sábado, 16 de dezembro de 2017

Da minha Varanda as Quatro Estações



Da Primavera, onde cheguei com uma mala cheia de ganas em vencer. Assisti ao despontar da beleza da vida, encolhida no fundo da terra. Ansiosa para colorir as paisagens, onde os meus olhos brilhavam com a maravilhosa tela farta de movimento.


Do Verão tão quente. O verde cobria a paisagem e milhares de seres vivos viviam numa algazarra para construir a sua descendência.
Era o esplendor da Natureza que me oferecia cada canto, para restaurar o meu descanso.



Do Outono, já ameaçando um frio glaciar. As árvores despiam-se como virgens na noite de núpcias e a Natureza tomava a forma mascarada de folguedos brancos pelo meio do castanho escuro, que trazia a noite mais cedo do que o costume.


Do Inverno, duro como a rocha e de uma beleza branca imaculada.
O frio é constante que se infiltra como vírus esfomeados. Mas combato-o com o calor da madeira que a Natureza oferece de bandeja.


domingo, 3 de dezembro de 2017

Encontrei-me com Deus




Domingo tão frio e silencioso
Aventuro-me a dar um passo, caminhando pela neve já dura
O frio é terrível e em dois passos, já sinto o corpo todo arrepiado
Dirijo-me à capela num ritual solitário.
Abro a porta com o fecho de ferro mas não a fogo, dado que ao tocar-lhe a minha mão fica enregelada.
Entro naquele espaço, decorado com um altar lindíssimo, onde predomina Cristo.
Tem quatro bancos antes do gradeamento que divide a zona do altar.
Outros tantos, depois de se abrir a porta tipo rede em ferro, onde podemos estar tão perto do altar, que sentimos a fé, tocar-nos a alma.
Sinto-me bem!
 Por isso, pouco desejo para mim!
 Peço em três orações simples e diretas. Que o mundo se torne mais humano e que os meus meninos, sigam o caminho que Deus lhes indica a cada minuto.
Acendo uma vela para me iluminar o caminho e coloco a moeda na ranhura da caixinha em ferro.
Por fim abandono a capela e simplesmente sinto, que já não está tanto frio.
Fui aquecido pela graça divina.
Volto para o meu lar, ainda a manhã desperta a natureza enregelada na terra dura e nas montanhas pintadas de branco.
Encontrei-me com Deus, agradecendo-lhe com a luz da vida!

sábado, 25 de novembro de 2017

Longa noite




A noite foi tão longa, que o meu corpo se assustava com a iminência do toque malvado.
Despertou ainda ela esfregava os olhos e satisfeito, voltou-se para o lado quente, deixando-se adormecer de novo.
Como o hábito faz o caminho diário do trabalho, lá estava ele prontinho para saltar da cama, ainda antes de ouvir o som ruim.
Mas hoje não se ouviu nenhum som!
Só o vento abanava as entranhas de madeira e fazia balançar as já gastas portas maciças, que protegem os vidros naqueles dias, que nenhuma alma se atreve a por um pé lá fora.
E de novo se voltou para o lado. Desta vez, o lado que mostra todo o quarto. Apinhado de roupa escura que por momentos, formam imagens que tentam- me agarrar na penumbra.
Por fim o dia nasceu e a claridade rompeu!
Que maravilha sentir que a cama era minha. Sem horários para me arrastar pelo soalho, à procura da roupa espalhada.
Que delicia, sentir o corpo esticado tão leve como uma pluma, sem ferramentas duras que o martirizam. Nas trincheiras das máquinas longas e frias.
Que beleza, deixa-lo sonhar com a delicadeza do toque. Das princesas que fazem parte da minha história.
Por fim, já farto de tanta moleza, deitou os pés de fora e procurou o banho quente.
O fim-de-semana bateu à porta.
Era chegada a hora de procurar momentos, que o fizesse soltar-se como um adolescente. Na procura de fragmentos para atenuar, as saudades que não demoram a encontrar-se.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Já nem a sexta é Fim-de-Semana




Somos meia dúzia, onde nem vemos o dia!
Uns desistem, outros revoltam-se com o destino
Continuamos meia dúzia, porque uns vão, outros equipam-se
Uns, gritam como crianças, sem poder dar um passo para alcançar o banho
Outros, guilhotinam-se nos dentes da serra, deixando o sangue estatelado
Continuamos meia dúzia, mas por dias, somos só quatro a entrar onde deixamos um pouco de nós!
Quatro, que tudo fazem para que quatro, lutem por seis
E das dez horas programadas, carregamos no corpo. Onze, doze….
Recupera-se a meia dúzia, por entre gargalhadas em rostos amarelados
Cada dia que finda é um rosário de queixumes.
Só dá tempo para devorar o frango frito e emborcar uns copos de tinto
A cama é abençoada e não tarda, dormimos como meninos
Mas umas horas depois, entram todos na carrinha com os olhos ainda inchados
Já nem a sexta é fim-de-semana! O sábado é tão duro, como todos os dias da semana.
Por fim abraçamos a noite de sábado!
Deixamos de ser meia dúzia
Uns, aprisionam-se nos quartos. Matando saudades e aliviando as feridas
Outros, procuram desanuviar a tortura. Procurando as luzes da noite, para alongar o dia.
E não tarda, é Segunda-feira!
A roupa cheira a lavado, mas as nódoas negras, são como remendos recordados
E o dia não finda e a semana, ainda se inicia!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Tão longe e tão Sentido





Dia de lágrima exposta e recolhimento
Olhamos os retratos e vivemos recordações, que nos afloram a mente
Desejava ter-te junto a mim, para segredar-te os meus recentes momentos
Deus levou-te para o céu e de lá, és o anjo, que proteges o meu tempo!