segunda-feira, 19 de junho de 2017

Num só Dia




Lembrei--me agora:
Se em vez de maratonas desgastantes, ou ciclovias dominicais, onde uns mostram os adereços vistosos e as bicicletas topo de gama.
Se juntassem e num dia, um só dia! Vestissem fato-macaco e devastassem o mato, que tanto apregoam, ser o causador do alimentar de tantos dolorosos incêndios.
Lembrei-me agora:
Em vez de caminhadas semanais, para desanuviar o stress em fatos e tangas ousadas. Usassem luvas e calças, para num só dia, limpar o que todos encontram, enquanto caminham mata fora.
Lembrei-me agora:
Em vez de caminhadas até Compostela, onde fervilham os pés e a dureza do corpo. Caminhassem de rosto sentido como todos agora exprimem. E limpassem o mato que vislumbram naqueles quilómetros que não tem saída, até que a Catedral se anuncie e, se ajoelham aos pés do santo?
Acredito que mesmo o Santo a todos agradecia!
Lembrei-me agora:
A todos aqueles que percorrem quilómetros atrás do futebol, que por vezes nos trás vergonha e repulsa, com violência à mistura.
Se juntassem e num só dia, limpavam as matas que circundam as suas Freguesias.
Lembrei-me agora:
A todos aqueles que nos governam e, hoje se abraçam em choros a raiar a culpabilidade de uma enorme tragédia.
Em vez de prometer medidas energéticas para minorar o flagelo das florestas, (e já falam desde do tempo que pairou outra tragédia), tomassem medidas concretas. Ofereciam ao povo, que se deitasse sem o fogo à perna.
Lembrei-me agora:
De tantos donativos oferecidos!
Bastava umas horas de suor e um enorme grupo de amigos e todos nós Portugueses, combatíamos a Natureza ingrata e os terroristas pedestres nocturnos, que nos desgraçam.
Trabalhei doze horas, depois de pouco dormir, com a dor de tantas famílias que tudo perderam até o amor de um pai, marido, esposa e filho.
Hoje ainda não conseguirei dormir, com a raiva de estar num país onde terminei o trabalho pelas 19 horas com 30º e o verde era o expectador na largura da estrada!
Num só dia todos, mas todos, tudo faríamos!

domingo, 18 de junho de 2017

Foda-se




Choramos as alegrias, ainda não vai muito tempo e neste momento choramos a dor intensa de vidas perdidas, pelo monstro do fogo, que ano a ano, nos sufoca o País e as vidas!
Foda-se!
No meio de uma tragédia destas, ainda existe pessoas, que consegue postar caminhadas e churrascadas!
Postar, bandas a instigar à palhaçada e adultos a sorrir à boa vida, que a sorte lhes ofereceu!
Foda-se!
Um dia de silêncio. É o mínimo que podemos oferecer às vítimas, de uma tragédia, que nos livrou por tempos e, que um dia podemos ser envolvidos em momentos!
Que raiva!
Agora que termino o almoço e olho as montanhas deste País, que me acolhe num berço verde e maravilhoso. Em saber, que posso andar mata dentro. Desviando os ramos tenros, para caminhar bem dentro do coração desta vegetação, que remove os meus pulmões, do pó diário e das loucuras dos excessos.
Que raiva!
Porque por aqui também faz imenso calor, mas Deus no dia seguinte, abençoa com uma chuva, que até apetece deixar que refresque este corpo, farto de calos e nódoas negras.
Que raiva!
Sentir que todos os anos, Portugal vira cinzas. E quando regresso, encosto o rosto ao vidro, deixando brotar uma lágrima, pela catástrofe que o nosso verde se transforma!
Que mágoa!
Sentir pelas rádios. Áustria e Alemanha.
A tragédia tão longe e bem perto do meu País, já tão deserto. E agradecer pelo apoio desses Países, que nos acolhem como um deles e continuar a sentir o verde da Natureza deles!


