Ao fim de tantos anos, consegui finalmente
que alguém traduzisse através das palavras, os sentimentos que lhe iam na alma
e contemplasse a minha incessante busca, com a certeza de que apesar da distância.
As nossas necessidades, os nossos anseios e fundamentalmente os nossos
projectos quanto ao futuro. Fossem daqui para a frente, a certeza de mesmo
longe, estarmos perto, pertíssimo dos dois!
sexta-feira, 8 de março de 2013
Dia Internacional da Mulher
Mulher que és tu!
Neste dia que decidiste ser teu.
Não o posso esquecer,
porque és a única da minha vida!
Mulher estejas onde estiveres,
corremos farejando o teu rasto
Ages sempre com a inteligência,
para superar a nossa falta de cabeça.
Viramos cães famintos,
atrás de um rabo de saia.
De língua de fora
tentando lamber,
o que agitais meio dentro, meio fora.
Mulher que vivestes nas catacumbas.
Como o ser inferior, para servir o senhor.
Agarras a luz do sol e expandes o teu valor
Por ti, homens matam e destroem a vida.
quarta-feira, 6 de março de 2013
O Sol rompe os Montes
O sol chegou!
Não uns
minutos. Isso era a morte do artista.
Nem umas horitas. Só dava um pouco de
consolo.
Mas o dia todo. Para aquecer até onde se
esconde a alma.
Que beleza é a Natureza quando me contempla
com este sol primaveril que aquece o coração, martirizado pela distância e
entusiasma a vontade em trabalhar.
É a Primavera antecipada, depois de dois
meses frios, com temperaturas abaixo de zero. Um, dois….seis, sete e por aí
fora. E só por um dia e ainda bem ao Sábado, é que tivemos que parar porque as mãos
já estavam a provocar dor, de tanto frio.
Há valentes homens de Portugal, habituados ao
clima ameno e ao sol que desponta quase todo o ano. E contra ventos e marés
aguentaram firmes a neve e o gelo, dias a fio.
É um prazer levantar mal o dia nasce e de
dois graus negativos que se inicia o trabalho, logo o sol rompe os montes ao
longe e sob devagar, devagarinho e aquece aos pouquinhos, o espaço onde se dá
ao cabedal.
A meio da manhã, já se trabalha sem casaco e
muitos já mostram as tatuagens, num desplante veranesco.
Olho o sol ainda sem força para me cegar já
que a minha pele tem tanta sede dele, que ainda é cedo para me queimar.
E lembro-me do meu país, onde o sol é um
recurso bendito e valha-nos ele, para ainda aquecer um pouco os sorrisos,
porque as tristezas não pagam dividas.
Um, dois, três dias da semana a transbordar
de sol e a abrir sorrisos de quem já está á dois meses longe de tudo e de
todos.
As aves voltarão e num chilrear estridente
banqueteiam-se pela nova geração que não tarda.
São centenas por dia que sobrevoam um pouco
acima das nossas cabeças e num vai e vem constante, num ziguezague
espalhafatoso. Lá vão ao encontro de quem espera e toca a juntar os trapinhos,
num chilrear excitante, bem perto do ninho.
Há sol bendito que dás outra alma a quem não tinha
cor devido ao frio.
domingo, 3 de março de 2013
As ruas Encheram-se com o Povo
A pé onde era tão perto que até dava para
carregar cartazes exigindo a saída da troika, com ganas de dar um chutão no
rabo, daqueles reis magos troikianos que nos vêm oferecer fel e vinagre.
De mota, mas com a velocidade nada acelerada,
senão a policia mesmo à paisana, multava a ansiedade de gritar bem alto, a saída
já com tempo a mais, deste governo sem qualidade e que nos está a matar o
futuro.
De autocarro, filas e filas intermináveis. Em direcção aos grandes centros, para fazer ouvir a voz de milhares, onde todos são
sempre poucos para arrumar de vez, com a peste negra que assola quem gere os
destinos deste país. Que em menos de quarenta anos, estão
a dar cabo de novecentos anos de história.
E assim foi que o povo saiu à rua!
Lembrando tempos já distantes, mas agora tão
recordados que as canções daquela aurora, entoaram a cada passo. A cada esquina
cruzada. A cada pessoa que se juntava. A cada cartaz que se levantava.
Alguns fizeram destas manifestações uma
festa.
É sempre agradável sair de casa e ir de
encontro às multidões, esbaforidas para soltar as suas reivindicações.
Mas a grande maioria saiu à rua de raiva
estampada e ciente para o que ia. Depois destes já longos meses de incansáveis restrições,
que os miseráveis governantes a coberto do parlamento onde se sentam duzentos e
mais alguns, sempre prontos a levantar o braço lembrando os nazis na hora do repatriamento
para o holocausto que caminhamos.
