domingo, 25 de novembro de 2012

As Sensações de Momento



Confesso os meus sentimentos, mediante as minhas sensações de momento.
Sensações que circulam num movimento diário. Alterando-se com a caminhada por degraus quase infinitos, nos quatro cantos desta metrópole em constante crescimento, que o andaime me leva para a altura em segurança.
Por cima das cabeças da agitação constante no erguer os alicerces das obras que me mantêm de novo vivo profissionalmente. Vagueio velozmente, enquanto estou fisicamente presente, de encontro ao cantinho doce, onde o calor libertado anos a fio criou o isolamento perpétuo às infiltrações não bem-vindas.
Desperto de um salto, o cérebro avisou-se num rapidíssimo flash. E retomo com as duas mãos, as tarefas a mim destinadas. Precisava de outras tantas, tantos são os arranques que necessito para concluir o que me haviam dito.
As horas passam, o corpo anuncia que está prestes a ranger os ossos, devido às acrobacias repetitivas para isolar os orifícios pendentes de acabamentos urgentes.
Penso e repenso como se fará para executar o que me pedem. Deixo para quem sabe e auxilio prontamente um pedido de braço estendido, ou um aceno de olhos experientes.
As primeiras horas caminham e abrem-me os olhos para tarefas, antes de um bico d’obra.
No aproximar do fim do dia entendo o pretendido e sinto-me capaz a breve prazo de a executar já sozinho.
No fim do dia a satisfação é evidente num sorriso para dentro, porque expandir sentimentos são favas mais tarde, tocadas em sorte, no bolo-rei do julgamento.
A procissão vai no adro e o santo padroeiro leva-me ao seu lado: seja a virgem divina, ou os seguidores de Cristo.  Para me indicar o caminho neste labirinto de tarefas e ultrapassando as intempéries, sejam elas de neve que paralisam os movimentos, ou de saudades que me abrem chagas mostrando um coração paralisado por momentos.
Regresso ao meu poiso, sem antes parar para dois dedos de conversa e um copo de licor amarelo.
Aí conversa-se do futuro. Desvendam-se histórias perdidas com o tempo e confessa-se os sonhos que se podem tornar reais, se o tempo, der tempo à maturidade profissional.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Uns choram ao narrar as Histórias



Somos cinco, num sábado já a noite vai nos brindando com o domingo, dia de descanso para carregar as baterias para mais uma semana.
 Mas enquanto ele ainda dorme com a noite agradável deste sábado, nós dirigimo-nos ao bar aqui bem perto, para divertimo-nos um pouco e beber umas cervejolas, como os alemães gostam de o fazer.
Cada um tem o seu carisma e vive as sensações em redor do ambiente que o bar oferece como lhe dá na gana. E claro, cerveja logo de entrada e shots pelo meio, passadas duas horas, os olhos começam a brilhar e as luzes a serem mais intensas.
Claro um pé de dança é sempre um dos motivos que nos leva, a estes locais e quando a pista se enche de mulheres, então o entusiasmo aumenta e os níveis de adrenalina sobem para um nível, que acompanha a bebida já ingerida.
Uns são ainda novos e por isso, ainda estão na expectativa.
Outros, já levam uns anos desta luta diária e aproveitam estas saídas, para descarregar: as angústias, o stress acumulado e as saudades de quem está longe. E nada melhor que beber até dizer chega!
E como para eles a noite é sempre uma criança, a hora de chegar será sempre depois de passar o ultimo padeiro.
Dança-se, canta-se, pede-se a musica preferida ao Dj, e lá estamos todos por nossa conta e a pista ao nosso dispor.
Um sobe ao pedestal do bar e inicia um strep de arreguilar os olhos às mulheres, que incitam o colega com gritinhos e piropos.
Desce a calça de ganga, num ritmo suave, dando ao corpo movimentos ondulados que entusiasmam cada vez mais os presentes.
Fico pasmado com tamanho descaramento e incentivo o colega a continuar com tamanha façanha.
Mostra o slip, dobrando-o para que os presentes apanhem um pouco da sua intimidade.
Ponho-me do lado dele, uns degraus mais abaixo e dou-lhe mais incentivo.
Português é bravo e logo fora do país ninguém o segura.
 E pronto!
Foi-se o strip e um hoooooooooo, ouviu-se pelo bar fora. Toca a parar não vá o diabo tecê-las e irmos borda fora.
É espantoso como as pessoas se transformam quando bebem uns copos. São bons trabalhadores, são homens com responsabilidades.
São senhores do seu nariz e que ninguém os contradiga. Mas com umas horas de canecas bem amarelinhas e logo na terra onde ela é rainha. O verniz estala e bem ao de cima, o descarregar do saco cheio.
Uns choram ao narrar as histórias de longos anos passados fora.
Outros mudam de carisma e ficam com vontade de se porem nus à vista de todos. Mas neste caso verdade se diga que o homem tinha mesmo pinta para a proeza.
Os restantes, ainda verdes nestas andanças, deixam-se embalar pelo ambiente e quando acordam é uma azia de caixão à cova.
E chega o Domingo, para descansar e por o sono em dia.







sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Fazer anos é Fácil



Levanto-me com a noite e com ela chego ao emprego. Espero que o dia nasça para receber o cantar das aves que sobrevoam esta zona.
E de um momento para o outro o dia surge como por encanto.
Transporta um enorme sorriso e a beleza da natureza reflecte-se por toda a parte, despertando para receber a luz do sol, quem se encolheu para se defender da noite.
Hoje é um dia especial!
E por ser especial, logo que as aves surgiram, pedi-lhes que cada uma te levasse uma flor para te cobrir ainda mais de beleza.
Como elas se cruzam muitas vezes comigo quando ando pelas alturas bem perto do céu. Logo acederam ao meu pedido e flor em cada bico, que os campos bem perto fazem despontar, lá foi um bando de aves rumo ao teu cantinho, cobrir-te de flores, num dia especial para ti.
Aguardei que elas chegassem, com a ansiedade estampada no rosto e os olhos sempre virados para o tempo que teimava em avançar e eu sem novidades para acalmar.
Por fim, já perto do fim, as aves ofegantes empoleiraram-se nos postes de segurança e segredaram-me que a minha jovem, estava radiante, com a surpresa por elas oferecida.
Fiquei curioso com tamanha chilreada.
E então as aves, juntaram-se a dois metros de mim e desenharam um coração, num esvoaçar maravilhoso, mostrando-me que assim foi que se apresentaram junto da minha amada.
Ela delirante e sem palavras, veio receber a passarada fora da porta e esperou que o coração se esfumasse, para agradecer tal espectáculo.
Mas a festa ainda mal começara e a passarada voou por cima da sua cabeça e num gesto magico, soltaram as flores que transportavam no bico, cobrindo a minha jovem dos pés à cabeça de flores e mais flores, que deram um colorido magnifico ao local onde se encontrava.
As lágrimas brotaram no seu rosto, de tamanha felicidade, ali estava um anjo, sem asas, mas com a beleza, tão pura que a natureza oferece.
Agora era minha vez de recompensar as extraordinárias aves e num gesto de tamanha alegria, lancei o meu lanche bem alto e era ver a passarada de bico em riste a apanhar ainda no espaço vazio, o meu sustento para este dia.
 Parabéns princesa, ao longe o meu amor por ti é mais intenso!



