terça-feira, 10 de abril de 2012

Abra ou a deixe Fechada


A Páscoa abre a porta para entrar a ressurreição e por isso a janela ficou fechada nesta quadra.
Não te vi, não te senti!
Assim sendo, carreguei a cruz aos ombros na esperança de que Cristo ao ressuscitar, ressuscitasse a tua imagem.
Eu bem sei que estás ao pé de mim meu anjo e quando te quiser sentir é só fechar os olhos e deixar-me fluir!
Também sei, que o mesmo se passa contigo, beleza racional, que foge a sete léguas para não se deixar embrenhar pela paixão que uma presença obriga.
Tens a tua vida, onde a minha imagem te consome grande parte do dia. Dá-te o longo sorriso, que não o queres partilhar com ninguém, ciumenta de uma figa, por isso te ris para dentro, porque te sentes tão feliz, que ninguém merece partilhar esse sentimento.
Percorre-te o corpo de tremuras, abanando-te o coração, obrigando-o a sugar todo o sangue para si, não vá rebentar perante o fluxo de adrenalina.
Eriça-te os pêlos, dilatando-te os poros desse desejoso corpo. E num êxtase paradisíaco não abres os olhos, imaginando-te no meu colo, é tão bom dizes tu, é tão bom….
 Mas há mais!
Passeamos longe de tudo e de todos, pelos caminhos que se abrem à nossa passagem. A natureza contempla o amor e cede-lhe a passagem por mais que a floresta se mostre impenetrável.
Abres os braços, chamando-me quando eu dou um passo atrás, para colher a orquídea que apresso-me a oferecer-te.
Que loucura sentir o teu corpo tocar o meu!
A orquídea que originou este transformar de dois corpos num só, serve agora de almofada para que a tua cabeça repouse, enquanto a minha se encosta ao teu peito e houve o som do prazer, brotando como uma chama, incendiando tudo em redor, num vermelho tão vivo que em vez de se alastrar e denunciar a nossa presença. Contem-se em nosso redor, formando um círculo impenetrável que obriga o dia a não ter fim.
 Adormecemos pelo cansaço deste estonteante cenário. Que sensação deliciosa!
Acordas ouvindo-me cantar, uma canção tão linda. Que te embala neste porto de abrigo delicioso!
A melodia estende-se e salta de árvore em árvore. Que se vergam à sua passagem.
Por fim regressamos. A nossa roupa cheira à relva fresca e os nossos corpos estão pegajosos de amor real. O seu suco regou a nossa sede, tão visível nos nossos olhos, que só nos saciou porque o amor é inesgotável.
Abra ou a deixe fechada, a janela sente-se abençoada!

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