segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
De novo a Retoma
Depois de dois meses voltei a deixar o meu país e regressar a uma Áustria, que se torna terrível a cada viagem que para lá me leva.
Os dias que a antecede, são dias dolorosos com lágrimas contraidas para não derramar a nostalgia e a ansiedade escondida.
São horas infinitas com desenhos no cérebro sem nexo, a mascarar o momento.
Parti à uns anos sem rumo. Procurando o meu EU, na penumbra de outro país.
Hoje encontrei-me com os meus sonhos e agarrei outro lar.
Deixar esse lar está a custar muito mais do que conquisto.
Porque esse lar tem amor!
Possui os sorrisos que me tornam por vezes menino.
Liberta o perfume da pureza já tão difícil de sentir.
E oferece-me a paz e o sossego, que tanto pedi para alcançar.
Alcansei a idade de merecer pelo que lutava. Por isso tenho que viver dia a dia, para sentir os carinhos iluminados que nestes dias, a cada hora, se soltavam em cada canto do lar.
São escalas de aeroporto em aeroporto. Que tornam ainda mais fatigante a ansiedade a ser ultrapassada.
São horas a ver o céu igual ao que povoa o meu lar, mas a levar-me para outro lugar.
E já ultrapassou dois mil quinhentos dias que a Europa me acolheu para fortalecer a sua economia.
Sinto que tenho que terminar, com o estar longe, que me retira do tão perto.
Sinto tanto isso, que já me escondo no escuro das portadas em grossa madeira, para que o dia se vá e, só volte com outro dia.
Assim, mais rápido estou onde sinto que renasci!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Vale Tudo
O futebol em Portugal é uma adrenalina perigosíssima!
Os adeptos não têm a menor ideia com que armas se tenta vencer.
Vale tudo!
Vale o enforcamento de espantalhos com cores do inimigo e derrubar instalações das casas bem perto do palco onde vai rolar a bola.
Vale uma vitória como se fosse a glória, quando foram só três pontos a encurtar a distância para quatro.
Vale soltar dentes numa mocada que nem suavemente foi sancionada.
Veio depois a gritaria por um segundo amarelo que daria a expulsão, do homem em questão.
E os dentes ficaram no relvado já enterrados, pelas botas da sofreguidão.
Vale um penalty, antes de um empurrão claro como as luzes da torre bem próximo.
Vale o golo na própria baliza num momento difícil para ditar o resultado final.
Vale o abraço ao quarto árbitro, quem sabe trocado na emoção do abraço, ao que, de direito teria dedicação.
Vale o encurtar do resultado, para que emoção no resultado prevaleça até final!
Vale o que não trouxe resultados. Três potentes avançados, para empatar o resultado.
Vale a alegria estampada nos rostos dos dragões aliviados que irão ter campeonato até que os encarnados escorregam num clube a cair para o abismo.
Vale o que se esconde por dentro!
A louca máfia do futebol, que faz esquecer os graves problemas de um país. Que consegue ter um futebol a abarrotar de barris de pólvora e euros sem fim!
Vale o que não deveria valer!!!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
O mar e as fanecas
Finalmente fui ver o mar!
Calmo e sereno. Com um punhado de pescadores a aproveitar a subida lenta da maré, para sacar uns peixes que regressam ao conforto dos penedos na busca da bucha para o seu crescimento.
Eles lançam, eles recolhem e nada na bucha dos seus anzois.
Caminhei um pouco, agora que recupero da cirurgia dolorosa.
Longos dias fechado. Longos dias sem respirar o ar que expulsa o sabor cirúrgico. Foi agradável, sentir o ar marítimo e o iodo como brisa.
Foram poucos minutos. Foram longos momentos que o meu corpo sentiu a calma tarde num trajeto tão querido.
Regressei já com dores. Normal dizem os entendidos e que ainda me espera muitos mais, numa recuperação demorada.
Mas o sorriso voltou!
Estou amparado por uma alma bendita. Que tudo me oferece, esquecendo tempos que me via só, tão longe e tão perto.
Tanto amor que envergonha meu espírito, de tanto oferecer e a nada receber!
Nisto olhando as bancas do peixe que durante a manhã foi recolhido pelos habituais consumidores, reparei nas fanecas gorduchas que me agitaram o estômago para uma ceia de desejos.
Calmo e sereno. Com um punhado de pescadores a aproveitar a subida lenta da maré, para sacar uns peixes que regressam ao conforto dos penedos na busca da bucha para o seu crescimento.
Eles lançam, eles recolhem e nada na bucha dos seus anzois.
Caminhei um pouco, agora que recupero da cirurgia dolorosa.
Longos dias fechado. Longos dias sem respirar o ar que expulsa o sabor cirúrgico. Foi agradável, sentir o ar marítimo e o iodo como brisa.
Foram poucos minutos. Foram longos momentos que o meu corpo sentiu a calma tarde num trajeto tão querido.
Regressei já com dores. Normal dizem os entendidos e que ainda me espera muitos mais, numa recuperação demorada.
Mas o sorriso voltou!
Estou amparado por uma alma bendita. Que tudo me oferece, esquecendo tempos que me via só, tão longe e tão perto.
Tanto amor que envergonha meu espírito, de tanto oferecer e a nada receber!
Nisto olhando as bancas do peixe que durante a manhã foi recolhido pelos habituais consumidores, reparei nas fanecas gorduchas que me agitaram o estômago para uma ceia de desejos.
domingo, 10 de novembro de 2019
Descarregamos emoções
Acordei ainda atordoado pela noite mascarada de descargas de tensão, de uma semana agitada.
