domingo, 17 de Agosto de 2014

Eles são tantos os Abraços



Ainda tenho imensos abraços para te oferecer, depois dos inúmeros, trocados até ao entardecer.
Já caminham com o ar que respiro. Dado que desde menino abria os braços pronto para alguém receber.
Eram a busca da ternura. Do carinho que me andava arredado. Do amor que me alimentava o romantismo.
Podem ser fortes devido às saudades.
Podem ser suaves porque não cansam.
Os abraços não fartam porque transbordam mensagens.
Simples e puras, amáveis e cheias de ternura.
Não fazem perguntas, não requerem respostas.
Simplesmente transmitem amor com abundância.
E elas são tantas, que suportam a distância!


sábado, 16 de Agosto de 2014

Eles enchem as Esplanadas




As ruas atulham-se de vozes estranhas.
 Altivam-se em francês, inglês, alemão e sabe-se lá o quê!
Todos descrevem as peripécias bem longe da Pátria. Numa correria constante logo que o dia nasce. E quando regressam, depois de longas horas de labuta constante, por entre estradas repletas de trânsito (aumentando ainda mais o stress), deixam-se cair no leito que serve de amparo para recuperar energias. Esperando ansiosamente que os dias passem, até que se vai mais um ano e lhes traga a alegria de voltar a Portugal, para num mês de férias, matar as saudades e reviver velhas amizades.
 Não se calam um minuto enquanto se encostam nas esplanadas dos cafés habituais, gabando-se vaidosamente como fugiram às nossas desgraças neste Portugal que não vê a luz ao fundo do túnel.
Fazem questão de estacionar as bombas bem perto dos olhares dos amigos e residentes habituais. Esquecendo-se que trancam os carros de chinelos adquiridos nos chineses e tanguinhas que só tapam as barrigas volumosas a preço de feira e já manchadas com o suor que os sovacos expelem copiosamente.
Deixam correr as horas por entre fumaradas de tabaco americano e bebidas afrodisíacas, mostrando uma qualidade de vida que termina logo que o regresso lhes chame, para voltarem a calcorrear as ruas da imigração.
Buscam o prazer dos churrascos e piqueniques nos montes que anunciam as romarias típicas no mês de Agosto.
Dançam e divertem-se com as bandas pimba que submergem como toupeiras, sabendo que os imigrantes adoram terminar as noites em refrões que falam das saudades e fazem abraçar os desejos em letras repetidamente e exaustivamente falando de amor.
Recorrem á praia para penetrar o bronze nos corpos massacrados pela dureza da vida, fazendo questão de soletrar a língua de acolhimento em detrimento da língua de nascimento. Só enquanto a pequenada e não só, obrigue a que a tranquilidade assuma momentos de fúria. E lá soltam palavrões bem audíveis na língua de Camões, estalando o verniz, quando antes eram só iás, voilás, vale, merci, e tank you. Por entre frases mais ou menos decoradas.
Infelizmente hoje são tantos escorraçados por um governo que tenta não fazer da imigração (embora pensando que não o percebemos),o esforço da diminuição do desemprego.
Os recentes saltam de país para país, já que não assentam o futuro no primeiro que lhes dá guarida.
A verdade é só uma!
 Mesmo imigrante, é tao difícil suportar a vida bem longe de quem se devia estar próximo, que tudo que façam enquanto permanecem uns dias por cá. É justificado na imensa alegria em estar bem próximos de quem lhes faz feliz.
Voltem para o ano, porque quem cá fica a amargar as medidas indignas de quem nos governa, compreende bem o que todos vós, buscam em terras longínquas. Para ter mais do que uma bucha para alimentar os filhos.

sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Viro-me e reviro-me na cama Curta.




