sexta-feira, 18 de maio de 2012

Abri a Alma, libertei o Coração!


Abri a alma, libertei o coração!
Às vezes é bom escrever, como o faço e mesmo chorando de emoção, ou mesmo da fragilidade que a vida me obrigou a passar. No final a sensação é saborosa.
É no recordar passagens da nossa vida, que percebemos o esforço que fizemos, levando essa mesma vida, a tomar o rumo que desejamos para ela.
Claro que aquilo que parece, nem sempre é!
A vida em determinados momentos, obriga-nos a parar. Para pensar e perceber que quando queremos uma coisa ela custa.
 Exige muito trabalho, empenho. Noites mal dormidas e muito esforço á mistura.
Mesmo quando nos empenhamos muito, surgem situações que nos ultrapassam, e que põem á prova tudo o que andamos a fazer, ou seja: por muito esforço existente, por muito racionais que possamos ser, os desafios são constantes, e obrigam-nos a ser fortes, seguros, persistentes, para os conseguirmos ultrapassar. E ai, a nossa persistência, resistência e o acreditar em nós próprios e nas nossas capacidades, é fundamental para mais cedo ou mais tarde, estarmos novamente em equilíbrio!
O meu percurso ao longo destes anos todos, foi um longo desafio, muito duro em muitas situações. E a dada altura senti-me sozinho no mundo, sem ter com quem partilhar.
 Família ausente, senti-me filho de ninguém, sem ter a quem pedir um colo, uma palavra amiga para me consolar.
 Hoje, já não me sinto sozinho. Mesmo quando estou só, sinto-me tranquilo. Com o meu tempo ocupado, a desenvolver tarefas que me dão prazer, nem que seja escrever, um punhado de linhas, que se podem transformar num livro ainda em branco. Mas se me apetece: leio, escrevo, estudo, busco muito. Quero sempre descobrir coisas novas e sentir que estou sempre actualizado, porque tenho que procurar a retoma do que perdi!
Mesmo Sonhando!
De pé, acordado, deitado!
Sei lá mais!
Só sei que sonho, como respiro. Como amo! 
Fico no entanto sempre com uma certeza!
Cada dia acho com mais convicção, que devemos aproveitar o que a vida nos oferece. Sem magoar outras pessoas e com absoluta certeza, que estamos a ser honestos.
Porque acredito que não à necessidade de arrasar quem se meter no meu caminho e sem procurar, de abrir a boca.
Amanhã o sol nasce de novo!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Os Escolhidos


-Mamã quem são estes homens e não há mulheres aqui no jornal?
Dizia o garoto à mãe logo pela manha, enquanto comia o bolo, metade caía no jornal.
-São os jogadores de futebol que vão jogar por Portugal, lá para fora. Nem sei onde e nem me interessa, pouco ligo a isto da bola filho.
-Come mas é o bolo, para ires para o coléginho.
-Mas mamã, tantos homens que vão jogar.
-Sei lá filho! Vá lá, já terminás-te o bolo, o puto já comia o resto que tinha caído no jornal.
-Tenho sede quero água!
Menina traga um copinho d´água, para o menino de faz favor?
E lá foram mãe e filho, a caminho do coleginho, sem antes eu ouvir: - Mamã dás-me uma bola de futebol?
-Dou-te mas é um chapo rapaz, senão te despachas!
Peguei no jornal e lá estava, bem visível e logo nas primeiras páginas, os escolhidos de Paulo Bento.
Os do costume, jogadores habituais da era Paulo Bento.
 E as surpresas, que tanto, frenesim tentaram criar, mas de surpresas nada tem, são nomes que todos nós já vaticinávamos.
O Jornal de Noticias chamou às primeiras páginas, os escolhidos.
Por aqui se vê, que o futebol, alimenta cada vez mais a fome de quem já pouco tem!
Se o jornal colocasse como legenda, para além do nome, o salario mensal que cada um aufere. Seria tema durante o dia, da disparidade que os jogadores ganham com o que todos nós ganhamos (alguns já nem ganham).
Crise para uns, alegria salarial para outros.
Nem de propósito este destaque que o jornal dá aos escolhidos.
No de amanhã, devia de vir também nas primeiras páginas, o descalabro dos clubes, nos salários em atraso, aos jogadores que não fazem parte do lote destes vinte e três!
São dois, três, quatro meses sem receberem!
Como vive aquela gente. Como pagam as suas contas e todos jogavam ao fim de semana.
Como se pode alimentar o ego de ter uma equipa nos escalões principais e não pagar: um, dois, três, quatro meses.
A sociedade em que vivemos está deste modo.
Uns trabalham e não recebem.
 Outros tentam arranjar trabalho para receberem.
 Outros ainda perderam o trabalho e deixaram de receber.
Eis o bolo que vai fermentando, a cada dia que passa, numa cozedura em banho-maria, que quando se retirar do forno, nem para os pássaros servirá de consolo.

