domingo, 10 de junho de 2018

Sem pinturas


Estendi a toalha, na relva aparada. Esticando o corpo, para o mesclar com o sol dourado.
Nisto uma nuvem negra, surge do cimo da montanha e descarrega um lençol de água.
Abrigo-me no alpendre das casas de banho e cinco minutos depois, o sol surge. Levando que todos nós, voltassemos para os mesmos lugares. Agora com a relva encharcada.
Mergulho meia dúzia de vezes, com os peixes tão próximos.
Um pouco ao longe, alguém montou umas tendas índias, dando um colorido selvagem em redor do lago tão sossegado.
De lá surgiu a jovem sem pinturas, nem gravuras. Quase tão nua como a imaginação a via.
Afinal sempre existem sereias fora de água!

Estou na Lua!




Os meus olhos sossegam, admirando a Natureza e tudo o que ela me oferece. Tão perto de casa e bem junto ao meu equilíbrio emocional.
Recuperam a cor original e libertam-se das impurezas diárias, que os ferem sem piedade.
Recupero a visão de miúdo e brilham com a beleza do que me rodeia, o brotar da vida todos os dias!
O meu corpo recupera neste local. Onde alguém montou um bar e algumas atividades de lazer, para que quem cá relaxa, não viva só de banhar-se no lago.
Oferece-te a custo de nada. Vólei em areia tratada, espreguiçadeiras para curar as noitadas, pranchas para suavizares nas águas calmas do lago e olhares escondidos, estendidos nas toalhas coloridas!
O meu cérebro flutua com os pensamentos lá embrenhados.
Deixo-o vaguear pelos trilhos frescos, neste dia bem quente e o céu azul transforma-se em imagens recentes, de momentos maravilhosos. Onde o saciar das emoções, era o auge do acreditar que tudo é possível.
E as horas voam como as aves atarefadas no adorno dos ninhos para que nada falta à futura ninhada.
Será que estou na lua?
Só posso!

domingo, 20 de maio de 2018

Tens que me olhar, me Ouvir....



Por vezes sentimos, sem ver e sem ouvir!
Algo nos diz que sentimos. Algo nos faz sonhar acordado, com a felicidade mesmo ainda ancorada.
Algo acompanha os nossos dias.
E hora a hora. Surge uma imagem, uma frase, que ficou na retina.
Nas entrelinhas de desabafos espontâneos, lemos emoções desejadas.
No apogeu da alegria demonstrada, as palavras soltam-se numa risada.
A nossa vida inicia uma partilha, ainda mesmo num embrião microscópio, mas já a raiar vida.
Olhamos as fotos escondidas.
São essas, que nos alicia a descobrir, a capacidade em conhecer, o que nos pode escapar.
Os dias seguem o destino de cada um.
As noites reservam os sonhos, que a nossa mente registou.
Sentimo-nos tão presentes que as tarefas diárias, por vezes, agrupam a partilha como se a nossa presença, já fizesse parte da mobília.
E ainda nem nos olhamos e nem nos ouvimos!
A vida é uma incerteza, tudo é possível!

sábado, 19 de maio de 2018

Ficarei eternamente Grata


Sonhei que caminhavamos pela areia macia!
Eu ia à frente, para que o teu pé entrasse na minha pegada.
Caminhamos largos minutos, olhava para trás e sentia o teu sorriso. Enquanto ficavas especada, a dois passos de mim.
Mandavas-me continuar, para que o mar não destruísse o meu caminho.
E eu comecei a encurtar a distância, para sentir-te perto de mim.
Nisto, o silêncio imperou e até o mar amainou. Olhei para trás e contei vinte e duas pegadas intactas.
Estavas parada, olhando a distância que nos separava.
Avanças-te um passo e eu, fiz o mesmo!
Cada passo, calcando o molde deixado e dedo com dedo, sem molestar o passo dado!
Tu, facilmente entravas na minha pegada, já que tinhas pés de Cinderela.
Ficamos por fim tão juntos, que sentia o teu cabelo enxugando o suor da minha face.
Abracei-te ainda dentro do meu passo e tu envolveste-me, com o teu sorriso tão iluminado, que ofuscou o brilho do sol, estampado no mar pasmado.
Beijamo-nos pela força do nosso desejo e por minutos, deixamos que o mar soltasse a onda, que nos encharcou a ganga.
Conquista-me!
Se o fizeres, ficarei eternamente grata.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

As minhas Noites



Adoro as minhas noites!
Noites, com um início ajardinado e um grelhado salpicado de essências naturais.
Regado com molhos tradicionais e aliviado com uns copos de maduro português, que ainda descubro pelas prateleiras das grandes superfícies, que invadem dois países fronteiriços.
Noites tão simples, que elevam a beleza do meu bem-estar.
Mais tarde saio com amigos, vamos ao bar jogar setas e descobrir as setas que se sentam ao balcão, cuscando os recém chegados, na esperança de dois dedos de conversa.
Ganho às setas e festejo com algum entusiasmo.
O ambiente é acolhedor e familiar. As horas passam, mas a noite ainda reserva maravilhas. Por isso despeço-me de alguns e corro para encontrar algo que me encha as medidas.
Entro na barafunda da música!
Os jovens divertem-se e os menos jovens, aguardam sentados que algo surja na noite que promete.
O meu romantismo vem ao de cima, quando os meus olhos encontram mais adrenalina.
Obrigou-me a tentar conquistar e até a exibir-me levemente.
Primeiro discreto. Depois um pouco direto.
Por fim tao perto, que me alegrou maravilhosamente!
Só isso desejei. Só isso consegui!
Ficamos a dois metros na pista.
Aproximei-me, ela percebeu.
Mais um pouco, ela entendeu.
Ficamos a um metro um do outro.
Ficou meia de lado, para não me enfrentar. Eu insisti!
Então ficamos frente a frente. Tão perto, que descobri um sinal minúsculo, que possuía no rosto e o seu olhar deixou-me petrificado.
Nisto vi-me rodeado de loucos de copos vazios, que obrigaram-nos a separar.
Fiquei furioso e de um salto estava no palanque a dançar como um louco.
Apeteceu-me voar para cima daquele molho de humanos meio despidos.
Voltei para a mesa e ela estava bem perto. Ofereceu-me um sorriso, que ainda hoje, o devo ter estampado no olhar.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Tanto equilíbrio Emocional







O calor atingia mais de trinta e o desconforto era notório.
Ainda existiam vestígios de uma noite tão quente, que me encharcou em líquidos de elevada taxa e me prostrou na poltrona, deixando-me num ressonar profundo.
Procurar a frescura do lago pelos caminhos trilhados, tão asseados. Era o despertar, deste corpo desidratado.
O verde, que desponta com a chegada da Primavera. Maravilha as margens e liberta os males, que afligem o meu corpo.
Os peixes enormes, bu buscam os cantos onde podem engolir um pouco, das sobras de um lanche, adquirido no bar quase hippy, da praia fluvial.
Do outro lado, as montanhas guardiãs do equilíbrio relaxante, no adorno desta beleza deslumbrante. Maravilha ainda mais, este canto, desenhado pela mão de Deus.
Até um coreto se descobre, neste trilho sem vestígios de qualquer sujidade, para descansar da caminhada e sonhar acordado.
Sonhar com um toque, um abraço, um carinho que se encaminha ainda distante. É o que me faz sorrir, enquanto me estendo na relva do lago, sentindo a Natureza cuidar de mim.
Tanta beleza ao pé da porta.
Tanta paz, a dois passos da porta.
Tanto equilíbrio emocional, depois de bater a porta.