Vivemos juntos numa tarefa em melhorar a nossa vida tão longe da saudade. Como tão perto de assegurar, o futuro de quem mais amamos.
E o fim de semana é fértil em transformar o stress diário de tantas horas enjaulado em, partículas que entopem as narinas e mossas, que desfiguram os nossos corpos.
Em cérebros agitados por líquidos que fazem rir em minutos e repastos assados demasiado. Que perfumam os cantos de toda a casa.
São momentos por vezes ilariantes!
Confessam-se as desilusões da vida, que deviam ser fechados a sete chaves, porque é a íntima história da vida de cada um.
Outros, ávidos por saberem dos outros, o mesmo que se passa com eles. Consolam-se em sentir, que existe alguém sentindo o mesmo e é o alívio de continuar a vidinha no mesmo rumo, que até aqui.
Sobram os que surpreendem sem destinguirmos se, pela positiva ou negativa. Um comportamento, que no mínimo surpreende.
Resta o que atira a pedra para o charco já alagado e sem ninguém dar por ele, refugia -se nas suas quatro paredes!
E quando o sol já vai alto, o campo de batalha da véspera (cozinha), é de novo o centro de todos se juntarem. Apercebemo-nos através do espanto do cenário. Que se extravasou um pouco, a alegria de momentos que não se controlam.
É a luta da distância.
É a luta da míngua de carinho e alegria que tanto se necessita por cá.
E amanhã volta a luta!
Onde a noite nos faz levantar e, regressa de novo, quando voltamos.
domingo, 27 de outubro de 2019
O Bilhete
Recebi um bilhete.
Escrito pela própria mão, de uma caneta que lembra a primária.
A letra era tão pura, como aprendida desde a primeira classe.
Como puro era o que lá estava escrito!
Li e reli, aquele punhado de palavras. Com reticências, para eu adivinhar o que poderia nascer de uma beleza de folha de papel.
Alguém me espera!
E eu tão longe!
Alguém quer completar o resto da sua vida, com o que resta da minha.
Alguém me oferece as suas quatro paredes, para me confortar nos poucos dias que passo no meu país!
Quem é esta mulher?
Raio quem é mesmo?
Quem é este anjo, que abre as asas para me receber.
Quem é esta sereia que me lança laivos de água salgada enquanto permaneço banhado no mar calmo, numa praia isolada.
E lá segui o bilhete.
Com unhas e dentes ferrados na crença da descoberta.
E numa noite. Teria que ser de noite, onde já todas as janelas estavam corridas da luminosidade do largo. Que me encontrei com a mulher do bilhete.
Do punhado de palavras que li num papel de caderno de argolas. Hoje já temos meio livro de história.
Em letras não escritas, mas desenhadas!
Nem Picasso, nem Dali.
Esboçavam quadros como a maravilha da nossa obra.
Nem Mozart ou Chopin. Timbravam sons, como os que os nossos corpos emanavam.
E ainda nem a meio vai a nossa história!
sábado, 26 de outubro de 2019
O Almoço
O sol vai espalhando a sua magia quente mesmo nos locais onde, já se nota o frio agreste.
O almoço foi um repasto de um simplicidade que traduz o momento.
Panados de porco alemães com sanidade de confiança.
Arroz tailandês. De tão longe, tão saboroso!
Vale o preço dele e com uma cenourita e feijão verde é a delícia que me delícia
Vinho. O vinho!
Descobri o alentejano na ida às compras e assambarquei meia dúzia.
Que saudades. Bebi até dizer chega para dentro de mim!
Bananas da Chiquitita.
Tão conhecidas que lhe dei o nome à gata da senhoria.
Ameixas que encontrei!
Seis são um kilo e como guloso que sou, devoro-as enquanto dou música aos meus colegas oprimidos, pelas diretrizes das suas donzelas sempre de olho aberto, às horas que eles recebem.
Por fim o café da Colômbia mais o cheirinho do "Jack Daniel"
Estou feliz, porque sinto o amor tão próximo.
E vou saborear uma sesta sonhando estar perto desse amor.
Quero continuar feliz!
Só esse magnífico sentimento, me leva a olhar por mim.
E cuidar de mim, porque por vezes ingenuamente, deixo que o corpo pague pelos meus constantes exageros.
E a idade não perdoa, no seu escalar de já muitos anos.
A neve não tarda
Manhã tão fresca, que as gotas de orvalho embelezam as folhas que ainda resistem nas árvores já mascaradas. Com as cores que vão resistir aos nevões que não tardam.
Como sempre, aqui a gente, cedo se levanta e cedo quer ir às compras. Com medo que outros como eles, lhes roubem as promoções que se esgotam na primeira hora e toca a andar que já se faz tarde, para assambarcar.
O sol estende-se pelas montanhas e pelos campos ainda verdes, cheios de esperança que ainda darão erva farta, até aos nevões que não tardam.
Já procuro os raios solares para aquecer as pernas cansadas da semana e inspiro este ar que limpa os exageros de tantas horas de fumo e pó!
Acordei feliz!
A Natureza sorri para mim.
Eu caminho nos seus trilhos de cajado e já de blusão camuflado.
Estou feliz, porque sinto o amor tão próximo, que numa montanha de tão alta que não se atinja. Impedirá de ele estar tão perto de mim.
Quero continuar feliz!
Só esse magnífico sentimento, me leva a olhar por mim.
E cuidar de mim, porque por vezes ingenuamente, deixo que o corpo pague pelos meus constantes exageros.
E a idade não perdoa, no seu escalar de já muitos anos.
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