domingo, 16 de julho de 2017

A varanda deixou ser um Prazer





Pela minha varanda assistia a um momento maravilhoso!
Um pato do vizinho ao lado, é só a estrada que nos separa. Encontrou uma pata brava, que se deu de amores por ele.
E diariamente, encontravam-se no terreno do dono dele (ou já lá estavam juntos), para depois virem para o terreno onde fica a minha varanda. E nessa extensão enorme de erva fresca, procurarem o alimento desejado.
Quando o final do dia chegava e coincidia com o meu regresso do trabalho, era vê-los parados, no início da estrada. Até que tivessem a certeza, que podiam atravessar para o lado onde passavam a noite.
E lá atravessavam os dois bem juntinhos, que beleza!
Ele branco com umas ligeiras manchas negras. Ela toda acastanhada bem mais pequena.
E durante dias a fio, esperávamos pacientemente que eles se aproximassem da estrada, para assistir à maravilha de assistir eles atravessarem. Depois de pacientemente terem a certeza que nenhum obstáculo os impedia de a atravessar com segurança.
Um dia. Existe sempre um maldito dia!
 Andavam eles por entre as ervas altas do balado, que cerca a casa onde vivo na procura de caracóis tenros.
O pato talvez já saturado de encher o papo e quem sabe, cansado de a chamar. Resolveu atravessar a estrada, para regressarem.
A pata, ficou ainda embreada nas ervas altas do balado (filmava tentando que ela saísse e fosse até ao pé da estrada a uns metros de onde estava).
Nisto parei de filmar e…………….
Catastrófico!
A patita atravessou. E apercebendo-se que alguns ciclistas aproximavam-se pela ciclovia que atravessa a entrada do seu recanto, parou a meio da estrada, para que eles passassem e desgraçadamente um condutor mais preocupado com os ciclistas na cavaqueira, enquanto pedalam para aliviar as preocupações diárias. Passou-lhe por cima literalmente!!!
Que dor para nós que assistíamos da varanda!
Que momento terrível. Ver a pata destroçada mesmo no meio da estrada!
Durante dois dias, o pato não parava de a chamar. Era doloroso ouvir os seus apelos para a ver ao seu lado.
A varanda deixou de nos oferecer a maravilha de dois animais atravessarem a estrada, numa beleza que nos alegrava depois de um dia estafante.
A varanda deixou ser um prazer. Passou a ser uma recordação dolorosa!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Nestes últimos Dias




Penso nos meus recentes momentos!
 Agitados, envolventes.
Por vezes violentos. E um nadinha, de lágrima no olho.
São eles, que nas poucas horas que termino a rotina laboral. Me agitam e me afastam da morbidez, de permanecer, enlaçado em conversas cansativas e desnortes com consequências imprevisíveis.
Agasalho-me no meu canto e recolho esses momentos, para me tentar manter activo no presente. E não me deixar abater pelo cansaço, de estar tanto tempo ausente.
Ainda agora, que cheguei mais cedo do que o habitual. Encostei-me à almofada e num segundo peguei num sono derreado. E uma hora depois, num salto pensei: Porra, já de novo para o trabalho?
Mas ainda tinha umas horas para recuperar do esforço e tentar procurar consolo, nos momentos que por vezes me dão um brilhito nos olhos.
Preparei o jantar, bebi um branco com aroma perfumado e fui agraciado com um café e um gole de whisky escocês (levado à mesa onde escrevo o que me vai na alma), pelo único amigo que encontrei nesta dura etapa da minha vida.
Como dormitei uma sesta, o sono não aparece e escrevo o que sinto, para equilibrar o pensamento!
Nestes últimos dias, já me chamaram príncipe.
Já me expressaram que era um amor!
Já me disseram que não me queriam ver mais.
Já me ofereceram imensos beijos de boa noite.
Já me comunicaram, que as finanças por esta altura, se lembra de mim.
E já me tiraram o sono, pela loucura de alguém, em continuar a destruir uma família.
Pelos vistos, os momentos oferecem-me a força de esperar mais um mês para voltar a abraçar o que tenho de mais valioso.

