sábado, 4 de abril de 2020
A máscara
Levantei-me, depois de ultrapassar a hora do despertador.
Que suavidade de espírito sentir que o fim-de- semana chegou, para me esticar ao comprido.
Ainda a manhã deixava as ruas desertas já eu caminhava para as compras da semana que me defendem da semana: casa, trabalho. Que evitam respirações malévolas.
Entrei no SPAR, hiper cá da cidade e logo uma funcionária me ofereceu a máscara para percorrer as prateleiras do meu consumo, num protege e és protegido!
Antes um funcionário, passava álcool nos carros que acabaram de ser usados e são resguardados para quem chega.
Raio de vírus, que afastas- te, a alegria do mano a mano diário!
Terminaram os sorrisos de boas vindas.
Findaram as saudações de quem é bem vindo.
E afastaram simétricamente desenhadas na tijoleira da superfície.
As pessoas que trocavam alegres frases enquanto na fila aguardavam pela vez de ao chegar ao caixa e sentirem o sorriso da menina com o cabelo pintado como um arco íris. Agora amortalhado pela máscara obrigatória.
Estamos no pico da pandemia!
Estamos no pico de tudo ser feito para aniquilar este demónio!
Estamos no pico de sentirmos que somos inteligentes para cumprir as normas e logo logo. Voltarmos a retirar a máscara e sorrirmos para o céu azul e para os nossos queridos!
Tenho fé, tenho fezada, tenho a certeza. Que ainda as barracas do sector 2 da praia que me acolheu ainda nem um passa dava. Me vão acolher de calçado de banho e toalha!
sexta-feira, 13 de março de 2020
Cronovirus19
Nasci na graça do senhor, como dizia a minha avó, na década de sessenta já nos seus últimos anos.
A Europa vivia a luta pela liberdade e o mundo lutava pela igualdade.
E tudo isto passei, por entre fraldas presas ao alfinete de larga cabeça e, aprendendo dando dois passos, preparando-me para enfrentar o mundo.
Veio o vinte e cinco de abril e ainda só rasgava os joelhos depois das calças desmembradas, nas jogatanas da bola. Essa a minha preocupação, mal sabendo que o meu país cantava em euforia, o feito de conquistar, a liberdade e a glória!
Aumentei de peso e idade e por mero acaso, ouvia que o mundo vivia o flagelo da droga e que ela podia estar ao pé da porta.
Aguentava as tareias da mãe e isso já era dor suficiente para me preocupar da dor do mundo, que me rodeava.
Casei, já de braços dados pelo rebento prestes a nascer, numa época que saltei a fronteira da vila que me viu nascer e pousei num país que me viu a sonhar por ele.
Um sonho por fim tornado realidade.
Quando ouvi bocas a decifrar frases numa língua que não estava habituado
A família cresceu, a vida corria como os ribeiros. Ora com muita, ora com pouca água dependendo das tempestades sazonais do psíquico humano.
A família desmembrou-se, fruto da crise social mundial, e humana entre portas. E num flach momentâneo, encontrei-me tão só no mundo que, fugi para consquistar novo mundo!
Saltei fronteiras, estilhacei lágrimas revoltadas de encontro ao rosto recequido.
E entrei em meio século de vida, ciente que em muitos casos, a sacana da vida tinha sido bem madrasta.
Mas tinha uma vida pela frente, onde só eu mandava em mim.
Pensei que conquistei os meus sonhos ao deixar a minha freguesia desde que nasci, trocando-a pela paredes meias, que em dois passos transponho. E assim viveria o resto dos meus longos anos.
Mas qual o espanto?
Ainda tinha que sobrar para mim a pandemia do início do novo milénio e o mundo já desepera numa quarentena alarmante. Que já mata gente nos quatro cantos do mundo. Como formigas calcadas por pés humanos famintos, por encher os lares de papel higiénico para isolar!
Eis o cronovirus19!!!
A Europa vivia a luta pela liberdade e o mundo lutava pela igualdade.
E tudo isto passei, por entre fraldas presas ao alfinete de larga cabeça e, aprendendo dando dois passos, preparando-me para enfrentar o mundo.
Veio o vinte e cinco de abril e ainda só rasgava os joelhos depois das calças desmembradas, nas jogatanas da bola. Essa a minha preocupação, mal sabendo que o meu país cantava em euforia, o feito de conquistar, a liberdade e a glória!
Aumentei de peso e idade e por mero acaso, ouvia que o mundo vivia o flagelo da droga e que ela podia estar ao pé da porta.
Aguentava as tareias da mãe e isso já era dor suficiente para me preocupar da dor do mundo, que me rodeava.
