sábado, 24 de outubro de 2015

Sei Não




Abri a janela para admirar a noite fresca, enquanto o Inverno não chega.
E ela lá estava, autêntica trapezista, num extenso fio de teia que não descobri onde se iniciava, já que ultrapassava a janela do vizinho de cima.
Andava à caça, porque já enrolava um insecto que se iludiu com o clarão da janela e foi de encontro à armadilha da caçadora esperta.
A noite só deixou ver pistas desta gorducha aranha e o seu pecúlio nocturno.
Puxei-a para dentro ainda agarrada à teia e acreditem era gorducha de manter respeito. A sombra na tijoleira reflecte o tamanho do abdómen desta aranha caçadora.
Logo a devolvi ao local da caçada evitando ao máximo grandes danos, no visível fio que lhe serve de arma.
Por momentos pensei o que poderá uma aranha de manter respeito fazer, enquanto percorre o meu quarto durante as longas horas da noite.
Será que percorre o meu rosto adormecido tranquilamente, depois de longas horas a trabalhar.
Será que caminha pelo que resta do meu corpo destapado, como se andasse à caça de algum insecto pousado no cobertor que me agasalha.
Será que urde uma teia em volta do meu nariz e impede normalmente a entrada do ar, porque por vezes tenho a sensação de acordar com uma comichão de me sobressaltar?
Será que tenta entrar pela boca aberta, só sendo impedida pelo ressonar quando adormeço de barriga para o ar?
Sei não! Como dizem os nossos irmãos.


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