sábado, 30 de maio de 2009

O Colega Bombeiro Azarento



A empresa trabalha com matéria-prima altamente inflamável. E como tal, temos um espaço com tudo o que é necessário. Assim obriga as normas de segurança. E para que a prontidão na ajuda a qualquer foco de incêndio seja o mais rápido possível, colocou-se uns interruptores nas secções mais sensíveis e ao mais pequeno indicio de fogo é logo accionado e toda a empresa se apercebe que à fogo.
E como já em algumas ocasiões, a sirene tocou!
O Camolas, concentrado no seu trabalho deu um salto e correu por ali fora para dar a sua ajuda.
À muito que ele esperava este momento. Queria também participar de perto no combate do incêndio e agora a sirene tocava insistentemente, parecendo que o chamava.
E ele lá ia galgando a distância que o separava do fogo com o coração aos pulos, mas cheio de moral.
Algo o deteve! O chinelo, destes de praia comprados nos chinesinhos!
- Raios, tinhas logo que rebentar agora! Hesita dois segundos e decide: - Que se foda o chinelo, o importante é ajudar, não à tempo a perder!
E continua o seu caminho com um chinelo num pé e o outro descalço. Barriga de fora já que a camisola só o tapa até ao umbigo.
Então chega! Eufórico e ofegante!
Mas lembra-se que um bom bombeiro antes de chegar ao local, tem que levar o material. Não pensa em mais nada, dá meia volta e foda-se, bate com o dedo do pé descalço, numa grade que servem para sugar o pó que se acumula. Mas nada o detém, tamanha a ansiedade que se apodera dele e agarra num instintor. E lá vai, agora sim em direcção ao fogo.
- Pronto cheguei, finalmente! É agora ou nunca!
- Foda-se, falta-me a máscara! Porque viu que os outros corriam para as ir buscar, já que com a intervenção dos instintores, o fogo abrandou, mas uma enorme nuvem de fumo nada deixava ver.
Com um sorriso pensou: De máscaras percebo eu, ainda não esqueci as lições dadas sobre máscaras na tropa.
Mais meia volta, agora sem bater com a cabeça do dedo do pé nas grades. E vê-se finalmente em frente ao armário. Faz força e lá consegue correr o vidro. Saca a máscara e corre ainda mais animado repetindo: - Na tropa era o maior!
- Meu Deus, isto arde mesmo!
Alguém grita: - É preciso instintor, alguém com mascara que apague aqui!
Coloca a máscara e lá vai o nosso herói, meio calçado meio descalço. Puxa a patilha do instintor e zás atira tudo para a boca do fogo.
Uma nuvem de fumo cerca-o totalmente. - Tenho máscara nada me acontecerá!
- Mas cum caralho! Eu não consigo respirar!
A aflição é tão grande, que o homem começa aos saltos! Pronto sacou a máscara.
Vê o que se passa e fica de boca aberta. – O quê? Esqueci-me de tirar o tampão do filtro, que burro que sou, assim não ia lá.
Alguém repara e o nosso bombeiro leva um baile de meter pena. Tem os olhos vermelhos, o nariz a pingar. Nesta figura põe os colegas à gargalhada.
Entra-se no rescaldo, é preciso limpar tudo e lá está o nosso herói, ainda cheio de vontade para ajudar. Apesar de ter o pé descalço em brasa, porque com a aflição da máscara, fartou-se de calcar restos de matéria-prima ainda a arder. Mas não desiste, está pronto para o que der e vier.
Mandam-lhe ligar mais uma mangueira e limpar a zona onde se encontra.
Agulheta na mão, tudo sob controlo pensa uma vez mais, talvez para espantar os desaires já acontecidos.
Mexe a alavanca para ligar a água. Ela está um pouco perra (tem pouco uso), começa a tremer. Porque sabe que ainda nada lhe saiu bem.
Dá um valente safanão à alavanca que gira rapidamente e só visto!!!
A água sai com toda a força! A potência destas mangueiras é enorme. Ele leva um safanão colossal, molha toda a gente que está ao seu pé. Entra em pânico, anda às voltas para segurar a agulheta e vira-a para o tecto ao mesmo tempo que a desliga.
Como a mangueira estava virada para cima e lançava água com toda a força, ao desligar, a água caiu-lhe pelas orelhas abaixo, ensopando-o da cabeça aos pés.
Toda a gente lhe caiu em cima! Chamam-lhe todos os nomes e o Camolas, regressa ao seu lugar cabisbaixo, não sem antes recuperar o chinelo, dando-lhe dois furos com um pequeno gancho, ferramenta essencial para o seu trabalho e com um cordel emenda o que rebentou.
Está encharcado, mas no fundo está feliz, apesar de tudo.
Porque o que lhe aconteceu foi tudo fruto da sua inexperiência. Acontece aos melhores, vai pensando ele.
E para a próxima quando aquela sirene tocar, é preciso ter mais calma e então mostrarei àquele bando de pés rapados, que sou tão bom ou melhor do que eles.
E vou-me rir, como eles se riram agora de mim! É só esperar, é só esperar.

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