Abri a janela para admirar a noite fresca,
enquanto o Inverno não chega.
E ela lá estava, autêntica trapezista, num
extenso fio de teia que não descobri onde se iniciava, já que ultrapassava a
janela do vizinho de cima.
Andava à caça, porque já enrolava um insecto
que se iludiu com o clarão da janela e foi de encontro à armadilha da caçadora
esperta.
A noite só deixou ver pistas desta gorducha
aranha e o seu pecúlio nocturno.
Puxei-a para dentro ainda agarrada à teia e
acreditem era gorducha de manter respeito. A sombra na tijoleira reflecte o
tamanho do abdómen desta aranha caçadora.
Logo a devolvi ao local da caçada evitando ao
máximo grandes danos, no visível fio que lhe serve de arma.
Por momentos pensei o que poderá uma aranha
de manter respeito fazer, enquanto percorre o meu quarto durante as longas
horas da noite.
Será que percorre o meu rosto adormecido
tranquilamente, depois de longas horas a trabalhar.
Será que caminha pelo que resta do meu corpo
destapado, como se andasse à caça de algum insecto pousado no cobertor que me
agasalha.
Será que tenta entrar pela boca aberta, só sendo impedida pelo ressonar quando adormeço de barriga para o ar?
Sei não! Como dizem os nossos irmãos.
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