sexta-feira, 9 de novembro de 2018

E de Novo


Os dias movem-se no ritmo que a vida me conduz.
Saciado dos momentos recentes, entre o céu e o cume da terra. Caminho solto de perturbações e conduzo as minhas horas, entre a obrigação e a vontade, em realizar o plano que me é destinado.
Sobra-me tempo para orações sorridentes, enviadas pelas montanhas infinitas, que as oferecem a quem aguarda, num socalco que aparece do nada e que serve de espera, para a felicidade.
E de novo fim de semana!
E de novo as caminhadas.
E de novo o sorriso estampado no céu azulado. Que teima em não deixar o cinzento nublado, tapar os raios solares idolatrados.
Desta vez solto as castanhas, nas brasas da madeira escancarada.
Lanço um punhado de sal e ouço os estalos no avermelhado do lume, que arregaça a carcaça do fruto. Mostrando as entranhas prontas a degustar, no prazer do São Martinho.
Venha o vinho que não novo, mas sabe pela vida, neste caudal de verde e castanho. Que me ilumina o final do dia.

domingo, 4 de novembro de 2018

Quem tem boca vai a Roma


Reservei o meu regresso pela Internet, como o fiz com a chegada a Portugal, por uns dias.
A chegada, sem problemas!
O regresso, manchado de desespero.
Obtive a confirmação, mas no sistema da companhia onde viajei, não constava a minha identificação.
Encaminharam-me para reclamar com a agência virtual. E adquirir novo bilhete era a única solução.
Num voo com uma escala, iria ser o cabo dos trabalhos.
Cheguei esbaforido a Düsseldorf e de novo no balcão da companhia, nada de registo surgia.
Desespero acentuado neste rosto que nunca se tinha visto numa situação tão delicada.
Enviaram-me para adquirir novo bilhete. Nos balcões com fila, que serpenteava de gente o Hall enorme da entrada.
Descobri alguém que falava a minha língua e num esforço titânico. Orei para ele me tirar um bilhete, junto da colega que percorria as vagas no ecrã do PC.
Voos completos e eu ainda agarrado ao meu TLM, com a confirmação do meu voo já pago e tão fugido dos dados informáticos. Numa razia pirata!
Sem voos e com o dia avançar perigosamente. Olhei à minha volta e o pânico instalou-se.
Que fazer neste momento?
De novo corri ao colega que me tentou ajudar e numa prece pedi, uma solução para voltar a casa, que logo no dia seguinte pela manhã, o trabalho chamava-me.
Levou-me à estação do trem bem perto do barulho dos aviões. E tirado o ticket para o meu destino, sigo numa viagem de cinco horas, rumo ao encontro de quem finalmente me vai levar a casa.
Vou reclamar, vou ripostar!
Vou dar todas as voltas e recuperar o dinheiro que se não o tivesse, ficava em terra, onde tentei aproveitar quatro dias de paz e alegria.
Longe de casa, esta minha segunda casa.
Longe de compreender a língua madrasta desta terra.
Longe de conseguir soluções imediatas para acalmar o desespero.
Consegui, qual tuga desesperado. Estar perto de casa. Tendo pelo meio almas caridosas, que me indicaram o caminho para o meu destino.
Ainda tenho umas horas num comboio a abarrotar de mochilas e malas grandiosas.
Muitos foram em mini férias. Regressam agora de rosto mais calmo e lábios rosados.
E logo eu, que não viajava década  comboio à longos anos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Imenso céu Azul






Da janela do avião, vejo ainda mais perto o azul do céu.
Que vontade de abrir a janela e esticar o braço, para rebentar um pouco da nuvem, que por momentos, é minha vizinha.
O avião vai subindo, nada o perturba na sua rota.
E mais azul. Imenso azul. Milhões de anos de azul.
Assim bem pertinho, o céu é infinito.
Os meus olhos não distinguem minimamente, onde ele encontra algo que lhe perturbe a sua divinal imensidão.
Neste momento, acredito, que existe sem sombra de dúvidas espaço, para todos aqueles que merecem ter um lugar no céu. Pelo decorrer dos séculos e séculos.
Olho para baixo e da terra nem Sombra.
Só o planar das inúmeras nuvens que me oferecem figuras giríssimas.
Espetáculo deslumbrante. Beleza sem fim!
Por vezes o avião sofre um abanão.
Como pode, se tudo é azul sem nada que ofusque está cor!
A tarde já vai longa e o brilho do sol esconde - se, para lá da minha vista.
Não tarda e o início da noite vai manchar este azul, que tão perto me saúda.
Sei que logo, as milhões de estrelas vão colorir o negro da noite.
Serão as guardiãs do nosso destino. E uma delas tem o meu na mão. Só desejo que não esteja preso por um fio.
Estou a brincar, o meu destino é como o céu. Infinito!
Porque é para lá que ele me leva e trás!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Tantos Desejos


