domingo, 8 de abril de 2018

Só o meu Cérebro



Caminhei, caminhei!
Bem junto ao trilho, que sigo as montanhas.
Enormes!
 Agora limpas, da neve imensa que lhes cobriu de branco, autênticas virgens imaculadas que verdade se diga, nunca amortalharam até hoje, nenhum humano nas suas entranhas.
Jurei que as ultrapassava, afinal estão estatísticas.
Acelerava o passo, mas de nada valia. Eram monstros acastanhados que formam muralhas, em redor das cidades que se acotovelam em seu redor. As montanhas são infinitas!
Rendi-me à evidência e procurei admirar a sua beleza.
Vejo trilhos sinuosos, surgindo ingremes até ao cimo.
Vejo um restaurante no seu peito, obra de homens destemidos que levam até ao meio do céu, a maravilha de muitos, usufruírem da beleza infinita.
E ironicamente pensei: Quando fizer anos, irei lá almoçar com quem poderá lá chegar!
São duas horas de carro pelas costas da montanha, em terra batida, com a certeza de ter, muito para que os seus olhos brilhem.
No regresso, caminhei junto ao rio.
Tanta paz, tanto silêncio.
Que sentia o coração, no batimento do meu sossego.
E logo eu, que vinha do desassossego!
Perto de casa, ainda fui colocar uma vela na capela que protege quem cá vive.
Acolhendo de portas abertas, quem por algum tempo cá permanece!
Foram duas horas, de sol primaveril. E os campos, a abrirem-se no verde, ainda juvenil.
Só o meu cérebro, vivia mais intenso, que este paraíso!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

No pátio do Bar



Ao longo de meses, bem longe de ti. Pediste-me beijos para afagar a nossa distância.
“Beija-me, Beija-me”! Soluçavas como migalhas lançadas!
Beijos que se cruzavam com a nossa adrenalina do momento, quando confessávamos os nossos desejos.
Por vezes ignorava-o. Por vezes tanto os desejava.
Tão colados a mim, que entreabria os lábios para os receber. No enorme espaço que me acolhia e ficava estático sem os sentir.
Por fim chegou o momento de nos encontrarmos.
Um momento tão aguardado como os dias contados!
Senti logo, enorme vontade de te beijar!
Um sentimento já tão longínquo, que já tinha perdido o sabor.
Forcei um beijo em público. Olha o meu atrevimento, perante um local do teu acolhimento.
Forcei porque te olhei!
E um carinho espontâneo surgiu, logo que os nossos olhos se cruzaram, ainda nem as bebidas, eram a pausa, para por momentos despegar-nos.
Fizeste cara de “Olha o atrevimento”.
E os minutos avançaram, contigo a puxares conversa para acalmares as minhas preces.
E numa saída para um cigarro, trocamos três beijos meio entupidos. Forçados por mim, contigo a olhar para se alguém reparava.
Voltamos à mesa, ansioso por voltar ao cigarro.
E ele surgiu no pátio do bar.
Aí não houve tréguas. Entregamo-nos em beijos chuchudos.
E as nossas línguas, cruzaram os nossos sentimentos e beijamo-nos desta vez sem constrangimentos.
Se me lembro quem foi o primeiro a voltar à mesa do bar?
Impossível!
Só descobri o brilho no teu olhar e a sala a abarrotar!
Sinal de que era impensável voltar ao pátio. Sem perder a mesa com pessoas ansiosas, por copiar o nosso momento.
E quem não beija no pátio, beija na mesa. Mesmo com as pessoas encostadas às costas das nossas cadeiras.
Valeu o momento. Valeu o nosso desejo. Valeu por fim a nossa entrega num carinho que por vezes, era controverso.

terça-feira, 3 de abril de 2018

O mar como Despedida


Antes de partir fui ver o mar!
Furioso, revoltado. Destruía o que lhe surgia no caminho.
Enrolava a areia na fúria das suas ondas e jogava-a como detritos apodrecidos, de encontro ao betão do paredão.
O céu, negro como as lareiras que ainda salpicavam vestígios da quadra pascal. Assistia à sua fúria com vontade de desafio.
Não tardou em soltar uma tempestade repentina. Surpreendendo os poucos mirones, mais parecendo esquimós escondidos em agasalhos que só se viam os olhos.
Por momentos o céu desafiou o mar!
Fúria com fúria, num cenário apocalíptico que felizmente durou poucos minutos.
Não tardou que o céu se abrisse num azul manchado. E as gaivotas, voltaram em busca do alimento, que de tão raro nestas alturas. As demandam para as povoações vizinhas.

