domingo, 3 de fevereiro de 2019

Custa-me


Estou só neste quarto quentinho. Já que lá fora está tudo branquinho!
Não para de nevar e mesmo neste quentinho, sinto-me só!
Refugio-me na música e as horas vão passando, para que o dia se vá e traga mais uma semana, encurtando a chegada para abraçar a saudade.
É terrível, é de uma dor que de tão mediana com o tempo, corrói até a alma.
Agora custa-me estar cá!
Agora,  que adquiri a minha liberdade e cimenteia na direcção do amor. Custa-me sentir o silêncio!
Custa-me sentir a madeira ranger do vento agreste e não ter o carinho e o amor da princesa, que povoa o nosso ninho. Agora, sem parte do nosso amor.
Custa-me enfrentar este meu destino ( que é o paraíso, para quem até agora vivia para encontrar a aurora). Já que alcancei o apogeu do bem estar, que Deus me ofereceu!
Claro, que são as lamechices do costume!
Choro com a barriga cheia. Tenho o que meio mundo anseia.
Mesmo longe, tenho uma parte que me realiza.
Perto, tenho o coração em alegria!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O céu não é Infinito



Vivi momentos, que só por momentos, a vida nos oferece numa oportunidade!
Entreguei-me sequioso ao desafio de uma noite, que sempre penso, como sendo a última e nesse pensamento. Percorro as entranhas de um ser como a certeza, de ter alcançado, o que nasceu comigo e que como tão evidente que era. Me era sistematicamente negado.
De uma noite, contei outras mais.
Todas enfeitadas com lamparinas em redor do nosso espaço.
Os nossos corpos embrulhavam-se de tal forma, que as paredes brancas esculpiram a nossa sombra, de uma beleza de autêntica realeza.
Do sonho à realidade, saltei de uma noite, para noites que galgaram os dias.
E enquanto as lamparinas não extinguissem a luz, que projetavam as nossas sombras para sempre nas paredes do teu ninho.
Dávamos voz aos nossos corpos, para se transformarem num novelo  esfrangalhado, tal a ânsia em serem amados.
Quando a luz do dia, abriu-nos os olhos pesados de amor. Demo-nos conta de que já muito céu nos afastava.
Mas como o céu não é infinito. Prometemos um ao outro, que o atravessavamos de uma ponta a outra.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Momentos tão Recentes


Terminei o jantar!
Costeletão, só com sal.
Arroz de miúdos solto e para acompanhar um vinho Francês.
Maçã e banana como sobremesa, com sotaque espanhol e café com cheirinho para fazer sorrir!
Enquanto saboreava a refeição, lembrei-me dos nossos momentos!
Como é maravilhoso lembrar-nos de momentos tão recentes.
Onde a beleza de palavras, gestos e sorrisos. Encantaram o espaço que nos envolvia.
Estar longe, bem longe. Oferece-me a felicidade de sentir o que tempos recentes atrás, vivi-os, com a felicidade de um menino!
É a adrenalina da vida!
Longe e constantemente sentir,  em determinados afazeres do quotidiano, a felicidade de me entregarem o seu amor,  tão estampado!

sábado, 19 de janeiro de 2019

Desapareceram os buracos



Por vezes o vazio que nos rodeia, num ambiente desconhecido. Ergue-nos do marasmo que vivemos durante anos comandados pela grandeza, de quem nos considerava uma fraqueza.
E de fraco que nos apelidam, partimos sem rumo. Pensando (ainda pensamos), que aconteça o que acontecer, é só mais um buraco para nos escondermos.
De buraco em buraco, cavamos a própria sepultura que nos esconderá para sempre,
pondo fim a um inferno que nos perseguia. Juntando-se ao ar que respiravamos e como tal, uma perseguição infinita.
Por incrível que pareça, o tempo vai passando e o nosso caminho, aparece já sem buracos.
A força interior que surge bem do fundo das nossas entranhas e, que nunca imaginamos pudesse existir. Vai-se soltando e a pouco e pouco, tapa os buracos que a nossa consciência abriu para nos sepultar.
Sentimos que sorrimos às coisas simples.
Sentimos que a cada passo dado, num caminho alisado pela inteligência que não julgávamos possuir. Leva-nos a momentos que a medo (ainda), avaliamos de felicidade!
Com o decorrer dos dias, já salpicados de euforias desmedidas e sensações amplamente positivas. Surge a certeza, de já termos a certeza, do que desejamos!
Já pensamos com clareza.
Já trabalhos com optimismo.
Já amamos sem secretismo.
E nada mais resta do que, oferecer tudo o que o nosso coração bombeia.
E nem fazemos ideia, da quantidade de emoções que navegam no nosso sangue.
Pelo meio, oferecemos num gesto tão simples, as duas mãos.
Uma para passearmos 
Outra para nos acarinhar.
E as duas juntas, abraçam-nos em qualquer lugar.
Assim o amor voltou a reinar!

