terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Sonho Reaparece




Tornei a ter o mesmo sonho!
Um sonho bem claro. Cheio de certezas quanto à resposta que nós simples cidadãos, que tudo pagamos para alimentar a ânsia dos poderosos, em açambarcar a riqueza que deveria ser distribuída por todos, mas só alguns. Os denominados rapinas, besuntados de chantilly. Nascidos com um critério de vida que é vencer, o que significa derrotar e liquidar os outros. E como tal sentem-se os predestinados!
Nesse sonho, milhões que tudo pagam. Unem-se em volta de uma estonteante estrela.
E deslumbrados pela sua intensidade, pelos raios afrodisíacos que lança de encontro à imensidão de pessoas extasiadas. Sentem que chegou finalmente a hora da solução que tenazmente procuram, para aliviar a permanente subjugação e escalpelização aos poderosos. Que nasceram como qualquer um de nós, mas por uma conjugação de factores obscuros e não muito transparentes, transportam a bandeira do poder, bem na frente do pelotão submisso e curvado pela humilhação continua.
E num chamamento tipo SMS, partem pelos quatro cantos do mundo, de encontro ao destino programado.
Vieram uns, de longínquas paragens, depositando uma fé inacreditável no rumo a seguir, ganhando asas para voarem pelo céu infinito rumo ao encontro!
Outros, igualmente audazes navegam em milhares de canoas invisíveis pelos oceanos sem fim, rumo ao encontro!
Finalmente os menos destemidos, caminham por montes e vales, serras íngremes e florestas encantadas, rumo ao encontro.
E milhões. Vezes milhões! Dão vida ao paraíso terrestre indicado pela estrela que passados dois mil anos, voltou a indicar o caminho para o encontro da distribuição da riqueza humana, riqueza material e riqueza espiritual. Que é de todos e para todos.
 Onde necessariamente uns terão um pouco mais, mas serão esses os mecenas. que do pouco mais que justamente foram contemplados, pelo seu brilhantismo na capacidade de criar riqueza. Abriram o caminho para que a riqueza abrace os restantes esfomeados pela ansiedade em obterem o essencial da vida. A partilha do mesmo sol que, quando nasce é mesmo para todos nós.
E o encontro prolongou-se por dias a fio. Onde se repartiu o pouco que cada um possuía, para saciar a necessidade de todos!
E então, ao fim de várias noites onde a companhia das estrelas iluminava milhões de rostos. A luz no cérebro desses milhões de esfomeados concluiu: Se vivemos tão mal, porque carga de água o medo de morrer é tão grande?
E todos juntos, milhões de almas saciadas pela luz do acolhimento que os confortou das amarguras de uma vida cheia de chagas impossíveis de estancar. Regressaram comandados pelo estandarte da união terrestre e invadiram os corações da riqueza do planeta.
Enfrentaram e derrubaram barreiras de gás lacrimogéneo e balas que abatiam meia dúzia. Mas logo dúzia e meia, se levantava para abafar os atiradores.
Enfrentaram feras raivosas com ou sem trela, dando o corpo ao manifesto. Elas rasgavam a carne de meia dúzia que tombavam no asfalto salpicado do sangue mártir. Mas logo se levantavam dúzia e meia, saciados com o sangue dos colegas caídos, para torturar as feras e os seus latidos.
Os poderosos senhores, vendo o seu infindável pecúlio poder cair nas mãos dos agitadores esfomeados. Arremessaram a artilharia mais sofisticada que possuíam, através de humanos fardados de viseiras e escudos. Aparelhados a fatos que descarregavam volts a cada contacto com os iluminados, fazendo-os tombar como pardais indefesos.
 Comandados de dentro de um bunker impenetrável, visionados por câmaras colocadas estrategicamente, que tudo gravavam para mais tarde incriminar os líderes da insurreição.
Onde a covardia era rei, numa força aparente que tudo derruba ao menor ruído de agitação. E refugiada nos galões dos espiões que num leva e trás de informações, faziam hora a hora, o ponto da imprevisível e audaciosa agitação!
Até que……. Porra, onde é que estou!
Acordei banhado em suor, pelos raios solares que invadiam o meu quarto. Como!
Abrindo bem os olhos ainda inchados de uma noite agitada, tamanha a imensidão de acontecimentos contidos no meu cérebro. Desoladamente entendi que o infindável pecúlio dos banqueiros e dos seus comparsas e os amigos dos comparsas. Depositados em paraísos fiscais sobre as águas calmas, das ilhas paradisíacas. Que tinham sido esventrados pelo guiar da estrela densamente iluminada. E repartidos pelos milhões de humanos, subjugados e escalpelizados, depois de uma luta titânica derrubando mentes penosas, sistemas ditatoriais e governos poderosos e imperiais.
Afinal não passou de um sonho impossível de ser realizado, onde a pura ilusão, não tem espaço a desenvolver um sonho!

Ou tem!!!!!
 

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