quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A Realidade da Minha Cidade

Vivo numa pequena cidade que já foi a árvore das patacas, onde os novos empresários brotavam como ervas daninhas.
 Cada rolo de malha era o seu peso em euros. E durante vinte e quatro horas produziam-se a rodos que constantemente era necessário ampliar as instalações.
Cada balde de cimento era sinónimo de um construtor civil. E os empreendimentos de um dia para o outro mudaram a paisagem em redor da pequena cidade, abafando-a num cenário de betão armado.
Cada peça de roupa estampada na sociedade cá da terra, era a garantia de dezenas de lojas de pronto a vestir, que não tinha mãos a medir, na procura das colecções acabadas de chegar. Via estilistas reconhecidos aquém e além fronteiras.
As garagens das habitações eram resguardo de confecções e um rodopio de cargas e descargas, já que o trabalho não faltava e os novos-ricos, prosperavam, ora na indústria, na construção, no comércio e por aí fora.
O domingo era o ponto alto do visionar das grandezas materiais que esta cidade fazia florescer.
A missa era o primeiro impacto para equiparar as bombas que estacionavam bem no adro da igreja. E antes da primeira reza dentro do templo, já se benziam, pedindo aos deuses, que lhes concedesse as graças necessárias, para que pudessem adquirir o último grito ainda fresquinho no stand, porque o vizinho acabava de mostrar bem reluzente uma máquina melhor que a dele.
 Finda a missa era uma correria aos restaurantes que nasciam a cada curva na estrada, já que lá se encontrava a fina flor cá do concelho.
Vivia-se bem, muito bem! E como muitos deles tinham medo de que algo lhes pudesse acontecer no dia seguinte, viviam cada dia como se o mundo fosse acabar no seguinte.
Hoje é o desespero!
A cidade é um desterro. É a angústia para quem tudo perdeu, porque o mundo afinal não acabou para muitos deles.
É lojas a encerrar, umas com alicerces para resistir a qualquer furacão e no fundo vão abaixo como castelos de areia e outras que mal se perfilam para os flashes da ribalta, logo encerram ao virar da última volta da chave do fim do expediente.
É o desemprego que supera a média nacional, como um cancro que leva, agora sim, muitos deles a desesperar numa morte lenta escondendo-se em casa para não serem vistos em semblantes angustiantes. Ou encostando-se aos bancos de jardim esperando pelos colegas na mesma situação.
É a falta de soluções nesta fase de crise sem fim a curto prazo à vista. Levando muitos a embarcar no avião do eldorado pensam os sem alternativas. Na busca do trabalhinho que o estrangeiro, continuam a pensar eles, que de portas abertas, lhes dão a honra de lá permanecerem. Até que a cidade e o concelho retome a normalidade e floresça para a necessária retoma para bem de todos nós.
  

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