sábado, 14 de abril de 2012

Os Meus Dedos


Conheço a tua voz como os meus dedos!
Os meus dedos, antes de te conhecer, já te iam beijar a casa.
Os meus dedos guiam os meus sentimentos. Em cada toque deixam a marca do meu amor, para te relembrar o poder que exercem, na fuga ao teu mundo trivial e encontres o sorriso feliz, para descobrires o nosso mundo bem perto de ti. 
Os meus dedos fazem de ti um piano, para te infiltrar as melodias maravilhosas, que te elevam ao cume da perfeição, brotando desse teu corpo sedento de amor, as baladas que fazem a nossa história.
Os meus dedos apontam o nosso caminho. Já definido há tanto tempo perdido.
Os meus dedos esperam por ti, para te dar a mão e levar-te para o leito do perdão.
E são esses dedos que desejam tocar, cada parte do teu corpo. Cada batimento do teu coração. Cada suspiro de paixão.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Fiúza e os Sem Abrigo


António Fiúza presidente do Gil-Vicente, anda numa euforia que contagia todos os que o rodeiam.
E não é, para menos!
Quem em tantos anos de história, só agora é que entra numa final, tao perto do céu como, rapidamente descer à terra. Pode sonhar até o árbitro der o jogo por terminado.
Depois do que ele passou com o "caso Mateus". Onde praticamente lutou contra tudo e contra todos, em anos sucessivos a apregoar a sua razão. E hoje a razão é a certeza da sua incansável obstinação. Esperando o Gil e também o seu presidente, serem-lhes feita justiça, pelas matreirices imperdoáveis que os senhores da Federação, tentaram impor sem razão.
 E de uma assentada, teve o Gil-Vicente na primeira liga. Numa subida que não deixou dúvidas, onde foi o campeão e trouxe a verdade dentro do campo, à injustiça que lhes causaram na secretaria.
Agora praticamente livre da descida, tanto o presidente como todo o staff Gilista só pensam no momento único para o clube e para o vasto concelho, a primeira final.
Perante todo este cenário, a derramar tantas emoções, só podia dar um extravasar de sentimentos, talvez exagerados, talvez excessivos. 
 António Fiúza, figura de proa em Barcelos. Lidera o futebol de uma forma muito sui generis.
Dedica-se a causas humanitárias de uma forma voluntária, mas quando é um momento único neste clube da minha terra, tudo se perdoa a um presidente, que como ele diz; ganhou ao Porto, ao Sporting, ao Braga. Porque não ao Benfica!
Venha o champanhe com moderação, junto da equipa e dos que ajudam este clube. E se a vitória for o que todos os Gilistas esperam, o champanhe jorrará na casa de cada Gilista. E haverá sempre uma taça para que algum sem abrigo lá passe.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Abra ou a deixe Fechada


A Páscoa abre a porta para entrar a ressurreição e por isso a janela ficou fechada nesta quadra.
Não te vi, não te senti!
Assim sendo, carreguei a cruz aos ombros na esperança de que Cristo ao ressuscitar, ressuscitasse a tua imagem.
Eu bem sei que estás ao pé de mim meu anjo e quando te quiser sentir é só fechar os olhos e deixar-me fluir!
Também sei, que o mesmo se passa contigo, beleza racional, que foge a sete léguas para não se deixar embrenhar pela paixão que uma presença obriga.
Tens a tua vida, onde a minha imagem te consome grande parte do dia. Dá-te o longo sorriso, que não o queres partilhar com ninguém, ciumenta de uma figa, por isso te ris para dentro, porque te sentes tão feliz, que ninguém merece partilhar esse sentimento.
Percorre-te o corpo de tremuras, abanando-te o coração, obrigando-o a sugar todo o sangue para si, não vá rebentar perante o fluxo de adrenalina.
Eriça-te os pêlos, dilatando-te os poros desse desejoso corpo. E num êxtase paradisíaco não abres os olhos, imaginando-te no meu colo, é tão bom dizes tu, é tão bom….
 Mas há mais!
Passeamos longe de tudo e de todos, pelos caminhos que se abrem à nossa passagem. A natureza contempla o amor e cede-lhe a passagem por mais que a floresta se mostre impenetrável.
Abres os braços, chamando-me quando eu dou um passo atrás, para colher a orquídea que apresso-me a oferecer-te.
Que loucura sentir o teu corpo tocar o meu!
A orquídea que originou este transformar de dois corpos num só, serve agora de almofada para que a tua cabeça repouse, enquanto a minha se encosta ao teu peito e houve o som do prazer, brotando como uma chama, incendiando tudo em redor, num vermelho tão vivo que em vez de se alastrar e denunciar a nossa presença. Contem-se em nosso redor, formando um círculo impenetrável que obriga o dia a não ter fim.
 Adormecemos pelo cansaço deste estonteante cenário. Que sensação deliciosa!
Acordas ouvindo-me cantar, uma canção tão linda. Que te embala neste porto de abrigo delicioso!
A melodia estende-se e salta de árvore em árvore. Que se vergam à sua passagem.
Por fim regressamos. A nossa roupa cheira à relva fresca e os nossos corpos estão pegajosos de amor real. O seu suco regou a nossa sede, tão visível nos nossos olhos, que só nos saciou porque o amor é inesgotável.
Abra ou a deixe fechada, a janela sente-se abençoada!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Toda a Família Reunida


