sábado, 13 de julho de 2013

As Sardinhas Pequenotas




O arroz de tomate está no ponto
As sardinhas pequenotas, estão tão saborosas que antes de chegar à mesa, já comi meia dúzia.
É Portugal no seu máximo!
O vinho é de Cantanhede e o pessoal é todo de Barcelos.
É a mesa da nossa terra. Só faltando o pão para que tudo fosse uma beleza.
Assim se culmina uma semana intensa. Trabalho não falta e vontade de o transformar do papel ao esplendor dos nossos olhos, é o prazer que todos desejamos.
Os meses passam e o dia-a-dia repete-se constantemente.
As estradas já são tao familiares que olhamos pela janela do carro, tentando descobrir algo de novo, que me leve a focar a atenção e assim deixar rolar o veículo até ao destino. Evitando de abrir a boca num bocejo, a pedir mais soninho.
Antes de saborear este petisco tão simples mas tão desejado, quanto mais não fosse pela aproximação às raízes de todos nós. Aguardo a noite, num cigarro apetecido.
Ainda é dia, mas espero que ela chegue. Porque a noite abre-se num manto de estrelas que cintilam perante os meus olhos.
Talvez encontre uma surpresa, no meio de tantas e descubra o brilho tão longe, naquele cantinho!
O jantar terminou e os comentários foram unanimes: sardinhas, há quanto tempo!
Torno a vir cá para fora, porque a noite já é o meu tecto.
Saboreio o café e o ultimo cigarro. Estou só. E só, quero estar!
Elas lá estão!
Tantas estrelas sem fim.
Os meus olhos percorrem, uma linha onde se perfilam a maior quantidade.
Perscruto as maiores. Estão mais perto e mais próximas estão de mim.
Sinto um sorriso numa delas.
Noutra, um piscar de olho, que na noite cintila como um convite.
Apetece-me namorar com ela.
Já a descubro em noites anteriores e não passamos de simples conversas.
Estendo a mão, para a convidar a seguirmos a noite e contarmos segredos, que são no fundo a razão, da nossa ligação!
  

 


domingo, 7 de julho de 2013

Anda comigo até ao Rio







Anda comigo até ao rio!
Dou-te a mão e mergulhamos bem fundo.
Passamos a margem e namoramos camuflados.
Evitando os olhos indiscretos que saciam a ansia em aliviar as necessidades.

Anda comigo até ao rio!
Fazendo da relva a esplanada, de tantos dias.
Partilhamos o lanche ainda salpicados de gotas, com cheiro a desova.
Dos barbos, renascidos depois dos tintos proibidos.

Anda comigo até ao rio!
Fugindo ao calor que enruga a pele.
Podemos conversar dos segredos ainda pendentes.
Ficando assim mais unidos, encurtando a distância, que de impeditivo não tem motivo.

Anda comigo até ao rio!
Existem lá locais, que oferecem partilhar as partes do nosso corpo
São ilhotas, fazendo lembrar poisos inesquecíveis.
Vendo outros enlaçados pelo amor, que nem o calor, desbota devido ao ardor.

Anda comigo até ao rio!
Serão horas que passarão como minutos
Regressaremos ao cair da noite unidos, mesmo conduzindo
Que mais pediremos? Senão momentos inesquecíveis!









sexta-feira, 5 de julho de 2013

A minha luta com estes Odiosos bichos é Inglória.



Eles chegam nesta época e são o meu tormento
Quando a noite cai entram pelo meu corpo como furacões enraivecidos e mordem-me como se fossem cães raivosos.
Malditos mosquitos!
Enfiam aquele bico tipo nariz Pinóquio e empolam como bolas de árvore de natal, a parte do meu corpo onde saciaram a fome e encheram aquelas panças do meu sangue.
Já não basta derrama-lo pelas horas seguidas nas correrias da azáfama laboral. E agora surgem este bando de asas voadoras, a arreliar-me seriamente.
É um zummm catastrófico pelas partes do meu corpo onde o vestuário não resguarda.
Uma, duas, cinco… perco-lhe a conta ás picadas que me entranham até ao sangue. Sugam-no até virarem bolotas e de tão pesados, deixam-se cair numa espécie de coma alcoólico e por lá ficam até que o dia nasça.
Mas se fosse só um eu dava-lhe caça!
Bem tento estar quietinho para o apanhar e num juntar de mãos. Pum, que estilhaço. Que satisfação. Lá se vai o insecto para as catacumbas do chão que diariamente piso.
Dura breves segundos e logo surge outro. Deve ser irmão, o som é igual. Emerge como um bombardeiro pronto para encher a bandulho e vingar-se do parceiro.
Nem chega a poisar, leva semelhante estalo que fica colado aos dedos, como lacre das cartas dos amantes.
A minha luta com estes odiosos bichos é inglória.
Já me coço como cão a afastar as pulgas.
Estou um desastre é hematomas avermelhados, mais parecendo cerejas desde os pés à cabeça.
Mas não desisto e fico á cata de mais um!
Ele surge, enorme, deve ser o patriarca do bando que me tem azucrinado os miolos.
Tento apanha-lo. Ele escapa-se antes que chegue perto.
É a caça do gato e do rato.
Lá está o cabrão a rondar o meu PC.
Passa bem perto do meu nariz inchado das mordeduras recentes.
Eu inspiro desesperado para o sugar e incinera-lo de uma vez só.
Nada resulta e só o vejo a atravessar velozmente o ecrã do PC, como macacos saltando de ramo em ramo.
Nisto já cansado de tanto bater palmas e de tanta coçadela. Dou com o desgraçado, parado em frente aos meus olhos!
É agora rio-me eu!
Já não te podes escapulir ó melga.
Que consolo me vai dar rebentar-te aos bocadinhos.
Vou-te colar ao ecrã e deixar-te secar como troféu pela minha tenacidade.
Aproximo a mão e o camelo não se mexe.
Mais um pouco para ver se ele tem o já conhecido rapidíssimo movimento de fuga. Nada!
Não dá luta. Desisto!
A melga, não se mexe e continua ali especada, sem eu sequer perceber o que pretende.
Vai-te embora ó melga, antes que te espatife toda!
Sou um coração mole, tirei-lhe uma foto e fui-me deitar vergado ás picadelas que já viravam feridas, de tanto coçar.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Construo a Calçada das minhas Pegadas,





Sinto o corpo pesado e a consciência suave.
Ambiciono voar, mas os pés estão pregados na terra.
Construo a calçada das minhas pegadas,
Para abrir o caminho da minha chegada!

Eu sei que não o quero sentir
Porque estou longe de ti!
Estou cansado de escrever cartas,
o meu amor é mesmo, ao pé da porta

Eu sei que nunca mais chega a hora,
de virar as saudades do avesso.
Faltam um, dois, dez ou mais dias.
E as noites darão lugar ao aproximar da mala vazia!

Eu sei, estarás de braços abertos.
Sentindo a calçada a terminar no vau da escada.  
Chegarei ao cair da noite,
que regalo para as estrelas, espectadoras dos nossos sentimentos!