domingo, 13 de janeiro de 2019

Partilhamos



Libertei- me por uns dias da obrigação profissional e embrenhei-me no encanto de uma sereia, apostada a viver um amor terrestre natalício.
Já tinha saboreado um pouco das algas que abrilhantavam o seu corpo. Mas inspirar o amor angélico no ninho celeste. Levou-me ao paraíso infinito, onde o homem só chega como predestinado.
Não tenho capacidade para descrever a pureza de longos momentos, em poucos dias de férias.
Se existe amor verdadeiro, que ultrapassa a imaginação humana, esse surgiu no meu encantado caminho.
A noite chegava e o nosso amor principiava.
A madrugada silenciava a calçada. E o nosso amor, soltava-se em sílabas adocicadas
O dia rompia gelado. E o nosso amor transpirava de uma fragrância até agora desconhecida, para produzir o perfume mais puro que nos encantava.
Erguiamo-nos de um ninho, salpicado de divinos instintos e soltavamos os nossos sorrisos, logo que a porta nos levava a sentir o sol de inverno.
E percorremos  o resto do dia loucamente felizes. Que sabíamos onde encontrar o destino, para libertarmos uma vez mais o amor. Introduzindo-o no nosso destino.
Partilhamos prendas que o nosso corpo desejava.
Partilhamos oferendas que o nosso coração comandava.
Partilhamos a nossa vida e incluiamos a vida dos nossos rebentos.
Só ainda não partilhamos o nosso destino!
Já que cada um permaneceu por agora no seu ritmo ainda temido!
Por agora, por agora!
Para um dia,  nos abraçarmos sem despedidas.


domingo, 9 de dezembro de 2018

A chuva



A chuva resolveu envolver o meu domingo, do início ao seu final!
Pensei em passear.
Pensei em sentir as ervas altas no correr do meu caminho. Passando a mão pelo seu pico, sentindo o sabor da agradável comichão.
Mas a desagradável chuva, tolheu os meus desejos.
Dentro deste quarto, que guarda os meus segredos. Sinto, olhando pelo janela, que me oferece estes caminhos sem fim. A vontade de amar!!
Amar sem fim!
Amar até à exaustão do meu corpo, do meu espírito.
Amar do tamanho destas montanhas,  pingando gotas da chuva que escorrem pelos íngremes caminhos, que nem as cabras selvagens se aprestam para os desafiar.
Amar do tamanho da distância que me separa do ninho, tão longe que a palha que ele foi construído. Foi entrelaçada por anos de sonhos finalmente conseguidos.
Vai domingo, encharcado e acinzentado.
Trás o próximo que mesmo que venha com a mesma cara, não vai negar que será o último neste ano, que foi a certeza de amar como nasceu a Natureza!

sábado, 8 de dezembro de 2018

A vida é tão esperta que nos Enrola


A vida é tão esperta, que nos enrola na nossa medíocridade.
Desabafamos, mendigamos.
Fazemo-nos de fortes quando uma nesga de boa aventurança, nos assume um pouco a nossa liderança.
E enchemos de ar os pulmões. Cientes que iremos morrer, quando a pele se descascar do nosso corpo, quase em decomposição.
Batemos palmas colando as mãos perante a eterna velhice, porque no nosso consciente, vivemos mais do que merecíamos. E mais do que os nossos vizinhos e amigos.
Pobre de nós que nos elevamos no apego do próximo, porque se deixou levar pelo, "vou viver tudo hoje, já que posso morrer amanhã". E o amanhã, é tão longo que desespera mesmo quem nem por sombras sonhou, com o martírio do desconforto!
Por isso no Natal, aflora-nos uns momentos de elevada alegria e felicidade incontida!
Lembramo-nos dos mendigos.
Aconchegamos os doentes com destino traçado.
E oferecemos prendas, mesmo aqueles que durante o ano, nem em sombras nos encontramos.
A vida é tão esperta que nos enrola!
Já nos domina, no eleger em quem nos engana a olhos vistos.
Já nos encaminha para a rotina que nos envelhece dia a dia.
Até nos rouba o amor, que nos surge, nuns laivos  de amor à primeira vista. Que pensávamos só existir no tempo, que o coração era só  possuído,   pelo calor da nossa alma.