No silêncio da Noite




No silêncio da noite, encontro o lugar dos meus momentos!
O zumbir dos insectos, abstrai-me por segundos e alguns deles ferem-me o corpo, mas não me afastam dos meus momentos.
No silêncio da noite, encontro o meu espaço. Ainda aturdido pela semana que me devassa o corpo, mas que me oferece o tão merecido repouso.
No silêncio da noite, ofereço à noite, um sorriso maroto que se esboça depois de avivar a mente, com os meus momentos.
No silêncio da noite, onde alguns fugiram para a noite. Outros adormeceram, agasalhados pelas conversas intimas, surgidas de longe, consolando-os por momentos.
No silêncio da noite, ainda espero que a noite, não se extinga no colorido do dia, sem antes me presentear com o momento mais querido.
No silêncio da noite, agora que ela se torna ainda mais densa e maravilhosamente silenciosa. As horas carregam-me já de cansaço e o meu leito ainda desfeito pelo repentino saltar tardio para o meu dia, aproxima-se para o meu retiro.
No silêncio da noite, tudo se torna densamente escuro.
Cerro os olhos como um menino e adormeço embalado pelo meu destino!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cresci de Batina



Descobri uma idiota que fugia de ser feliz!
Mesmo por momentos, fazia, fica pé. De se refugiar no seu mundo, para se resguardar da felicidade, que lhe era oferecida pela água benta, de um homem agarrado à fé da Eucaristia.
De segunda a quinta, fazia jus ao seu atrevimento de bambu farto de frinchas para dar alvor ao seu requinte.
De sexta a Domingo, refugiava-se nas festas rotineiras. Onde no meio de conversas a deixar sorrisos acostumados, pelas frases traquinas dos amigos babados pelo feminismo entravado. Lembrava-se dos tempos idos, onde era rainha e senhora, dum fidalgo agarrado às rédeas dos progenitores.
Hoje nem sabe o que deseja, numa altura que os dias se aproximam!
Uma dúzia de dias que podem valer uma vida de momentos, de sonhos e de maravilhosa adrenalina!
Depois, só Deus saberia se amaria o homem, que cresceu de batina a ler a primeira leitura, enquanto era escuteiro, fundado pelo pai e tio. Ou se o vento levaria a ocasião, para os momentos, que ficarão gravados na memória.







domingo, 11 de junho de 2017

Tem um sorriso do tamanho do meu Desejo




Bebo um maduro do Douro, da Azinhaga do Ouro, neste fim de tarde quente e abafado.
Agora a frescura regressa e as montanhas oferecem-me, um ventinho delicioso, que refresca o meu corpo e faz-me sorrir de novo.
Recuperei de uma noite bem longa, que me fez voltar já o dia se abria, para o calor que não tardava.
Bares repletos de alegria, música e, alguns exageros. Em gente que quer conseguir tudo em meia dúzia de horas, talvez para esquecer os dias que os obrigam, á maldita rotina.
O Verão é fértil em festas e romarias e por cá é um misto de algaraviada em todas as línguas.
É um folguedo louco!
Esbarrei-me com um grupo de Espanhóis, com uma jovem belíssima, que era o centro das atenções dos colegas já bem bebidos.
Encostei-me a uma mesa num bar a abarrotar de gente louca. Onde uma Italiana, falava pelos cotovelos e deixava-se convencer por um homem babado e acabaram por sair lado a lado.
Não parei de tirar os olhos de uma Austríaca, tão branca como a neve. Que ainda cobre os montes que tocam o céu e por aí fiquei, até que o bar encerrou.
Tem um sorriso do tamanho do meu desejo, mas só ficamos por pousar o olhar por momentos, que se multiplicaram pelas horas que lá passei.
Ainda presenciei uma senhora, com idade para ter mais juízo, ser levada em ombros, arrumando a multidão que não deixava um lugar vago. Num coma alcoólico, que só a pronta intervenção da Emergência, a fez voltar a sentir que nem sabia como ali tinha chegado.
Mas como a noite ainda era uma criança, dei uma saltada a outra banda.
Aí a juventude é rei e senhora!
Encostam-se, dançam e deixam-se abraçar sem dar esperanças.
É uma trabalheira para os seguranças, em por fora aqueles que já nem se seguram de pé. E sem causar grandes alaridos, a noite passa com a música da moda a ser repetida e a deixar a garotada, a desejar ter a sua noite para recordar.
Regressei com aquele sorriso num rosto branco, que me acompanhou pelo resto da noite.
Ainda o juntei a um outro. De uma jovem que se acomoda a um canto, para que o meu a encontre e a leve a vir ao meu encontro, de uma forma que desvie a última barreira.