domingo, 25 de setembro de 2016

Peças a um Euro





Domingo belíssimo!
Sol magnífico. Desafiando para uma saída bem cedo, pela estrada que rasga os campos recentemente limpos pelas ceifeiras mecânicas. Que colhem e embalam, a silagem para que os animais se alimentem no rigoroso Inverno que não tarda.
Ao fim de cinco quilómetros dei de caras com uma feirinha de tudo o que é usado. Recolhido pela comunidade cá da aldeia e posto agora à venda, numa angariação de fundos, para a instituição que cuida dos mais necessitados.
Por um euro comprava-se uma peça de roupa!
Por um euro, adquiria-se calças excelentes para o trabalho. Camisolas de lá, para afugentar o frio e a neve que não tardam.
Por um euro, podia-se comprar uma peça de tudo o que estivéssemos resolvidos a levar.
Depois de comprar um par de calças e duas camisolas que farão aliviar as tremuras lá para o Inverno, sentei-me numa mesa de madeira e comi uma salsicha (tipo alemã) e uma cerveja que curiosamente é feita cá na fábrica (enorme) e abastece toda a região!
Claro, paguei o dobro pela bucha da manhã, do que pelas peças de roupa!
Mas curtir este sol e sentir a simpatia destas pessoas cá da aldeia é de um valor sem preço!
Regressamos para o peru, deleite do almoço, já pela tarde dentro.
Que delicia! Tostadinho no forno da D.Maria e todos juntos, partilhamos um bom momento.
Agora sinto-me um pouco só, já a tarde vai ficando fria.
Todos dormem a sesta acalmando a animação do almoço.
Detesto ficar só, quando penso que tenho companhia!
Mas, sempre nesta vida, já com mil luas percorridas, senti-me dolorosamente muito só!

sábado, 24 de setembro de 2016

Talvez hoje seja um Dia



Terminou uma semana louca e duríssima!
Iniciou-se com chuva a penetrar nos frágeis ossos já gastos pela vida que vai deixando marcas.
E terminou com um sol radioso a tornar a ir à mala na busca das manguitas.
Agora é tempo de descanso para recuperar para nova semana que não tarda.
Enquanto isso, a malta mata o tempo no meio da barafunda do costume.
Uns, como eu. Depois de um descanso abençoado e com um convite para o jantar a quatro. Saiu-me a fava de lavar a louça.
Outros beneficiando das novas tecnologias, falam para a família e revêm a filhota ainda bebé e vertem uma lagrimazita teimosa.
Um, inverna no quarto e só lhe pomos a vista em cima quando a segunda-feira chegar.
Outro, já a idade avança como os brancos de um cabelo a esconder as orelhas, dança o vira e maravilha a malta.
Os restantes andam de um lado para o outro parecendo baratas tontas. De cerveja na mão e falando alto.
A noite aproxima-se e é chegado o momento de uma saída para distrair um pouco, mas os locais por cá são restritos e ainda nenhum deles conheço.
Talvez hoje seja um dia onde me vá divertir e esquecer uma dor malandra que me acossa há longo tempo.
Amanhã temos peru assado, oferecido pela D.Maria e como o sol permanece com temperaturas de Verão, vamos almoçar bem perto das macieiras, sem antes fazer uma visita à capelinha e enchermos o peito de fé, que tanto necessitamos.



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Parabéns César




Hoje o meu irmão mais velho faz anos!
Não brinquei com ele de pequenino.
 Não me deu umas palmadas na infância.
 Não me deu conselhos na adolescência.
E só uma vez dormi com ele!
Para irmos às enguias, de noite e como nada pesquei, dormi sem sono e estranhando a cama ainda de almofada de palha.
Vivia com a minha avó no meio de rezas e Deus primeiro.
 Com um quintal para andar com a bicicleta de madeira e o rio tão perto que numa corrida descalço, lançava-se de peito feito.
No Inverno quase lhe molhava os pés, num quarto encostado à rua ainda de terra batida.
Nós vivíamos entrincheirados em vizinhos!
Hoje somos irmãos de corpo inteiro. Vivemos paredes meias com a alegria de nos vermos sem pensar, que estivemos tanto tempo. Tão perto e longe um do outro.
Parabéns mano! Sabes que estou no fundo da mesa a comer o arroz de cabidela e a beber o maduro tinto que tenho que levar porque tu só bebes verde branco.
E canto-te os parabéns com a prenda do costume!