Toda a família reunida, ou quase toda, num convívio que já se tornou obrigatório.
Por entre comes e bebes, falou-se de tudo um pouco.
Uns, claro, do momento actual em que o país vive.
 Outros, mais as mulheres. Dos filhos que estão no estrangeiro, num final de curso que trará as dores de cabeça para conseguirem porem em prática o que aprenderam ao longo de vários anos.
 Os restantes misturavam temas, consoante o grupo onde se encontravam e como na véspera se assistiu a mais um jogo onde o futebol continua a ser rei. Era o tema em destaque no seio dos mais novos, que até mete vestimenta azul foleira.
O almoço estava apetitoso, cabrito da Páscoa. Salmão para os mais delicados de estômago e uns filetinhos, para quem adorava petiscar de tudo um pouco.
Depois do café com o lago do parque em destaque, o sol forte mas a saber tão bem que até deu para as meninas mostrarem os braços, ainda branquinhos. Partiu-se para a futebolada tao ansiada como desejada.
Os da Venda são réis e senhores do jogo!
Tiago e Hugo dominam o jogo, tanto nas alturas, como à flor da relva sintética.
Força neles é para dar e vender e como tive a sorte de jogar pela equipa onde eles se instalaram, foi mais fácil esconder a certeza de que os anos já vão pesando, neste corpo a precisar de muito desporto.
 Foram duas horas de golos de belo efeito, com guarda-redes improvisados pelo lado adversário, menina bem formosa, com atributos gostosos e mais tarde menina ou menino, (ficou a dúvida). E no nosso lado Zé Ribeiro, carradas de anos a defender as balizas, dando espectáculo com defesas aparatosas e brindes a miúdo de nove anos, quase colado à sua barriga já redondinha de tanta boa vidinha.
No final uma nota para as grandes figuras da tarde, Duarte Nuno e Diogo Ribeiro. Encheram o sintético com golos. Principalmente o Diogo, cheio de força, fazendo esquecer o seu pai. A grande figura destes convívios, Tone Bouchinha.  
No regresso ao parque como a fome apertava, foi o devorar do que restava.
Foram-se as pataniscas, o presunto, os cocos, o pão e as mines. Eu sei lá, foi tudo o que havia por lá!
Recordou-se bons momentos e também aqueles que continuam a deixar saudades. Enchiam estes convívios de alegria e sabedoria.
A família cresce e já vai na terceira geração, onde os mais pequenotes saltam, brincam, até o soninho os tornarem chatinhos. E ainda faltaram os três mosqueteiros, aí se viessem, aí se viessem………
Para o ano lá estaremos, espero que os mesmos, mais, os que por motivos de força maior, não puderam neste ano. Assim tornamo-nos mais unidos numa família que pautou esse princípio!

terça-feira, 3 de abril de 2012

A Janela sem Ti


Procurei a janela para me dar a visão que me tem presenteado ultimamente. Mas desta vez tudo foi em vão.
A cama foi feita, mas a tua presença nem vê-la.
Onde andarás?
A tua falta é sentida, como o alimento tão necessário. Sinto-me um bebé, que chora constantemente, a pedir uns braços, para um colo carinhoso e um embalo amoroso. Que dure, que dure, minutos apertados. Horas apaixonadas. E dias loucos sem fim.
Por isso fico estático com a janela em frente, olhando o vazio sem movimento. 
Nos cem metros que te vi, raiando beleza que se mantém inalterável, porque nada ofusca o que a natureza brindou. Agora é um espaço em branco e mesmo que o aproxime da minha visão, o branco é mais branco. Só me entram recordações, que não bastam para colmatar as sensações que me invadem.  
Sei que andas por aí. Sei que poderás estar a passar pelo mesmo e necessites que eu apareça, como tem sido constante, ao longo dos nossos pensamentos.  
Existem dias assim. Ocos, sem chama. Ou são apenas momentos sem ti!
O dia está ofuscado pela ameaça da chuva que poderá cair no que resta da tarde.
O sol escondeu-se por trás das nuvens ao longe, que se mostram carregadas. Não dos recentes incêndios que mancharam a beleza desta terra. Isso felizmente já é passado, mas com marcas vincadas que levarão tempo a sarar. E enquanto a natureza não repõem a beleza da paisagem, tudo será lembrado.
 Mas carregadas de incertezas quanto à beleza, que nós sabemos e acreditamos que voltará a ser como dantes.
    Por isso sem o sol que brilhava os nossos corações, o dia reveste-se de um apagamento cinzento, esperando melhores dias para incendiar a madeira dos nossos sentimentos.