domingo, 27 de agosto de 2017

Pronto, foram-se os poucos Dias




 

Regressei embriagado pela nostalgia da partida, que denota sinais de um cansaço evidente.
O meu lugar, era logo no bico do avião e pela primeira vez, viajei tão pertinho da janela, que levei toda a viagem a contemplar a terra que sobrevoava.
O avião levantou e enquanto ganhava altitude, via as praias que tanto conheço. E as autoestradas que percorro em viagens, que me levam ao Porto em anos de vida cá e lá, mas mais, quando habitava por lá
O mar tão azul, num dia magnífico e tão bonito. Recordava-me que um dia antes, mergulhava nas suas águas, para amolecer um pouco a angústia de ter que voltar horas depois.
E depois de algumas horas, que formaram dois dias. Já estou de novo a escavar a terra prometida, até que o Natal se aproxime e me leve ao aguardado destino.
Entretanto, o avião rasgava o branco das poucas nuvens e atingia uma altitude que normalmente, já não dava para ver algo. Mas, devido ao dia tão belo e limpo, me oferecia a beleza de ver, as casas enlaçadas umas nas outras. Barragens que formavam enormes lagos. Libertando só, uma mão cheia de água, para encher e matar a sede à vida, que o rio serpenteava.
Estradas ondulando as montanhas. Dando a sensação de caminhos de cabras, para levar ao encontro terras, outrora distantes.
E quando aterrei, senti a terra tão perto dos meus pés que me apeteceu saltar de braços bem abertos para abençoar meia Europa, que ainda me dá as boas vindas!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O robalo Corcunda




Todos o olhavam!
Era um aglomerado de pessoas admiradas, tirando fotos e tocando ao de leve, na corcunda do robalo e ele, permanecia no caixote de plástico, esperando um milagre, de ao menos, agora apanhado nas redes que tantas vezes evitou e bem morto. O levarem para um grelhado como aos irmãos, já ensacados.
Ninguém o comprou!
A deficiência é universal.
Mas confesso nunca vi nada igual.
Será a isca para nova pescaria. Ou mesmo petisco, para as gaivotas esfomeadas.

sábado, 12 de agosto de 2017

Duas Vidas




Estou de partida, para uma breve chegada, à minha outra vida!
Longos dias, imensas horas. Retiveram-me bem longe da outra vida.
Uma vida de trabalho.
De stress dissimulado.
 De angústia acumulada.
 De proventos necessários, para um futuro que o destino comanda.
Duas vidas numa só!
Duas vivências tão diferentes, como exigentes.
Como necessárias. Como a sociedade as moldou!
Por momentos as afasto, num regresso breve e ansiado!
Deixo uma, no aparato da rotina incessante e volto para a outra. Transformando a saudade e a adrenalina, nos suspiros da minha continuada vitamina.
Duas vidas, num percurso já longo!
Uma, transforma o corpo carregado de tatuagens pigmentadas a dor.
Outra, alivia-lhe as mazelas e faz bater o coração num ritmo de saúde e amor

domingo, 6 de agosto de 2017

A noite muda o Tempo




A noite foi inundada de trovões que iluminavam o céu, tão negro como o carvão submerso.
É a última semana que cá passo. Já que na próxima, estarei a matar as saudades do que me espera.
É uma manhã bem calma, para descansar e olhar os próximos dias, como os últimos. E a ansiedade, é como a dum menino, a esperar que a escola termine e pousar os livros que tanto peso me fez carregar.
Estou na varanda, onde deixo que o meu pensamento trepe as ingremes montanhas. Levando-me ao cume das mesmas e me retenha lá por horas, para contemplar a vista maravilhosa, que este local oferece, como uma dádiva da Natureza.
Mas a manhã obrigou a agasalhar o corpo, porque a temperatura desceu como o tempo por aqui.
Por vezes o sol aquece em demasia e o calor torna-se insuportável. E de seguida, aparece as nuvens negras vindas como papões para assustar os mais desprevenidos. E não tarda, é tempestade pela certa.
 O vento aparece do nada e, num ápice as arvores são derrubadas.
Os telhados arrancados e lançados, vários metros pelos campos.
Os vasos com flores belíssimas e coloridas, que enfeitam as varandas. São quebrados e em dezenas de fragmentos, espalham-se pelos passeios asseados e pelos jardins tão cuidados.
E acordamos com um rasto de tristeza e de um silêncio confuso, onde até as aves deixam de lançar, os seus cânticos artísticos.
O Verão por cá é muito oscilante. Tanto nos brinda com temperaturas altíssimas. Como num abrir e fechar de olhos, descem uns quinze graus a ameaçar gripes.
Já imagino o Inverno que me aguarda.
Mas o mais apetecível e desejoso é, o passar do resto dos dias. Para finalmente regressar ao meu país, plantado à beira-mar. E saborear as praias e a gastronomia, que só mastigam por cá saudades e recordações diárias.
A chuva cai como deus a dá!
Ouvem-se os trovões ao longe, rumando daqui a nada, bem por cima dos telhados, a rosnar como monstros enjaulados.
Vai ser uma tarde de portas fechadas, a falar para os botões e a esperar que a noite desça, para iniciar a ultima semana.
É só esperar que o Sábado (Sammstag) chegue e lá vou bem por cima das montanhas.













