terça-feira, 25 de junho de 2019

Isto é o meu livro


Adormeço enlaçado e acordo transpirado.
Ofereço o meu corpo para desejos atrasados e rebento em delírios desvairados.
Depois cubro-me em lençóis perfumados, voltando a adormecer numa névoa azulada.
Acordo de novo, com o raiar da aurora.
Voltando a estremecer pelas esponjas sucosas. Que me obrigam a vibrar os olhos e a lançar jatos de pétalas imaculadas.
Tanta vez que suponho ser sonho.
Tanta vez que me envolvo com esta realidade
Tanta vez, que entre o sonho e a realidade. Nem o céu é o meu limite.
Tanta vez que vivo para voltar a sentir este abismo divino.
Deus, faz que viva tanta vez.
Porque isto é a minha fé!

domingo, 23 de junho de 2019

Vou e Venho


Chego, parto!
Já faço do avião o meu berço, para embalar as saudades. E o meu banco de cinto apertado, para não deixar fugir demasiado a ansiedade.
Por entre estes mimos que fazem já parte do meu curriculum, estendo-me ao comprido, num ninho bordado a linhas de ouro. E num lar, com chave de laçarotes gravados.
São três dias. São quatro!
São dez, são...... os que consigo comprar ao salário que me está destinado. Cada mês duramente palmeado.
Cada dia é como se fosse o último.
E o último é como se fosse, o fosso enorme que me vai separar por milhões de piscar destes meus olhos. Até um dia os abrir quando sentir o grito de alegria que ouço, ainda do outro lado. Um olho não se despegou do oráculo.
E tremo a cada solavanco destas aves de penas tão lisas que metalizam, a paisagem.
E suspiro a cada poiso no alcatrão. Depois de as patas redondas travarem o ruído de mais de duas horas, pelo céu de cinco países!

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Hora e Meia







Encontro-me na varanda, numa tarde fresca que escondeu o sol todo o dia!
Mas nem por isso, deixei de ir ao encontro do verde que me rodeia e do castanho que cobre as montanhas!
Subi, subi. Até não encontrar caminho para escalar essas montanhas que não têm fim.
E ao descer é que senti, que a minha ousadia, podia ser perigosa já que um passo em falso, fazia-me rebolar pela encosta a baixo.
Eu já sou o Rambo destes labirintos, muitos deles com enormes troncos que os limitam, depois da grande quantidade de neve que derrubou imensas e graúdas árvores.
E como o solo estava húmido das recentes chuvas, o perigo podia aparecer a mais um passo dado.
Hora meia envolvido neste paraíso completamente à mercê da sua magnitude.
Hora e meia sem ver viva alma.
Hora e meia descobrindo, casas tão belas que me levaram a sonhar serem o meu refúgio final.
Hora e meia, de tantos sítios para estender uma toalha passar umas horas tirando umas sonecas depois de pequenicar. Tão escondido num entrelaçado de ramos virgens, que de certeza surgia o desejo de amar!
Hora e meia, descobrindo flores tão belas silvestres que, formavam o ramo mais belo, da noiva mais divinal.
Hora e meia, de presenciar caracóis gigantes num ritual amoroso sem tempo para se esconderem da minha descoberta. Podera, nem deram por mim.
Hora e meia, que me levou a encontrar a mão do homem já no fim da caminhada. Onde dei por mim a calcar campo lavrado e a ser acarinhado por cabritos amestrados.
Hora e meia. De um silêncio delicioso, que me levou tão longe que nem as enormes montanhas conseguiram impedir, o meu espírito de estar a recordar um paraíso melhor que o que elas vaidosamente apregoam.
Com isso, por vezes, voltava à realidade com uma pinha caída nos costados! 

quinta-feira, 30 de maio de 2019

A Manta


Tenho uma mulher que me ama!
Ama-me tanto, que fico arrepiado por descobrir que alguém ama o Nuno, tão longe dos braços dela e tão perto do coração. Nos poucos momentos, quando atravesso fronteiras.
O amor surge do nada!
Mas o nada tem um percurso maravilhoso. Juntando dois seres que abrem os olhos para iluminar a noite que os cobriu numa manta tão fofa, como o amor que partilharam.
Essa manta é o estandarte da nossa felicidade e guia todos os nossos passos!
Tem os momentos que nos juntaram, quando o céu me fez companhia até aos braços dela.
Tem as marcas do nosso prazer que já desenhou os nossos corpos, no seu estampado florido, tapando-os de olhares invisíveis.
Tem a promessa de nos levar até que um de nós, não possa calçar os chinelos!
Eu misturo-me nesse amor, nessa manta cada vez mais!
São eles que me cobrem de esperança.
De felicidade contida, para que dure toda a vida.
De um agasalho noturno para que durante o dia sorria de alegria.
De sonhar mesmo acordado. De noite, de dia sei lá!