domingo, 4 de novembro de 2012

Com ou Sem Portas Temos Estátua



Barcelos trouxe o nosso D. Nuno, aquele que seria o nosso rei (valha-nos Deus), para a inauguração da estátua de homenagem a S. Nuno de Santa Maria.
E também aterrava cá na terra do galo, para as honras da inauguração, o malabarista da política Paulo Portas, aquele que enquanto era oposição percorria as feiras de chapéu de palha e boina à caçador. Dando beijinhos às idosas, sempre preocupado com as magras pensões que os pobres coitados auferiam e hoje no governo faz ouvidos de mercador e encostou os velhotes às soleiras das humildes casas, fazendo contas à vida e amaldiçoando este ministro dos abraços falsos como judas.
E como ele se tem aguentado no governo, escondido entre as costas forradas do Coelho e as ordens do Gaspar, como só os cobardolas fazem. À última da hora, resolveu por imperativos do já gasto pretexto, não comparecer na dita inauguração da estátua cá na nossa terrinha.
Assim perdeu o brilho tão afamada inauguração que durante a semana deu água pela barba, aos indignados pela sua vinda e aos opositores pela dita inauguração.
Mas não faltaram as forças vivas da região e os visitantes ilustres que logo que se apresentaram ao autarca barcelense, nem tiveram tempo de se virarem para a multidão e presentear-lhos com um sorriso de circunstância. Porque a mesma multidão abriu a boca, não de espanto, mas de revolta e toma lá das boas. Piropos e mais piropos que deram um tom avermelhado às bochechinhas da sub secretária que tomou o lugar do amedrontado Portas. E deixou as orelhas a arder do nosso presidente sempre petulante, chova ou faça sol.
Vieram os discursos. O presidente da Santa Casa, abriu os cordoes à bolsa, para patrocinar, esta honra a S. Nuno de Santa Maria.
Só a Santa Casa, sempre pronta para auxiliar, os que precisam de ser perpetuados. Enalteceu o papel do Santo cheio de virtudes e heroísmo, numa época onde a esperança de vida era demasiado curta, mas dava tempo para muitos se converterem em espalhar a palavra de Deus, depois de anos a matar quem lhe aparecia pelo caminho, já que soldado é para tirar vidas antes que lhe tirem a sua.
Outros mais se seguiriam, mas o povo persistente nos seus audíveis protestos, contra a Troika, nome de filme de terror que não deixa a nossas salas de cinema. E contra  este governo, outro filme de terror que a cada clik na TV, lá estão de punho cerrado  a exigir  os dedos já de unhas bem ruídas, porque os anéis lá se foram ainda a crise era uma criança. Abafou quem já tinha trazido trabalho de casa, obrigando a que os rascunhos não saíssem do bolso do lenço da mão.
Para terminar o que se tinha iniciado num clima de protestos e antes que pudesse acontecer algo que manchasse a cerimónia. Ouviu-se os tiros dos canhões, numa mini parada militar, virados para o turismo, quem sabe a aguardar os clientes distintos.
Pronto lá ficou a estátua bem ao lado do nosso galo, com uma colorida coroa de flores, a aguardar que a passarada a cubra de caca, fazendo dela o poiso para iniciar a caçada.
    
 
 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Será queTemos aquilo que merecemos!

Temos aquilo que merecemos!
Um extraordinário slogan para definir, situações em que nos vemos envolvidos.
E nada melhor que o utilizar nesta situação que atravessamos, que a cada dia que passa, envia famílias inteiras, para a desgraça. E abre um fosso enorme entre pobres e ricos, que se pensava estar a diminuir.
Será que temos aquilo que merecemos?
Lembro-me de quando iniciei a minha actividade profissional ainda um garoto. O que me fascinava, era a luta que se travava para conseguirmos mais regalias sociais e tudo que envolvia aumentos salariais.
E como as greves estavam na moda, ameaças de elas se concretizar levavam os patrões sempre a negociar e os acordos eram alcançados, com consenso em redor das duas partes.
Foi uma fase de lutas nos vários sectores como: a têxtil, o calçado, a metalurgia, a construção civil e progressivamente os portugueses foram conquistando relevantes regalias, que se materializaram em melhorar a sua qualidade de vida.
Esse espirito foi-se perdendo, por varias razoes entre elas destaco, a perda de solidariedade entre os trabalhadores e hoje tudo se foi!
Esperamos pelas vacas gordas, que são sempre passageiras e logo um bom boi de nome Sócrates, durante os primeiros anos, deu-nos as mãos cheias de mel que nos adocicou os prazeres da vida e toca a gozá-los à grande e à francesa.
Nos últimos anos da sua governação o mesmo boi Sócrates, trocou o mel pelo fel e ao esfregarmos as mãos, sentimos um mau cheiro que se tornou tão desagradável que se impregnou nas nossas mentes, levando-nos os empregos, a união familiar e fez-nos ombrear com o pessimismo.
E como já é apanágio dos seres humanos. Veio a vingança e toca a arrumar o Sócrates, sem apelo nem agravo e oferecer de bandeja a maioria aos mentirosos que hoje se sabe mentiram com todos os dentes que aquelas balofas bocas têm, postiços ou não. E o resultado é a desgraça, a desagregação familiar e no pior dos casos até à morte.
Será que merecemos este dramático cenário que assombra, sem solução à vista um país tão pequeno e nós portugueses iremos deixar que meia dúzia de rufias, nos levassem à bancarrota e estejam escondidos a apanhar sol e a bronzear-se com os milhões que nos roubaram, num abrir e fechar de olhos.
Precisamos de outra primavera, que aqueça os corações e os faça bombear todo o sangue para cima desses aldrabões, mesmo que das armas saiam balas mortíferas em vez dos cravos da revolução.