terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Dezassete, Parabéns




Parabéns Duarte!
Mais um filho que celebra o seu aniversário.
Ainda o ano vai no início do segundo mês e já são dois filhotes que festejam os anos. Isso quererá dizer que tenho uma ninhada de filhos.
Nada disso, tenho aqueles que Deus me ofereceu!
Este pequenote, bem mais alto que o velhote. Já vai nos dezassete.
Já tem ar de homem determinado, andar destemido e convencido quando até nem é preciso!
Mas é o meu menino!
O último de uma saga abençoada pelo destino.
Todos eles revelam as mesmas apetências que fazem sorrir todos os dias os progenitores. Mas este como o mais novo, aprendeu com os restantes e usa o que deles colheu, para levar os pais pelo beicinho.
Vá lá Duarte, ao menos logo pela manhã faz a tua cama e verás que em cima dela, terás a melhor prenda: um abração do teu pai, do tamanho deste mundo!
As restantes serão entregues quando dermos aquelas caminhadas, onde já sinto dificuldade para acompanhar a tua passada.
Desejo-te um excelente dia e já imagino a tua carinha ainda de menino, mascarada de um sorriso tímido, quando a imensidão dos teus amigos te felicitar a cada minuto.
O resto só a nós diz respeito. Porque ninguém precisa de saber o que mais te desejo neste dia!
Envio-te hoje a alegria de sentir amanhã o teu dia já que, quando me levanto ainda sonhas como será o teu dia.
 E quando regresso, já perdi uma hora e já te fatigaste de aturar tantas felicitações, das inúmeras candidatas que sonham um dia ocupar esse coração maravilhoso!
(ó porra, não devia ter dito isto!!)
Loll…

domingo, 7 de fevereiro de 2016

São Todos Iguais


A gente só procura nos outros, aquilo que apaga em si!
Abolimos todos os fragmentos que nos corrompiam as entranhas e tentamos procurar nos outros, passado o tempo da euforia da conquista, vestígios daquilo que nos afastamos.
É uma tarefa tremenda, dado ser perceptível no início uma afável ternura para conquistar o mundo.
Depois com o decorrer do tempo os fragmentos dão à costa e os remendos rebentam pelas costuras e volta tudo de novo a fazer parte da nossa vida.
Culpamo-nos por voltar a viver as tormentas emoções que se misturam com desejos, materializando-se em momentos felizes, mas que não apagam o crescente mal-estar que se torna evidente.
São todas iguais! Dizemos como evidência de anos vividos com a sua presença. Usam sistematicamente a arma da negação do corpo como forma de pressão, para a satisfação das suas certas convicções.
São todos iguais! Dizem elas como realce quando algo corre mal. Só lhes interessa o escape da carne, esquecendo-se da angústia do coração.
E na certeza desta firmeza, seguimos a nossa vida esperando que o que apagamos em nós, possa ser definitivamente incinerado em quem nos oferece a mão!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Não Adianta




Não adianta esquecer as flechadas do passado, já que o arco aponta para o mesmo alvo.
Não adianta escolher outro sentido, onde as minhas pegadas apagam o virgem da caminhada.
Porque esgueirando-me, não me esconde na sombra de nenhuma alma penada!
Não adianta esperar pela onda dourada, já que o que ela arrasta é alegria abstracta.
Não adianta deixar surgir a madrugada, já que o sono tarda e o corpo reclama.
Porque aguardando, morro de velho abafado!


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O silêncio é dono do nosso Espaço.




Andamos a vinte à hora, muito mais que meia hora.
E não descobrimos uma brecha, para me esgueirar deste trânsito caótico
Chove à velocidade do nosso andamento
E é fácil, tudo virar aborrecimento.
Inclino a cabeça para baixo num rapidíssimo sono de segundos.
Ouço as risadas dos resistentes por enquanto, numa de heróis por momentos.
Passados minutos irritantes, todos se rendem ao cansaço. E o silêncio é dono do nosso espaço.
Tardamos a chegar ao lar. Numa noite em que as luzes iluminam o asfalto.
Dos vinte, passamos aos sessenta e o desabafo de chegar mais rápido desvanecesse em poucos quilómetros.
Uma hora, duas horas e não se deslumbra a meta da chegada.  
No pára e arranca, salva-se a esperança de temos todo o tempo do mundo, para devorar umas buchas.
Por fim estacionamos no primeiro buraco que encontramos.
São quatro andares com setenta e oito escadas contadas até à exaustão.
Lançamos o corpo para o primeiro” baloiço” que nos amortece os ossos.
E a mesa farta-se de embalagens de enchidos, meias vazias e a abarrotar de pequenos fios de gordura que se acumulam nas orlas.
O pão pode ser do dia anterior, mas a vontade de trincar qualquer coisa, dá cor ao nosso rosto.
Por fim o banho retemperador!
Leva as poeiras que teimosamente se infiltram no corpo e a dureza de um dia que leva horas a terminar.
A cama, seja composta ou recentemente mudada, é o recanto de sonhos que nos comandam a vida.
Nela recuperamos as forças.
 Nela revivemos os rostos de quem nos mantêm vivos!