sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Nenhum Deles




No rescaldo das dolorosas tragédias, só descortinei, passar a brasa para os governantes que elegemos!
Uns, que de lá saíram, sacudiram a água do capote e com desfaçatez, conseguem alvitrar balelas, com moções de coisa nenhuma. Tentando renegar a sua responsabilidade, dos tempos
que assumiram essas mesmas funções.
O Primeiro-ministro falou ao País!
Nada de mais disse, do que já habituados estamos, a sentimentos e condolências, para inglês assistir e o país resistir.
Seguiu-se o Presidente!
Com assombros de consciência pelas vítimas das dolorosas tragédias. Com fartotes de beijos e abraços, lançando o repto para que os Deputados, decidam o melhor para o nosso destino!
Mas uma certeza, confirmei!
Nenhum deles, desde o Presidente ao Primeiro.
Passando por Deputados e especialistas na matéria.
Nenhum deles!
Conseguiu prometer, que tudo iria fazer, para acabar com este terrorismo do diabo. Aberto em enormes labaredas, que reduz a cinzas, a vida de inocentes Portugueses.
Nenhum deles, anunciou sequer, tudo fazer, para enjaular os incendiários e deixar por terra os aviões dos mil milhões.
Nenhum deles, prometeu mobilizar os meios do País (força aérea, exército, reclusos, desempregados e mesmo o que resta do País), para que não volte a suceder tamanha dor, numa guerra que deixa sistematicamente, abrir sepulturas a cada Verão que nos assola.
É mesmo uma guerra!
A cada Verão estamos em guerra!
O terrorismo em forma do diabo, trepa pelas árvores da nossa floresta.
Causando tanto sofrimento. Imensa dor e, a cada ano que passa, esses terríveis sentimentos repartem-se de Norte a Sul, num suplicio sem fim há vista!
Temos que fazer, da nossa fraqueza a força. Para sermos nós a terminar com este autêntico terrorismo, que a cada Verão nos bate à porta!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Como Pode




Dói, dói imenso! Voltar a assistir ao mesmo.
Mais mortes encontradas, pelos penhascos carbonizados e pelas bermas das estradas.
Tanta dor estampada. Tanto sofrimento espalhado!
Como pode, num país Europeu. Voltar a repetir-se, a angustia da dor e a morte de seres humanos, pelas labaredas ateadas, pelas mãos de semelhantes.
Como pode um país, a cada ano que passa, viver o mesmo drama, como se fosse desígnio de Deus, a cada Verão que nos alcança.
Hoje terminei o trabalho, eram dezoito horas e os termómetros marcavam 25º!
Podem dizer climas diferentes!
Mas a mentalidade completamente omnipresente. Na preservação do meio ambiente.
Isto num país, que por esta altura já me obrigava, a samarras aconchegadas.
E é tão belo presenciar, a Natureza esverdeada.
Como pode, estar tão longe das minhas origens e viver pelas televisões. O drama de Portugal, que se repete, como se nos catalogassem, incapazes para minorar, a praga que há longos anos nos ameaça!
Como pode!
Existir a morte, como algo de normal acontecesse, ateada por mãos assassinas, que nos levam a equiparar, a autêntico terrorismo!
Estou desolado, pela dor e sofrimento, de quem desta vez, não conseguiu fugir ao “destino”!

  

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Num areal Imenso





Desci o passadiço, já com a madeira a roncar de tanto serviço.
O declive obrigava-me a precaver-me e agarrado à corda inchada, devido ás intempéries das marés vivas, esperava por ti para descermos até à praia.
Tentei dar-te a mão, mas ainda levava breves momentos que nos conhecíamos, por isso refreei a minha ajuda.
Sentei-me no último degrau para descalçar os sapatos de pano azul com cordões castanhos. E logo senti, o conforto da areia macia, nos meus pés gretados, de tanto descuido.
O mar estava calmíssimo e cada onda, de tão pequena, só esborrachava a espuma no meu calcanhar.
Por momentos isolei-me. Por momentos fiquei só com o mar!
Por momentos senti-te. Por momentos, olhei o teu cabelo esvoaçar.
Eu tomei a dianteira e com um gesto, indiquei que me seguisses.
Reparei que seguias os meus passos bem vincados na areia húmida e, vi que o teu pé, entrava na minha pegada.
Caminhamos largos minutos.
Olhava para trás e sentia o teu sorriso. Enquanto ficavas especada a dois passos de mim.
 Mandavas-me continuar, fazendo gestos com a mão, para que o mar não destruísse o meu caminho.
O pouco vento que se fazia sentir, colava as tuas vestes ao corpo e salientava a beleza do teu peito.
 Então, comecei a encurtar a distância. 
Um passo agora, outro passo com demora. Para sentir-te perto de mim.
Senti sem olhar para trás, que fazias o mesmo e a distância era igual.
Não te aproximavas de mim e eu carente do teu perfume natural, que me fez deslocar de tão longe para a realidade, ansiosamente aguardada.
 Nisto, o silêncio imperou e até o mar recuou.
Olhei para trás e contei vinte e duas pegadas intactas. Desta vez era eu que as pisava.
Tinhas desaparecido!
Como era possível, num areal imenso e vazio.

domingo, 8 de outubro de 2017

Um silêncio Imenso




Não se ouve um ruído, não se ouve uma viva alma!
Nada se ouve, a não ser o bater suave, do meu coração.
Um silêncio imenso!
Uma paz tranquila.
As pessoas resguardam-se no quente das suas casas, porque o frio, já infelizmente, se sente.
É um Domingo cinzento, decorado com a folha caída nas proteções feitas de cedros, que dividem os vizinhos.
Estou num entra e sai!
Do jardim para a sala, fumando uns cigarros e virando logo, para o agasalho.
A neve já estende o seu branco, pelas montanhas mais altas.
Não tarda, tudo será coberto pelo manto imaculado que maravilha quem por cá visita.
E mantém dentro do hábito, o povo já de braço dado.
Refugio-me nas emoções recentes, que me levarão dentro de algum tempo, a conhecer uma realidade desafiante.
É esta a minha vida!
Cada dia um desafio.
Cada momento, a procura de transformar as emoções, em realidades, que alimentam o meu destino.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Sorrir



Necessito de algo novo!
Algo que me faça sorrir. Sorrir como um menino.
Sorrir, como quando tomava o meu mundo.
Vou conquistar!
Estou a arriscar tudo. No que me vai fazer sorrir.
Senão, perco a vontade de sorrir, como quando era miúdo!
Sorrir para a realidade, que se esconde nos sonhos das insónias sem horas.
Sorrir mesmo para as montanhas, que são testemunhas das minhas preces, que me percorrem as entranhas
Sorrir para mim próprio. Para me animar do ópio diário
Sorrir, mesmo sem sorrir. Para não perder essa vontade, que me elevou o espirito, quando tinha tantos sorrisos a rodear-me.
Sorrir!
É uma beleza infinita, que nos transforma o rosto e baloiça-nos a necessidade de amar.