Uma sala de espera para apanhar o voo com a certeza de abraçar a saudade. Que me aguarda, inquieta pela demora.
A grande maioria das pessoas estão agarradas aos telemóveis (como eu). Mas existe sempre alguém que lê. E uns pares que namoram.
O silêncio impera, quebrado por uma só criança, que não para quieta e fala intensamente, que já desespera.
Falta uma hora sem os atrasos do costume. Para ir-me daqui para fora.
Fujo um pouco da rotina diária e embarco para satisfazer a minha crença em ser feliz.
Tenho uma montanha de desejos que acredito, não vão dar à luz, nos poucos dias que consegui subtrair, ao constante apelo para realizar o intenso trabalho.
Claro que parto sempre com muitos desejos!
As noites fazem-me sonhar constantemente com o céu estrelado. E nas milhões de estrelas lá penduradas, são destacados imensos desejos.
E noite após noite, os desejos amontoam-se. Criando uma montanha do tamanho da minha alma.
Uma meia hora me separa. Da pista que está para lá da porta envidraçada.
O avião já é conhecido. Tem as cores do paraíso!


domingo, 28 de outubro de 2018

O coração




A chuva voltou para me intrincheirar nas.
quatro paredes.
A hora mudou e o Inverno está próximo.
Falo com os meus botões, os melhores amigos para buscar soluções.
Compreendem os meus anseios e dão-me razão, nas decisões que já tomei.
São eles, melhor que ninguém, conhecendo-me profundamente e vivendo tão perto de mim. Sabendo quando tenho necessidade de me aconselhar, eles estão prontos para me aliviar!
Tenho falado com eles muito de amor.
O amor é dor, porque a dor nos faz viver!
Sem amor, sobrevivemos!
A dor do amor é interna!
Só termina quando deixamos de existir.
Por isso nasci para Amar!
Isto a propósito, de amar à distância, não ser nada fácil. É dor!
Não é para qualquer um, só para os fortes. Para quem ama de verdade!
Pensamos, que um amor perto, é a garantia da estabilidade.
Uns tempos depois, caímos na realidade e vemos que não é tão importante assim.
E perdemos tudo o que era mais importante.
O amor longe ou perto, é para os guerreiros. Que terão de usar toda a sua força para conservar o amor que sentem, bem perto do coração.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Vivo


Vivo o feriado que se cruzou com o fim de semana.
Numa paz, que incomoda quem por cá, não se conforma com tantas horas, sem fazer contas,  a essas mesmas horas.
Vivo estirado no leito, dormitando e bocejando, numa preguiça apetitosa. Só espalhada quando alguém resolve, quebrar o aconchego que me envolve.
Vivo uma satisfação merecida. Depois de ser posto à prova, num vendaval de emoções, que chegaram, como um turbilhão sem fim.
Vivo com a alegria de menino. Esperando impaciente que para a próxima semana, mais um feriado se aproxima e irei cruzar o céu, noutro destino.
Vivo para mim!
E assim sendo, encho o coração de bondade para partilhar da forma que mais desejar, quem por perto me apanhar.
Vivo hoje!
Sabendo que amanhã, continuarei a viver por entre o verde que por aqui não tem fim. E os momentos que guardo, num coração do tamanho do mundo, para que esses momentos se multipliquem enquanto continuar a sorrir.


domingo, 21 de outubro de 2018

A porta se Abre


A porta se abre, na noite cerrada que o Outono já vai longo. Para me levar em mais um dia, no sustento interminável.
A porta se abre, com a cabeça inquieta e os olhos ainda meios cerrados. Na palpitação anormal, no foco constante de tudo estar como desejo.
A porta se abre, ainda envolto nos sonhos, que desejo bem longe e através deles, encontro-me tão próximo.
A porta se abre, saboreando momentos ainda recentes, de um mundo que criei, nos dias que merecidamente gozei!
É lá vou eu, pela estrada que no início da montanha,  a percorre, rumo à empresa onde trabalho.
A porta se abre, para deixar entrar este corpo mascarado. De manchas negras e de turras sistemáticas.
A porta se abre, para de saco ao ombro do lanche devorado. Aterrar na cama uns minutos e juntar os ossos, separados pela força (onde a vou buscar), em juntar o cofrado.
A porta se abre, para o repouso de umas horas, por entre tachos que dão guarida, à refeição tão apetecida.
A porta se abre, sem antes oferecer um sorriso às flores que me saúdam. E ainda a contar os degraus, já levo os ténis na mão para de chinelos sentir, finalmente.  Os pés livres e agradecidos.
A porta também se abre e fecha, para sentir o paraíso que me rodeia!
A porta é a minha vida!
Abre-se no aproximar do meu destino.