Que beleza, este enorme amontoado de caracóis enormes, pintando o verde da Natureza, como as estrelas salpicam o céu.
Por aqui a Natureza renova-se, na multiplicação das espécies.
É tudo farto.
É tudo em abundância.
É tudo protegido pela consciência humana!

domingo, 4 de junho de 2017

E ainda dizem que o maluco sou Eu




Existem momentos que não se apagam!
Apagam-se as relações, desaparece o dia-a-dia a viver uma pessoa. Mas os momentos?
Esses ficam guardados na eternidade da minha vida.
As pessoas vão!
 Outras surgem!
 E a adrenalina mantêm-se, para ajudar ao frenesim laboral.
Entretanto os dias passam. E o trabalho é de Segunda a Sábado.
Só me resta a noite de Sábado para Domingo, para desanuviar o corrupio diário e por vezes encontro cada maluca.
A noite é propícia à maluquice e beber é o desaguar das amarguras da vida e emborcar uns shots e umas vodkas. É como o diabo esfregar um olho.
Mulheres bebem como os animais e depois ninguém as atura!
Aparecem naquelas vestimentas tradicionais. Com decotes de arreguilar os olhos e passadas umas horas, trocam-me os olhos e é uma correria para o bar.
Entre duas danças de envolver os braços pela cabeça e acabar encostados um ao outro. A sede aperta, para afugentar o desejo e toca a emborcar o relaxamento.
No findar da noite fico à espera do nada!
Gritam desalmadas se lhes tento tocar, mesmo para as amparar num cambalear pelo asfalto. Já com o dia a iluminar os socalcos para não a deixar esborrachar-se num pranto.
Eu regresso a casa deixando um pastel amortalhado, onde a nata cedo se extinguiu, numa noite que só convidou ao afugentar, de dias seguidos desgastantes. E pelo caminho só encontro o gado a pastar.
E ainda dizem que o maluco sou eu!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Eu só procuro Recordar





Caminho com o meu pensamento colado ao peito.
Relembrando a felicidade que me proporcionou ainda tão frescos, sublimes momentos.
O caminho estende-se por longos minutos e, o meu pensamento recua longos dias.
Recordo enquanto o verde se expande pelo carreiro de terra batida, que leva ao balburdio da cidade. Uma união a roçar a loucura, que me ajudou a suportar dias ingratos, com pessoas a gritar ao desbarato.
Converso temas banais para acompanhar a caminhada no duo ocasional, mas pouco dou importância. O meu pensamento está na esperança, de que chegue a hora, de abraçar a confiança.
A noite aproxima-se como a guardiã de sonhos já abraçados, mas que deixam a saudade de estarem bem longe destes braços tatuados. Com as veias salientes de esforços bem presentes.
Janto um Kebab almofadado com maionese.
 E bebo uma cerveja bem fresquinha, para apagar a sede da poeira dos momentos lembrados.
Por fim acolho a noite na balburdia de uma cidade a abarrotar de gente ávida por um momento, quando eu só procuro recordar, os meus momentos!