Casei, já de braços dados pelo rebento prestes a nascer, numa época que saltei a fronteira da vila que me viu nascer e pousei num país que me viu a sonhar por ele.
Um sonho por fim tornado realidade.
Quando ouvi bocas a decifrar frases numa língua que não estava habituado
A família cresceu, a vida corria como os ribeiros. Ora com muita, ora com pouca água dependendo das tempestades sazonais do psíquico humano.
A família desmembrou-se, fruto da crise social mundial, e humana entre portas. E num flach momentâneo, encontrei-me tão só no mundo que, fugi para consquistar novo mundo!
Saltei fronteiras, estilhacei lágrimas revoltadas de encontro ao rosto recequido.
E entrei em meio século de vida, ciente que em muitos casos, a sacana da vida tinha sido bem madrasta.
Mas tinha uma vida pela frente, onde só eu mandava em mim.
Pensei que conquistei os meus sonhos ao deixar a minha freguesia desde que nasci, trocando-a pela paredes meias, que em dois passos transponho. E assim viveria o resto dos meus longos anos.
Mas qual o espanto?
Ainda tinha que sobrar para mim a pandemia do início do novo milénio e o mundo já desepera numa quarentena alarmante. Que já mata gente nos quatro cantos do mundo. Como formigas calcadas por pés humanos famintos, por encher os lares de papel higiénico para isolar!
Eis o cronovirus19!!!
sábado, 7 de março de 2020
Do céu ao Inferno
Da glória, ao fora!
Um clube é o espelho dos seus apoiantes.
Um clube é grandioso pelo apoio das suas massas.
Um clube tem a obrigação de lutar pelos louros conquistados.
Um clube tem a obrigação de idolatrar, como afastar. Quem viveu um conto de fadas.
Um clube tem de viver ao lado dos seus adeptos e levantar a bandeira da vitória.
Um clube não se pode arrastar pelos relvados depois, de se distanciar no caminho da vitória.
Um clube que arrasta multidões não pode deixar fugir por entre os dedos o suor de conquistas que tantas alegrias ofereceu.
A vida são derrotas e vitórias. Mas subindo o pedestral da glória, são se pode deixar cair na ribanceira da incrível, inimaginável, tão recente derrota!
Fora, antes que a crença na vitória demore anos de insónias!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
De novo a Retoma
Depois de dois meses voltei a deixar o meu país e regressar a uma Áustria, que se torna terrível a cada viagem que para lá me leva.
Os dias que a antecede, são dias dolorosos com lágrimas contraidas para não derramar a nostalgia e a ansiedade escondida.
São horas infinitas com desenhos no cérebro sem nexo, a mascarar o momento.
Parti à uns anos sem rumo. Procurando o meu EU, na penumbra de outro país.
Hoje encontrei-me com os meus sonhos e agarrei outro lar.
Deixar esse lar está a custar muito mais do que conquisto.
Porque esse lar tem amor!
Possui os sorrisos que me tornam por vezes menino.
Liberta o perfume da pureza já tão difícil de sentir.
E oferece-me a paz e o sossego, que tanto pedi para alcançar.
Alcansei a idade de merecer pelo que lutava. Por isso tenho que viver dia a dia, para sentir os carinhos iluminados que nestes dias, a cada hora, se soltavam em cada canto do lar.
São escalas de aeroporto em aeroporto. Que tornam ainda mais fatigante a ansiedade a ser ultrapassada.
São horas a ver o céu igual ao que povoa o meu lar, mas a levar-me para outro lugar.
E já ultrapassou dois mil quinhentos dias que a Europa me acolheu para fortalecer a sua economia.
Sinto que tenho que terminar, com o estar longe, que me retira do tão perto.
Sinto tanto isso, que já me escondo no escuro das portadas em grossa madeira, para que o dia se vá e, só volte com outro dia.
Assim, mais rápido estou onde sinto que renasci!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Vale Tudo
O futebol em Portugal é uma adrenalina perigosíssima!
Os adeptos não têm a menor ideia com que armas se tenta vencer.
Vale tudo!
Vale o enforcamento de espantalhos com cores do inimigo e derrubar instalações das casas bem perto do palco onde vai rolar a bola.
Vale uma vitória como se fosse a glória, quando foram só três pontos a encurtar a distância para quatro.
Vale soltar dentes numa mocada que nem suavemente foi sancionada.
Veio depois a gritaria por um segundo amarelo que daria a expulsão, do homem em questão.
E os dentes ficaram no relvado já enterrados, pelas botas da sofreguidão.
Vale um penalty, antes de um empurrão claro como as luzes da torre bem próximo.
Vale o golo na própria baliza num momento difícil para ditar o resultado final.