terça-feira, 1 de agosto de 2017

Adoro o meu povo


Férias!
Os portugueses babam-se todos, por estenderem a toalha tão longe de casa, pensando que a areia da praia bem longe, lhes vai idolatrar o corpo.
Uns dias bem longe da cidade que durante, o ano fartam-se de calcorrear. Oferecem-lhe as energias para continuar a matraquear os caminhos da rotina.
É dar um olhar e, estão os portugueses a encher o Algarve como o paraíso para a felicidade por uns dias.
Vai-se o subsídio.
 Vai-se os tostões, guardados nos bancos que nada oferecem e a tudo cobram. E no final nem querem fazer as contas, porque o bronze algarvio, merece o esforço financeiro despendido.
Adoro o meu povo!
Faz das tripas coração, para viver uns dias como rei e senhor da terra. E de malas e bagagens, entopem as portagens rumo ao sul. Como se o sol, só nascesse por essas bandas.
Foram-se os tempos de o Algarve ser uma colónia balnear dos europeus endinheirados.
Trocar a sua moeda em escudos, era a certeza de ter férias mais baratas, que uns dias por terras de sua Majestade.
Por isso, permaneciam no Algarve até que o corpo se manchasse de escuro e da boa vida, se cansasse.
Veio o Euro!
E a maioria fizeram contas à vida e por igual quantia, rumaram para outras paragens. Deixando o Algarve à mercê dos portugueses, vindo do norte e centro. Agora recebidos como os salvadores da economia algarvia.
Entretanto chegam os imigrantes a arrotar euros (por vezes emprestados) e petulância parolice.
Estacionam as grandes bombas, entupindo os passeios e de tangas chineses e tatuagens de lojas de garagem. Bebem minis, até arrotarem o pó armazenado durante meses a fio, a assentar muros das casas dos ricos europeus. Que pagam balelas, para erguerem os centros comerciais do futuro.
Por fim regressam com a lágrima no olho e na esperança dos familiares que cá permanecem. Passado um mês, mandar o máximo do dinheiro ganho, para fazer face, à dura vida, que este país resolveu já à longos anos brindar a maioria dos portugueses.

domingo, 23 de julho de 2017

A Cumplicidade faz nascer a nossa História



Os amigos nascem com os nossos desejos!
Por isso, o desejo de nos mantermos unidos. Será com o passar dos dias, infinito!
E ao mantermo-nos unidos, surge a cumplicidade das nossas privacidades e partilhamos coisas muito pessoais. Embora, o meu conceito de cumplicidade, seja diferente do dela no momento!
Cada um, adopta a sua cumplicidade, ao seu modo de vida.
Sendo uma amiga, de partilhar cumplicidade ainda hoje difícil de traduzir em gostar, ou amar.
Como a dois, podemos definir o que é a cumplicidade afinal?
- É amor!
Comecei por dizer, já com longos dias a batalhar para chegar a essa conclusão!
- É amor, ou é paixão?
 Diz-me ela do alto da sua maturidade!
Perante o meu silêncio de segundos, mas que pelo momento se transforma em vários minutos. Atinge-me num suspiro.
- Em que ficamos?
Respondo já excitado pela adrenalina postada.
- Penso que estão associadas. No sentido do que o teu coração palpitar.
Ainda não tinha recuperado, de recuperar, os níveis respiratórios para o normal, já ela me confrontava.
- Diz-me: Se a cumplicidade está associada ao amor e á paixão. E nunca mostrei a intimidade desta forma a ninguém. O que sinto afinal por ti?
- Porra, para a mulher!
Tão difícil mas tão desejada.
- A cumplicidade faz nascer a nossa história!
Rematei no último suspiro, já seco de adjectivos.
-Então que se inicie a história!
Terminou ela num momento, que ficará na nossa memória.