domingo, 9 de julho de 2017

Tempestade de meter Medo




Caminhava pela mata e o sol abria-se num brilho intenso que o calor já enchia as lagoas de banhistas em topless.
Nisto? O céu cobre-se de negro e, só deu tempo para me abrigar da tempestade.
Durante uma hora, estive completamente só. Ouvindo o ecoar da trovoada e o vento a soprar violentamente.
Tão só, que por momentos pensei virar pó, num raio que rebentasse naquele beco, que me abrigava do cataclismo!
No embrulhar de medos e emoções tão só. Recordei um momento recente, onde te tinha junto a mim, tomando um gin.
E pedi-te um beijo! Num assomo de carinho.
E tu a pensares: - Que gajo atrevido.
-Ainda agora se atravessou no meu caminho. Ainda mal me conhece e pensa que sou o quê!
Mas por fim ofereceste-me um!
E depois mais um. E mais um!
Foram quatro!
Quase seguidos que empolaram as nossas faces.
Depois fugiste!
E eu regressei, para uma Alemanha banhada na ressaca dos atentados.
Tornei a voltar e tivemos dois momentos!
Que nos marcam como putos a iniciar um romance (de momentos).
Tornei a voltar, agora para a Áustria a viver de neve pela Primavera. E de calor intenso e num relance tempestade de meter medo, no cume do Verão!
 E já cá estou há quase quatro meses!
Que dureza!
A tempestade passou. Acompanhando a recordação que permanece repetidamente.
O céu abre-se de novo num azul salpicado de nuvens brancas e lá regresso a casa, ainda a apanhar com o resto da chuva que se solta bem lá de cima das montanhas!

domingo, 2 de julho de 2017

Encontrei restos de uma azáfama quase Moribunda




Saí de casa, sem encontrar quem bem lá longe, se esconde!
Refugia-se numa cortina de ferro, que se desperta, a um início de tarde de Domingo. Com as emoções de uma noite, onde se iniciou com a sua fugidia presença.
Entrei num bar e não me cruzei, com quem faz brilhar o meu estímulo.
Depois de levar na mente a beleza do seu sorriso e, a já inevitável curiosidade no seu olhar de desafio.
E numa disco, encontrei restos de uma azáfama quase moribunda!
Encontrei 2 isqueiros, 6 euros, uma pulseira, uns óculos. E uma dezena de jovens alcoólicos!
Tudo isto, enquanto saboreava umas músicas pela noite dentro.
Ofereci a pulseira a quem me presenteou com a amabilidade de umas bebidas. E que já açambarcou um compatriota, de não muito longe. Para libertar uma paixão, a estilhaçar em pedaços infinitos.
Por agora vou dar um passeio, apreciando a Natureza e tudo o que oferece sem despendermos um tostão que seja.
Tomar um café na esplanada bem perto do rio. E matar o vicio maldito, que me eleva a adrenalina e, por vezes me trás de volta a casa, a rogar pragas, à minha falta de juízo!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

E sei




Refugio-me nos vícios diários, para fazer frente à ansiedade constante!
Já carrego muitos dias longe de um abraço, de uma conversa com tons de graciosidade, de um encosto intimo para oscilar o coração.
E sei!
E como sei, que ainda mais dias, carregarei. Até chegar a hora de embarcar, rumo ao cantinho onde vivi, a fungar sonhos e lirismos.
E sei, que nos poucos dias que lá permanecerei, vou querer tão pouco, que até medo tenho, de ver fugir esse pouco.
Enquanto aguardo a minha “fuga”, para alguns dias sem horários e horas a fio a trilhar uma rotina que é o pão nosso de cada dia.
Observo a noite a descer de mansinho, cobrindo as montanhas de um manto negro e encostado ao meu canto, de uma casa rodeada de vasos coloridos. Ouço música de uma radio local tão tradicional, que alegra a solidão da minha hospedaria.
Já todos se recolheram.
O cansaço de longos dias é notório e o silêncio é rei e senhor, de um local onde as aves, deixaram de se ouvir e aguardam nos ninhos aquecendo os filhotes. Até que o dia nasça de novo e, voltem com o chilrear admirável, lembrar-me que está na hora para voltar, para, onde horas antes derreado regressei.
Mas vou sonhar!
Sonhar com o dia do regresso (acho que sonho todos os dias) e, ter a certeza que: a praia me aguarda.
A nossa comida me agrada.
E os momentos, esses, serão novamente carinhosamente repetidos.