Vale o abraço ao quarto árbitro, quem sabe trocado na emoção do abraço, ao que, de direito teria dedicação.
Vale o encurtar do resultado, para que emoção no resultado prevaleça até final!
Vale o que não trouxe resultados. Três potentes avançados, para empatar o resultado.
Vale a alegria estampada nos rostos dos dragões aliviados que irão ter campeonato até que os encarnados escorregam num clube a cair para o abismo.
Vale o que se esconde por dentro!
A louca máfia do futebol, que faz esquecer os graves problemas de um país. Que consegue ter um futebol a abarrotar de barris de pólvora e euros sem fim!
Vale o que não deveria valer!!!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
O mar e as fanecas
Finalmente fui ver o mar!
Calmo e sereno. Com um punhado de pescadores a aproveitar a subida lenta da maré, para sacar uns peixes que regressam ao conforto dos penedos na busca da bucha para o seu crescimento.
Eles lançam, eles recolhem e nada na bucha dos seus anzois.
Caminhei um pouco, agora que recupero da cirurgia dolorosa.
Longos dias fechado. Longos dias sem respirar o ar que expulsa o sabor cirúrgico. Foi agradável, sentir o ar marítimo e o iodo como brisa.
Foram poucos minutos. Foram longos momentos que o meu corpo sentiu a calma tarde num trajeto tão querido.
Regressei já com dores. Normal dizem os entendidos e que ainda me espera muitos mais, numa recuperação demorada.
Mas o sorriso voltou!
Estou amparado por uma alma bendita. Que tudo me oferece, esquecendo tempos que me via só, tão longe e tão perto.
Tanto amor que envergonha meu espírito, de tanto oferecer e a nada receber!
Nisto olhando as bancas do peixe que durante a manhã foi recolhido pelos habituais consumidores, reparei nas fanecas gorduchas que me agitaram o estômago para uma ceia de desejos.
Calmo e sereno. Com um punhado de pescadores a aproveitar a subida lenta da maré, para sacar uns peixes que regressam ao conforto dos penedos na busca da bucha para o seu crescimento.
Eles lançam, eles recolhem e nada na bucha dos seus anzois.
Caminhei um pouco, agora que recupero da cirurgia dolorosa.
Longos dias fechado. Longos dias sem respirar o ar que expulsa o sabor cirúrgico. Foi agradável, sentir o ar marítimo e o iodo como brisa.
Foram poucos minutos. Foram longos momentos que o meu corpo sentiu a calma tarde num trajeto tão querido.
Regressei já com dores. Normal dizem os entendidos e que ainda me espera muitos mais, numa recuperação demorada.
Mas o sorriso voltou!
Estou amparado por uma alma bendita. Que tudo me oferece, esquecendo tempos que me via só, tão longe e tão perto.
Tanto amor que envergonha meu espírito, de tanto oferecer e a nada receber!
Nisto olhando as bancas do peixe que durante a manhã foi recolhido pelos habituais consumidores, reparei nas fanecas gorduchas que me agitaram o estômago para uma ceia de desejos.
domingo, 10 de novembro de 2019
Descarregamos emoções
Acordei ainda atordoado pela noite mascarada de descargas de tensão, de uma semana agitada.
Vivemos juntos numa tarefa em melhorar a nossa vida tão longe da saudade. Como tão perto de assegurar, o futuro de quem mais amamos.
E o fim de semana é fértil em transformar o stress diário de tantas horas enjaulado em, partículas que entopem as narinas e mossas, que desfiguram os nossos corpos.
Em cérebros agitados por líquidos que fazem rir em minutos e repastos assados demasiado. Que perfumam os cantos de toda a casa.
São momentos por vezes ilariantes!
Confessam-se as desilusões da vida, que deviam ser fechados a sete chaves, porque é a íntima história da vida de cada um.
Outros, ávidos por saberem dos outros, o mesmo que se passa com eles. Consolam-se em sentir, que existe alguém sentindo o mesmo e é o alívio de continuar a vidinha no mesmo rumo, que até aqui.
Sobram os que surpreendem sem destinguirmos se, pela positiva ou negativa. Um comportamento, que no mínimo surpreende.
Resta o que atira a pedra para o charco já alagado e sem ninguém dar por ele, refugia -se nas suas quatro paredes!
E quando o sol já vai alto, o campo de batalha da véspera (cozinha), é de novo o centro de todos se juntarem. Apercebemo-nos através do espanto do cenário. Que se extravasou um pouco, a alegria de momentos que não se controlam.
É a luta da distância.
É a luta da míngua de carinho e alegria que tanto se necessita por cá.
E amanhã volta a luta!
Onde a noite nos faz levantar e, regressa de novo, quando voltamos.
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