  




domingo, 13 de maio de 2012

A Primeira Foto a Cores





A primeira foto a cores que tenho da minha infância.
Eu e o meu pai em Monção, nos tradicionais passeios de fim de ano.
Saíamos bem cedo. Ainda a noite, era cerrada, porque o Inverno obrigava a que os dias fossem pequenos e as noites longas como o frio intenso e gélido.
 O autocarro enchia, carregado com os sacos a cheirar à comida, feita de madrugada para se conservar quentinha e os garrafões de verde tinto para dar para todos.
Normalmente só iam os homens com um filho e, como eramos três, ia um de cada vez.
Esta foto retrata a minha vez e claro está, só passados três anos, chegava novamente a minha vez.
 Não havia dinheiro para muito mais. Juntava-me aos outros rapazes e durante todo esse dia era uma alegria imensa.
Farnel na mão, a comida embrulhada em jornal para se conservar quentinha, boas pernas de frango, com os panadinhos para mim. A garrafinha do vinho para o pai e, o Sumol de laranja que eu bem gostava, mas só esporadicamente bebia. Tudo bem acondicionado nas cestas de vime, para alimentar as barriguinhas durante o dia todo.
E lá íamos, ao encontro normalmente de Santuários religiosos e percorríamos as cidades não muito longe da nossa, sempre com os adultos a cantar cantigas tradicionais e pegados nos cantares ao desafio.
Adorava ver os locais por onde passávamos iluminados pelas luzes natalícias e como o passeio era realizado na véspera do fim do ano, quando regressávamos era entrar noutra festa, era um momento único para mim.
Festa em cima de festa, depois do Natal, chegava para contar os dias que faltavam para que de novo, quando chegasse a minha vez lá estivesse pronto, mesmo que nessa noite não conseguisse dormir.
  

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O calor e o Doutor

O tempo está como o tempo!
Quente, esquisito e embrulhado numa manta, que lhe tapa o sol, mas deixa passar o calor que nos amolece os movimentos.
Espero pelo garoto mais novo, na casa da juventude, com meia dúzia de miúdas simpáticas, esperando com um sorriso nos lábios que os cidadãos se encostem ao balcão, para lhes ajudar nos vários assuntos em questão.
Muitos jovens agarrados à net, já que aqui é de borla e por entre conversas banais o tempo passa neste espaço de vários pisos.
Uns entram, outros correm, presumo eu para as aulas, depois de saciarem a sede dos jogos na net aqui à mão de semear.
O meu miúdo está com alguém que lhe indicará um caminho a seguir nesta fase da vida, que empurra para um canto quem olha para o lado e assobia ao mesmo tempo. E abre os braços para quem quer enfrentar os desafios do futuro.
É uma etapa, mais uma, que ele vai descobrir olhos nos olhos e estou ansioso que ele chegue para descobrir o que ele descobriu, com esta vinda cá à casa da juventude.
Os minutos passam, ele continua no segundo andar a ouvir e trocando impressões, do que já sabe dos poucos anos que a vida ainda lhe deu. E acredito, quando descer, trará conclusões que talvez me vão surpreender.
É um puto esperto e inteligente. Já com manias vincadas nos anos ainda verdes que leva. Por isso, o que me disser será positivamente o que ele entender como o melhor para ele.
Entretanto uma coordenadora junta quatro jovens para um trabalho, previamente destinado para esta hora. E o espaço onde me encontro, está mais sossegado já que como é a entrada da casa da juventude, é onde se concentra as pessoas que estão à espera de ser atendidas, nas varias vertentes que esta casa absorve.
Reparo ao virar-me, enquanto faço uma pausa. Que na primeira fila de sete computadores, estão seis jovens e uma senhora já com tantos anos como eu, todos eles de cor.
Não são da mesma família, já verifiquei enquanto os meus olhos curiosos pesquisavam todos os movimentos. Mas é curioso como eles se juntaram todos na mesma fila de computadores.
A senhora levanta-se e como já conseguiu o que queria, abandona a casa e vai à sua vida.
O meu puto ainda está à conversa com o doutor (aqui só existem doutores), é o que mais existe neste país doutores e engenheiros (agora nem tanto, muitos já se foram em busca de futuro para lá das fronteiras terrestres e marítimas) e já estou a saturar de cá estar.
Já fui à maquina tirar uma agua fresquinha. Porra o calor veio como de dia para a noite e já se torna insuportável. Claro a agua vai de uma golada.
Nisto o puto desce. E com cara de poucas palavras.
Vamos embora pai, não quero cá vir mais, isto é uma seca dos diabos, mais valia ter ficado com os meus amigos!
Vou deixar passar umas horas e depois, procurarei saber o que se passou lá dentro com o doutor.



sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Fogo do Jardim


Seguimos na direcção dos nossos sentidos, guiados pelos nossos desejos.
Ancoramos num arvoredo não muito denso, o jardim onde viemos a descobrir o fogo ainda escondido, pronto a soltar-se a qualquer momento. Que deixava vislumbrar os comboios eléctricos que transportavam as crianças na direcção do sonho de cada uma.
Trocávamos desejos e beijos, resguardados pelo guarda-chuva andante. Largo, autentico aconchego, para nos abrigar de olhares indiscretos.
Tu sempre preocupada com os salpicos da chuva que os plásticos de resguardo não conseguiam segurar e então, para não enfraquecer ainda mais o que de frágil possuis, escondias o que de tão belo deve ser o ícone da imagem.
Os foguetes eram o fogo das cruzes, mas fomos nós que fizemos a festa.
As canas caíram imaginárias nas margens do jardim, mas fomos nós que as lançamos.
 Primeiro uma a uma, aquecendo a alegria de cada um.
 Depois, ó depois: eram seguidas, frenéticas. Deixando-nos ofegantes do brilho das cores cintilantes, que eram libertadas, a cada toque pelas nossas mãos, autênticos foguetes lançados, muito perto de nós, que cada vez mais, rebentava num estrondo apoteótico.
O fogo durou largos minutos, abençoado tempo, que deu tempo, para nos encontrarmos com a ansiedade tão desejada.
As cores multiplicavam-se, pelos lançamentos seguidos. O céu abriu-se num clarão que apagou a noite e lhe deu um colorido diurno.
Precisávamos de espaço para estender o nosso frenesim e resguardamo-nos ainda mais, prontos a libertar os nossos desejos já tão maduros, mas ainda órfãos de paternos murmúrios.
 
Regressamos, mas a vontade era lá permanecer, porque o povo já se aglomerava, na maioria jovens, sedentos de agradar e ser admirados numa noite que se prolongou até creio eu, ao raiar do dia.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

O 1 de Maio dia do Pingo Doce


O dia 1 de maio dia do trabalhador é um dia especial!
Pelas conquistas que arrasta. Pelo simbolismo que transpira. Pelo valor que inspira nos trabalhadores que sentem nesse dia, o seu dia!
Só que como se viu no 25 de Abril, o primeiro de Maio de 2012, está longe de juntar as massas, para ouvir as suas vozes. E alguém. de muitos, que anos a fio trabalharam para minimizar os valores deste dia, tratou de o comemorar a seu belo prazer, puxando a brasa para a sua sardinha.
Vai daí o pingo doce aproveitou este dia, numa jogada que está a ter várias vertentes de interpretação. Comemorar de uma forma original, é o mínimo que posso dizer. E resolveu matar dois coelhos numa só cajadada.
Num consumo de cem euros, fazia um desconto de 50%!
Porra, melhor não pode ser! Só faltou colocar nos carrinhos as bandeirinhas vermelhos a festejar o primeiro de Maio.
Se existem descontos de cinquenta por cento, em vários artigos porque não nas grandes superfícies e logo em bens que hoje em dia tanta falta fazem e já muitos contam os euritos para os conseguirem.
A mensagem passou de boca em boca como uma bomba e as filas às portas do pingo doce, superou as que se verificam nos centros de emprego, onde já muitos gritam por um emprego.
Só que… foi o fim do mundo em vários pingos a ficarem encharcados de tanta chuvada de pessoas.
Foram-se os artigos, mesmo depois de repostos vezes sem conta. Com data a expirar e quem sabe alguns já para lá do admitido, num frenesim que enchia carrinhos como uvas a abarrotar os cestos na altura das vindimas.
Como não chegou para todos e quem comprava, gabava-se de fazer o negócio da china. Mais contribuía para engrossar as entradas dos pingos de pessoas esfomeadas por abocalhar a comida que lhe ia encher a despensa para o dobro dos dias.
A esta altura os boys do pingo doce já faziam as contas e esfregando as mãos de contentes, esperavam pacientemente pelo fim do expediente. Só que o esfregar das mãos deu lugar ao apertar das mesmas num gesto de nervosismo, dado que a corrida aos pingos deu em barafunda das grossas e até meteu policia para acalmar os ânimos, já que ninguém conseguia conter os desafortunados por tamanha pechincha numa grande superfície.
Mas como o 1 de Maio é sinal de debates e de confrontos verbais no sentido de as conquistas dolorosamente conseguidas com sangue suor e lágrimas, serem hoje postas em causa, na actual sociedade em que vivemos. Neste caso pingo doce, já se sentem as manifestações de repudio e vai daí os rivais do pingo doce trataram de por a policia que tudo fecha (quando não está dentro da conformidade), a ASAE e outros que tais. A investigar se esta concorrência desleal está ou não dentro da lei.
Portanto de uma maneira ou de outra o 1 de maio em Portugal mexeu com o país.
Só se fala do pingo doce, que bem azedo está por estas horas e deixou-se para segundo plano o verdadeiro sentido do 1 de Maio dia do trabalhador. Que os do pingo doce bem o sentiram, não comemorando-o, mas sim trabalhando como cães, para oferecerem de uma assentada belos lucros aos patrões pouco doces e pingados de euros para lá das nossas fronteiras.
O 1 de Maio foi no pingo doce. De norte a sul do país!