domingo, 26 de maio de 2019

Será isto um Sonho



Encontrei - me com a varanda, agora que o tempo se abriu para a desfrutar.
E depois de uma caminhada por aberturas desconhecidas, nas montanhas que nunca irei ter tempo de conhecer a beleza que oferece. Senti uma fome aliciante!
Virei-me para dois pares de salsichas alemãs bem cozidas. Com mostarda pelo meio.
Salada de feijão com cebola e azeite italiano.
Vinho espanhol que não sobrou pinga.
Um pouco de arroz tailandês e azeitonas portuguesas.
De sobremesa uma banana e três morangos. Terminando no café colombiano.
Estou que nem posso, agora que a noite quer tomar conta da pouca luz que ainda sobeja na varanda.
É um silêncio tão fofo, que nem os chocalhos do gado bem perto o perturba.
Este é o sítio para se ser feliz!
Oferece-me a vontade, a alegria de ir trabalhar com prazer.
E ao voltar,  deitar-me cansadinho e realizado com o dia. Adormecendo ao ouvir as aves, regressando aos seus ninhos.
E levanto-me tão cedo, que só aguardo que o dia finda para que o fim de semana. Me traga mais encanto quando,  entro pelas entranhas destas montanhas fartas de vida!

domingo, 19 de maio de 2019

Da barafunda ao silêncio Matinal




Abri os olhos e senti o silêncio da manhã, ainda nem os pássaros se movimentavam.
Voltei-me para a janela protegida pelas portadas em madeira e voltei a cair no sono vermelho e luminoso, que ainda paira numa festa de loucos.
De novo acordei e a claridade assumia as frinchas deste quarto, que já guarda segredos de quem me ofereceu o que me alimenta. E em troca, ofereci-lhe o que me rodeia.
Agora no silêncio de um Domingo onde todos aproveitam mais umas horas de cama. Procurei ainda mais o silêncio e uma paz refrescante, que convida a sonhar com desejos românticos neste paraíso de encanto!
Embrenhei-me pela mata com o lago a ladear-lha.
O caminho já se salpica de formigas atarefadas e insectos esfomeados.
Procurei que os meus pés não esmagasse essa correria pela sobrevivência e os meus olhos regalavam-se, com a maravilhosa beleza matinal.
Descobri mais caminhos bem no interior do arvoredo, onde o sol ainda não tinha chegado.
A frescura fazia arrepiar o meu pensamento, virado para os momentos vividos recentemente e num sorriso do tamanho deste paraíso que me é oferecido. Voltei a casa esfomeado, porque a felicidade digere o que a festa do glorioso, "obrigou" a brindar !

domingo, 5 de maio de 2019

De novo o Céu


De novo voltei a estar de caras com o céu.
Farto de nuvens enormes brancas, tão baixas que por vezes se esbarravam com o cume das montanhas.
Subi mais e mais e larguei as montanhas, ultrapassando essas nuvens e ficando a dois braços de sentir o azul do céu.
Mais subi, porque, para chegar ao meu destino, andei agarrado a esse céu durante quatro horas.
Senti o céu alemão com nuvens negras, que o branco, só atenuava a vontade de elas descarregaram a saraivada.
O céu holandês, branquinho como bolas do fumo de haxixe, onde libertar uma centena delas é legal e, faz rir.
Foi aí que pousei e voltei a partir!
Larguei o céu por momentos e aguardei três horas rumo ao destino.
O verde enche os campos, com os lagos a desenharem braços enlaçados nos enormes campos. Num emaranhado que vai para além do que a vista alcança.
As casas típicas do país das tulipas, tão ordenadas e colocadas sob esquadria. Lembram os contos de fadas pela beleza que soltam, sob a paisagem maravilhosa.
As estufas são como enormes pavilhões. Não existem os farrapos da têxtil, como se plantam no nosso país.
Mas o arco-íris das tulipas que refletem essas cores em redor das paredes transparentes.
A tarde voa como os aviões que assisto pela vidraça do aeroporto.
Espero com um sorriso, a minha hora de embarcar.
Foi mais um que conheci.
Enorme como uma estação espacial.
As naves vão e vêm.
O mundo encontra-se por aqui.
São tantas vozes em inúmeras línguas, entoando cânticos esquisitos, enquanto correm para encontrar o canto do embarque. Num labirinto de passarele em tijoleira e tapetes rolantes, para os mais desgastados pela vida.
O céu já se esconde na noite que vai tomar conta do nosso destino.
Mas vou continuar a senti-lo e a tocar-lhe com o olhar, da janela que tive a sorte de me oferecer tamanha beleza.
Seja na França ainda a chorar as brasas de Notre-Dame.
Em Espanha vinda de eleições onde ficou tudo como dantes.
E Portugal, onde o partido da família, ameaça terminar essa congregação. Depois dos chamados amigos trairem-no na votação.