domingo, 18 de março de 2018

Um ano por montanhas a libertar Melodias


Um ano por estas paragens!
Longe de todos e tão perto de mim!
Nem sempre assim foi. O desafio era tremendo e a corda bamba estendia-se a céu aberto.
Esgravatava com as unhas o querer de singrar contra tudo e uns dias depois, indicaram-me o meu caminho. Neste poiso abrigado com as montanhas, a vigiar qualquer atentado às suas entranhas.
Um ano decorreu por entre elogios à nossa frota e trabalho árduo. Que alicerçou obra.
Hora de comemorar!
O ambiente fantástico. Decorado com paletes de madeira que lembravam o descarregar do material, para betonar as trincheiras.
Ampla sala, com dezenas de pessoas mostrando a alegria, de ter a noite por sua conta.
Mesas reservadas (também a nossa). Só assim, poderia, me envolver neste clima.
E com todo este cenário, nada melhor que a festa começar!
O homem da música, de voz rouca e a enganar com a garrafa de água. Iniciou o reportório musical. E a um pedido meu, colocou a minha banda preferida e abriu as hostes à gritaria.
Não tardou a merecer um drink e a cerveja foi escolhida.
Veio a costelinha com batata a murro, num molho apetitoso. Embrulhado em prata para conservar e aguentar o, farto-te da costela.
Veio a cerveja que aliviava a cantoria e as SMS enviadas, atenuavam um pouco o tremido de estar sozinho, embora acompanhado pelos amigos.
Tiram-se fotos para recordar. Desenrolando-se bate papos, de amores escondidos.
Acompanha-se o glorioso que joga bem perto da minha terra e com a chegada dos golos, a alegria aumenta e um bocejar de alívio, dá o mote para o descarregar da adrenalina.
A noite caminha com um rumo definido e o Sábado é sempre o mote para aproximar bons destinos.
Abrigamo-nos no bar já com sorrisos conhecidos e como o tempo resolveu correr todos da praça. Acotovelámo-nos uns aos outros, ouvindo conversas em tantas línguas, que travou a minha, sempre comprida.
E a noite se foi!
A cama foi o encontro final.
E que bem sabe, quando o dia só permite umas horas do seu prazer.

domingo, 11 de março de 2018

Isto é tão belo e Silencioso





Já sinto o chilrear da passarada!
Acordam-me ainda é tão cedo, que reviro-me na cama para saborear mais umas horas. Das poucas, que todos os dias a deixo, ainda o dia não nasceu.
A Primavera está tão perto que, a agitação da Natureza é fantástica!
A neve derreteu num abrir e fechar de olhos.
Os campos estão prontos para as sementeiras.
Os animais por fim, voltam a saborear os primeiros rebentos.
Saio para renovar os vícios da noite e encho os pulmões, da pureza que me rodeia.
O corpo manifesta-se embrulhado nos agasalhos, porque o clima ainda é tremelicante.
E dou a minha passeata, até que o frio me obrigue a dar meia volta.
Ao sair de casa, dou com a polícia de radar na mão, esperando que os mais distraídos, ultrapassem a velocidade estabelecida.
Escondem-se no barranco que conduz à minha casa e quando os desafortunados automobilistas se apercebem, já é tarde para desculpas.
Dois catraios brincam numa alegria desenfreada e embalados pela trotinete e pelos patins. Percorrem o espaço da sua casa, só parando na berma da estrada.
Saúdam-me alegremente com os rostos avermelhados e voltam a serpentear os canteiros da bela vivenda.
Já perto de casa, paro um pouco no regato que seca pelo Verão e lanço uma folha ainda húmida pelo tempo que faz.
 Vejo-a a boiar pelo que a vista alcança, rumo ao braço de rio que nasce nas montanhas gigantes e vai de encontro ao caudal enorme, que rasga a cidade ao meio. Vindo já de países distantes.
É hora de mais um café e como já sinto a balburdia da casa a despertar a rotina diária, vou preparar o almoço com gosto.
Isto é tão belo e silencioso, que a Paz que tanta gente procura, está plantada neste paraíso!