quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Estação


A Estação é o ninho das memórias e o local das demoras.
Tantos anos de histórias que se cruzavam com a incerteza da partida e a certeza da chegada.
É a entrada de sonhos em relação ao futuro dos jovens esperançados em conquistar o patamar da realização.
É a entrada de quem normalmente vem a correr para apanhar o comboio, com destino ao seu trabalho, seja logo na primeira cidade em que pare. Seja no fim do seu percurso bem pertinho do coração do Porto.
É a entrada para quem vai vistoriar o seu corpo, normalmente no Porto, para fortificar a saúde, debelando males ruins, depois de anos de canseiras e asneiras.
É a entrada de possíveis encontros, que poderão dar juntar os trapinhos, ou no pior dos casos atraiçoar os lençóis, de um amor que pensavam ser para toda a vida.
É a entrada (agora reduzida), de soldados que iam dar tropa, quase todos contrariados, mas obrigados de farda horrível mascarados. A lutar por uma pátria, mas na prática, a servir uma cambada de oficiais. Que, como não sabiam fazer mais nada, enchiam os bolsos e a pança.
É a entrada de quem mora da outra banda, que a utilizam vezes sem conta, para mais rápido chegarem às suas casas.
 É a saída de quem terminou um longo percurso depois de anos a fio, a queimar as pestanas, aproveitando os comboios para por a matéria em dia.
É a saída depois de um longo dia de trabalho com a viagem em comboios, com cheirinho a estrume de vaca. Parando em todos os apeadeiros, para no dia seguinte voltar ao mesmo do costume.
É a saída daqueles que regressam do doutor, esperançados na cura, que sendo deveras especialistas, só se encontram na grande cidade.
É a saída de quem vem feliz, porque arranjou a companheira do futuro, para ser a mãe dos seus filhos. Ou com um sorriso maroto, depois da facadinha no matrimónio. Ou em desilusões, depois de tantas ilusões.
É a saída dos soldados agora mascarados de saudades. Correndo velozmente ao encontro das namoradas, depois de dias seguidos fechados em quarteis com sentinelas para bater a pala aos Coronéis.
É a entrada dos moradores, vindos da banda de lá, para a cidade visitar, em compras tão necessárias, ou em lazer banal numa cidade pequenina, que tem a sua Estação como um marco da sua história.

  


2 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Gosto de estações. Detesto aeroportos.
Bom fds

Nuno Pereira disse...

O comboio leva-nos ao destino, com a natureza bem pertinho e com os sonhos pelo caminho!
Bom fds