A noite abraça o descanso do corpo dorido.
Imensamente dorido que nem sente o seu relançar no leito mal feito (lençol puxado à pressa e a almofada atravessada), já que ainda o corpo se debate com a dureza do dia, já os olhos se fecham num sono profundo que dura poucas horas.
Desperto ainda são horas para mais descanso, mas o cansaço dantesco faz-lhe reavivar o despertar.
Está tao compacto que levantar uma perna é um peso pesado.
A satisfação de saber que ainda tenho umas horitas para voltar a dar-lhe o descanso merecido, transforma-se num pesadelo frequente, já que as horas voam e não volto a adormecer.
Viro-me e reviro-me na cama curta.
Ouço as batidas das horas ao longe no sino da igreja da terra.
Não voltar a pregar olho, oh…oh…
Nem contar carneiros serro as pálpebras. E o corpo ainda está como chumbo.
Por fim lá me vou sentindo embalado pelo apego ao descanso e mergulho nas profundezas do que resta da noite, antes que o dia surja e….
Uma vez mais desperto com o levantar do parceiro, uma hora antes do meu (aí que raiva), despertador anunciar o toque da alvorada.
É sempre uma horita que me deixo ficar quietinho.
Cada volta é empurrar o corpo pesando o dobro, no molde que de tantos dias já deu forma ao colchão que resistiu quanto pôde, ao seu peso a cada final de dia.
Seis e meia, toca a levantar!
Hui, que dureza. Parece que carrego corpo, colchão e cama.
As mãos nem as consigo fechar. Os dedos inchados impedem tal.
A viagem serve como tempo de massagem e num abrir e fechar de olhos estou pronto para o que, der e vier.
Tantas, mas tantas horas depois, o regresso.
E a noite abraça, o descanso do corpo dorido.

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Domingo de intenso Calor




Calor imenso calor. Tanto sossego que até satura.
O corpo recupera do esforço. A mente está a postos para mais uma semana e lá se vão uns dias e mais próximo o regresso.
O calor afugenta as pessoas, deixando a vila deserta.
Só me sobram os momentos recentes, passados colados ao vento. E assim refresca-me algum tempo desviando o meu pensamento.
 Entretanto contemplo a imensidão do céu azul tão perto das montanhas, que as nuvens brancas acariciam o verde seu companheiro de já longínquos anos.
Esperando que o final da tarde regresse e me ofereça a agitação do arvoredo para que a noite se torne fresca. E adormeça como um garoto farto das correrias de um longo Domingo.
 Já arrumei, já cozinhei.
Já dormitei, já caminhei.
Já cuidei das mazelas, já retirei a pele morta em calos bem visíveis amarelados.
Já fiz festas ao gato que se irritou por o ter incomodado.
Já ouvi historias dos colegas feitos heróis em tempos passados, onde preenchiam o tempo em abraços espontâneos de mulheres á mão de semear. Hoje fecham-se no quarto dormitando para que as horas passem.
Virá a segunda-feira, para encaminhar a terça.
Esperando que na quarta, ainda restem forças (que remedio), para que na quinta, seja sinal que a sexta-feira depois do almoço, me transporte estrada fora rumo ao conforto do sorriso eterno e do olhar belo.
Vale o esforço, vale o esforço.
E aqui estou gozando o sol e esperando o final do dia para olhar o céu oferecendo-me a estrela que me presenteia alegria.

Eu e Eles



Vi-o ainda descia as escadas do prédio.
Ali estava imóvel, esperando pela oportunidade para partir rumo á caçada que lhe garantia o alimento para se recolher quando o dia surgisse.
Aproximei-me mais e mais. E como não arredava pé contemplei-o alguns segundos.
Deixei-o para a caminhada final, de um dia carregado de emoções profissionais.
Quando voltei já lá não estava, foi á sua vida e eu regressei ao lar para repousar de um dia fatigante.
Eu e eles, eles e eu! Caminhamos juntos numa encruzilhada de momentos, nesta batalha diária que nos leva à certeza de tudo fazermos para sobrevivermos.
São magnificos, vivendo na Natureza que tanto nos oferece e nós tanto a destruímos.