E as ruas encheram-se com o povo!
Novos e velhos. Muitos já batidos nestas
andanças que sabem como tudo se inicia e como mais tarde, depois de bocas
roucas de tanto gritar as palavras de ordem para quem devem enviar. Tudo
termina.
E novos nestes ajuntamentos que se provou
serem mais de um milhão. Fascinados pelo magote humano que coloriu as avenidas,
onde ainda lá estão cravadas nas entranhas das calçadas. Lágrimas dos
desesperados pela liberdade então vedada. E o sangue dos inocentes que foram
brutalizados pelos cassetetes e balas da polícia fardada.
E o resto do povo que não encheu as ruas!
Muitos como eu estavam longe, trabalhando,
para mostrar ao meu país que existe futuro para além das estradas asfaltadas desertas
e envergonhadas.
Outros os felizardos do costume, com os bolsos
cheios de favores, sem pinta de vergonha naquela cara. Vivem encostados aos que
se manifestam, para sugarem o suor ainda visível, daqueles que fazendo das
tripas coração. Suportam cada dia que passa, esperando que não seja o ultimo.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Podia Começar pela Amizade
Estou
para aqui a pensar no que vou escrever neste momento, onde tenho tantas
coisas que se juntam, pulando nos meus neurónios e nenhuma salta como a
bola do euromilhôes, para iniciar uma dúzia de linhas que ajudam a
ligeiros desabafos.
Podia começar pela política caseira.
Mas de
nada vale, é a treta do costume. Constantemente a bombardear-nos com os
apertos para os mesmos de sempre e assim sendo, o melhor, mas mesmo o
melhor. É desligar as meditações para quem constantemente nos quer levar
a contínuas depressões.
A fava toca sempre ao mexilhão. E o aperto
do cinto que já não tem espaço para mais furos, parecendo degraus de
cima para baixo, de tanto serem apertados nestes poucos anos que foi
anunciado o crach, que ameaça durar uma era. Poderá ser também servido
infelizmente para pendurar quem desistiu em acreditar.
Podia falar de futebol.
Sempre um meio para desviar as atenções desta malfadada crise e como
os nossos clubes continuam a fazer uma gracinha além-fronteiras. Seria
sempre um escape para lançar os apertos constantes que assolam as
cogitações. E ombrear portistas com benfiquistas e sportinguistas com
bracarenses, dá sempre pano para mangas, onde todos tentam fazer o fato à
sua medida.
Podia falar de soluções.
Para combater a procura
de milhares em resolver as suas situações profissionais, onde a oferta é
tão mingua e se resume aos apelos dos amigos e a pagar favores
pendentes, que deixam para os restantes (e que molhada), encontrar a
agulha num palheiro.
Porque não existem soluções para o conter, já
que não nascem investimentos para empregar os que engrossam a lista,
quanto mais para os que despertam para o mercado de trabalho.
Podia falar de paixão.
Onde os jovens tão fora da realidade em que o país se encontra. Se
amarram logo ao primeiro beijo que trocam e nada custa, basta um pequeno
olhar e um canto reservado. E rapidamente assumem uma ligação que eles
juram ser duradoura, onde já supera facilmente os tabus e abrem asas
para tudo experimentarem e num abrir e fechar de olhos tudo desmorona e a
paixão dá lugar ao esgotamento.
Nos mais velhos a paixão também se
vai com os martírios desta vida e lá se arrasam famílias, com ódios
estampados e indiferenças vitalícias. Os longos anos de união já não são
o elo de uma ligação.
Podia falar da violência.
Que se estende
pelo país como tentáculos de polvos gigantes. Agressões violentas que
servem para intimidar a vítima e por meia dúzia de euros, causam-se
dores profundas para toda a vida e em muitos casos a morte como um fim
de bandidos que viraram animais selvagens.
Podia falar de justiça.
Onde, mas onde é que ela está!
Justiça que solta assaltantes violentos que já de antemão sabem que vão ser postos na rua para reincidir.
Que fecha os olhos à corrupção a olhos vistos e dá tempo para que o
tempo, tudo apague e faça esquecer, já que deu tempo para os corruptos
se defenderem. E como diz o povo “quem tem dinheiro, livra-se de tudo!”
Podia falar de miséria de fome.
Meu Deus, são famílias e famílias batendo à porta da solidariedade
para com a mão estendida, pedir o pão que já falta na mesa, antes
preenchida.
Podia falar….
Já chega, não posso falar de mais nada. Por agora basta, estou a perder o apetite.
Amanha, vou tentar falar do que ainda graças a Deus é positivo, porque
apesar de tudo o povo português sempre conseguiu dar a volta por cima e
cantar de galo, mesmo sem capoeira.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