  

terça-feira, 1 de maio de 2012

A Primeira Romaria



As festas das cruzes, estão tão perto de mim como de todos os portugueses.
É a primeira romaria, das muitas que vão dar um pouco de alegria ao povo, neste ano tão difícil.
E como é a primeira, é normal que os portugueses corram em massa para passarem umas horas bem no centro do Minho.
 E não só! Espanhóis chegam aos molhos. Já é tradição no 1 de Maio a festas das cruzes falam espanhol.   
 No meio da barafunda é verdade: tanta gente no domingo e hoje feriado, que estacionar era o cabo dos trabalhos.
 Havia e à de tudo!
Divertimentos que enchiam a zona sul do campo da feira, onde a canalhada dava largas à valentia e repetidamente desafiavam a adrenalina e num sob e desce a toda a velocidade, gritavam numa acho eu, de alegria.
Mas esta malfadada crise não enchia os espaços de divertimento, muitos deles mesmo nos dias de festa, não conseguiam encher os lugares com que as naves transportavam a juventude para o infinito e mais além, sem sair do sítio. Mas sim os espaços onde as pessoas aos magotes se torravam para passarem.
A cidade enche-se de cor e alegria com música à mistura e até ao fim de semana, haverá folclore e bandas conhecidas. Guitarradas e cantares ao desafio. Tasquinhas para se provar as iguarias das festas.
Matraquilhos, para desafiar quem entra para os que vencem, jogar sem pagar.
Bazares repletos de bonecos de peluche, muitos deles do tamanho de quem os transporta. A abarrotar de gente à espera que lhe saia o número da sorte e possa escolher de tudo um pouco, porque aí existe o que agradar a quem a sorte calhar.
Bifanas e pão com chouriço, saído de fornos a lenha, para quem fica pela noite dentro em esplanadas que dão para ver quem passa. E assim já se contenta com este jantar.
Churros, farturas para saborear enquanto se vai ter ao carro bem longe do centro das festas, porque verdade se diga os parques de estacionamento, eram em terrenos baldios à entrada da cidade ou por cima dos passeios que nem as rotundas se safavam.
Bancadas atulhadas de peças de roupa, de calçado, de relógios, de óculos, de fruta. Enfim um mar de tudo. Num mar de gente, procurando as melhores peças, a preços tão loucos que dava para desconfiar. (ainda bem que não lá apareceu a ASAE).
Hoje assistiu-se à batalha das flores. Vinte e tal carros alegóricos de algumas freguesias que compõe o maior concelho do país e lá iam as mulheres e homens de cesto metido no braço, cantando e dançando. Ao mesmo tempo, lançando flores para o povo que enchia as principais ruas de Barcelos.
Num ponto estratégico encontravam-se e então aí travava-se a batalha das flores que deu um belo colorido às ruas por onde passaram.
E como no céu, as nuvens negras ameaçavam estragar a beleza da festa. Rezou-se para que São Pedro esperasse pela noite e então se tivesse que chover, chovesse nem que fosse a cântaros.
Até agora não houve chuva e assim a festa continua num cenário de muita luz, até ao fim de semana, para forasteiros e para quem é da casa, ou seja deste concelho.